Madri – Durante a entrega do Prêmio Nueva Economia Fórum, um grupo espanhol de debate político independente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a Europa deveria aprender com o Brasil a como sair da crise. E afirmou que quem segurou a crise no país foi a parcela mais pobre da população, que atendeu ao apelo para consumir com responsabilidade. “Essa foi uma lição que deveria servir para a Europa”, disse, dirigindo-se ao presidente da Comissão Europeia, Luis Manuel Durão Barroso.
Lula recebeu o prêmio no final da VI Cúpula América Latina e Caribe – União Européia, em Madrid, por seus esforços no combate à fome e à pobreza, além do destaque no cenário internacional. O prêmio foi entregue pela vice-presidente do governo da Espanha, María Teresa Fernández de la Vega.
O presidente brasileiro também fez um balanço positivo de seu governo. “Nunca os empresários – brasileiros ou estrangeiros – ganharam tanto dinheiro quanto no meu governo.” Ele acrescentou que sai [do governo] de consciência tranquila, porque os trabalhadores também tiveram grandes quantidades de reajuste salarial. “Quero que as empresas ganhem, os trabalhadores ganhem, porque assim a gente fortalece a democracia.”
Ao analisar os quase oito anos de mandato, Lula afirmou que sai do governo com mais do que pesquisas de opinião pública favoráveis. Ele disse também deixa como legado a certeza que qualquer pessoa pode chegar ao posto mais alto do país.
“O legado que estou deixando é que despertei no mais humilde dos brasileiros – um catador de papel, um metalúrgico, um gráfico, um pedreiro – a consciência que ele pode e deve chegar à Presidência da República. É só querer e se preparar”, afirmou. “Muito mais do que curso de doutor, as pessoas têm que ter curso de inteligência e sensibilidade para bem dirigir o seu país.”
O discurso de Lula também teve tom de despedida da Espanha, já que esta pode ser a última vez que ele visita o país como presidente da República. Descontraído, o presidente disse que vai torcer para uma final entre Brasil ou Argentina com a Espanha na Copa do Mundo da África do Sul. “Estaríamos fazendo a integração definitiva da União Europeia com o Mercosul”, brincou.
O presidente também destacou que um dos assuntos complexos que as duas regiões têm pela frente é a questão da imigração. “É um teste para a construção de nossas posições comuns.”
Em seu discurso, Lula lembrou ainda que foi ao Irã para negociar o acordo sobre o uso de energia nuclear porque acredita no diálogo. “Por isso, fui até o Irã, porque acredito que é conversando que a gente se entende.”
O presidente fica em Madri até amanhã (19). Pela manhã, ele tem encontro com o grupo Prisa, do jornal El País, e depois participa do Seminário Brasil: Parceria para uma Nova Economia Global. Às 16h, está prevista a partida de Lula para Lisboa, onde se encontra com o presidente de Portugal, Cavaco Silva, e também participa da 10ª Cimeira Luso-Brasileira.
Por Carina Dourado – Enviada Especial da EBC. Edição: João Carlos Rodrigues.
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Lula culpa governos de direita pela crise financeira que atinge parte da Europa
Brasília e Madri – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (18) que a direita é responsável pela crise financeira que atingiu parte da Europa. Na conversa com o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, Lula disse que a direita produz as crises, mas a esquerda é que sofre as consequências, ao se ver obrigada a “cortar salários”.
“Essa crise não é da esquerda. Sabe o que me deixa constrangido? É que a direita faz as crises e depois a esquerda tem que fazer o corte nos salários, que eles não fizeram”, disse o presidente, que participa da 6ª Cúpula União Europeia, América Latina e Caribe, em Madri. “Por isso que eu acho que tem um debate político e não apenas econômico.”
Em tom de desabafo, Papandreou acrescentou: “E ainda somos responsáveis pela crise”. Dos europeus, a Grécia é o país mais afetado pelas consequências da crise financeira. Foi obrigada a pedir empréstimo à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar o agravamento das tensões entre os gregos.
Lula e Papandreou conversaram hoje por cerca de 40 minutos. A conversa ocorre no momento em que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional se comprometeram a enviar um total de 110 bilhões de euros para evitar a ampliação da crise para outras regiões da Europa. Os recursos chegam à Grécia no mesmo dia em que o país precisa pagar 8 bilhões de euros a credores internacionais.
Antes do encontro com Papandreou, Lula disse na abertura da cúpula que o Brasil adotou medidas de estímulo ao consumo para evitar a contaminação da crise financeira mundial no país. A solução, apresentada pelo presidente, foi elogiada por autoridades presentes inclusive o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Antonio Moreno.
Por Renata Giraldi e Carina Dourado – Repórteres da Agência Brasil. Edição: Talita Cavalcante. *Enviada especial.
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