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Primeira mulher a presidir Sindicato dos Bancários de São Paulo assume o cargo

Juvandia Moreira, que ocupou a secretaria-geral da entidade nos últimos seis anos, afirma que continuará a luta pela ampliação dos direitos e pela igualdade de oportunidades entre todos os trabalhadores, entre outras bandeiras

São Paulo – O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região terá, a partir desta sexta-feira (28) uma mulher na presidência, a primeira em seus 87 anos de história (completados neste mesmo dia). Juvandia Moreira, que ocupava a secretaria-geral, assume o cargo ocupado nos últimos seis anos por Luiz Cláudio Marcolino.

Aos 37 anos, ela chega ao momento mais importante de uma carreira começada quase por acaso. Juvandia era uma jovem de Nova Soure, interior da Bahia, quando chegou a São Paulo, no início da década de 1990. Ela imaginava que estudar Direito seria o caminho correto para lutar por justiça mas, ao se empregar em um banco para custear a faculdade, percebeu que o caminho era outro. “Descobri que na luta dos trabalhadores se faz muito mais justiça que com o Direito”, afirma.

Juvandia promete continuidade em relação à atual gestão, lutando para manter o aumento real de salário e a ampliação dos direitos, além de seguir freando as atitudes patronais que desrespeitam o trabalhador e geram problemas de saúde. Sobre o peso de ser a primeira mulher a comandar um dos mais importantes sindicatos do país, ela promete luta por igualdade de oportunidades.

Leia trechos da entrevista que a nova presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região concedeu à Rede Brasil Atual.

Rede Brasil Atual: Qual o desafio de assumir esse cargo, especialmente sendo a primeira mulher à frente do sindicato?

Juvandia Moreira: É sempre um grande desafio. É um sindicato que tem uma história de luta, conquista, são 87 anos. Muitas dessas conquistas viraram referência para a classe trabalhadora como um todo. E para a sociedade brasileira. Nosso sindicato tem uma visão social, sabe da sua importância.

Por exemplo, lutamos contra a ditadura militar. Os militantes que aqui estavam retomaram o sindicato em 1978, lutando pela democratização do país, pelas Diretas Já. Participamos dessa luta fortemente, mobilizamos os bancários e a sociedade para isso.

Construímos uma central sindical (CUT) que é a quinta maior do mundo e a maior da América Latina. Estávamos lá pensando no princípio dessa central, para que fosse de massa, democrática, para organizar a classe trabalhadora.

É um desafio grande assumir esse sindicato. Muitos de nossos militantes viraram quadros políticos. Ricardo Berzoini (deputado e ex-ministro do Trabalho), Luiz Gushiken (ex-deputado e ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República). Gushiken, como deputado, foi um dos responsáveis pelo projeto de previdência complementar.

Independentemente de ser homem ou mulher, é uma responsabilidade grande estar aqui. Agora, sendo uma mulher, é uma responsabilidade maior por ser a primeira a assumir. É um símbolo, claro, que diz que a mulher pode ser presidente de um grande sindicato, quer ocupar os cargos de direção, o poder. Metade de nossa categoria é mulher e portanto tem de estar representada.

Vamos continuar seguindo a linha de um sindicato-cidadão. As mulheres, no mercado de trabalho brasileiro e na categoria, têm salários menores que os homens. A gente tem de lutar. Uma bandeira dessa diretoria é a igualdade de oportunidades.

A fusão Itaú-Unibanco, a compra do Real pelo Santander, de que maneira isso traz novas pautas ao sindicato ou reforça lutas antigas?

Mais do que nunca, a gente tem discutido e acompanhado o emprego bancário. Lutando contra as demissões nesse processo de fusão. Esses bancos, cada um deles separadamente, eram empresas lucrativas, com rentabilidade altíssima, e que têm condição de incorporar o emprego dos trabalhadores todos, de manter esses empregos.

A gente fez negociação e vamos continuar acompanhando, discutindo com esses bancos. Esses dias saiu a comparação do emprego em vários setores e o setor financeiro é um dos que menos ampliou o número de vagas em 2009, sendo que é um dos que mais lucrou. Os bancos não sofreram com a crise internacional, mas ampliaram muito pouco. A ampliação está mais nos bancos públicos, o que é uma conquista nossa. Conseguimos novas contratações no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal.

Quais outras prioridades para o sindicato?

A gente tem entre as prioridades o aumento real de salário. Conquistamos, por greve e por luta, o aumento real de salários. Ampliar a participação nos lucros e resultados, o tíquete-alimentação, auxílio à educação.

Estruturar um plano de carreiras, cargos e salários que tenha regras claras, além da questão de saúde e do trabalho, que é um problema muito sério. As metas são cada vez mais inatingíveis e há assédio moral.

Na economia brasileira, muito se voltou a discutir a questão dos juros altos, mas quase sempre pelo lado do empresariado. Qual o impacto desse juro alto para o trabalhador?

O juro alto tem impacto para toda a sociedade. Imagine que você vai pegar um crédito pessoal para qualquer consumo, para um micro-empreendimento. Quanto maiores as taxas de juros, mais caro você vai pagar, mais dinheiro vai ficar para o banco.

Em uma situação em que a economia está crescendo, em que tem havido aumento de renda por conta das políticas de governo, não tem cabimento que as taxas e juros sejam tão altas. Precisa baixar porque isso deixa mais renda líquida no bolso do trabalhador.

Por: João Peres, Rede Brasil Atual. Publicado em 28/05/2010, 11:20. Última atualização às 12:35.

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Presidente dos bancários de SP deixa o cargo nesta sexta

São Paulo – O presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, deixa o cargo nesta sexta-feira (28).

Na entrevista, Luiz Cláudio comenta a decisão de sair do sindicato e faz um balanço do seu mandato. Desde 1989 na entidade, ele disse na entrevista abaixo que já sente saudades, mas sai “com a certeza de ter cumprido uma grande missão.”

Confira na reportagem publicada originalmente na Folha Bancária e no sítio da entidade (http://www.spbancarios.com.br/noticia.asp?c=14500).

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Uma história que começou em 1989, quando Luiz Cláudio Marcolino tornou-se bancário do Itaú. Foram necessários apenas dois anos para que, já atuante nos movimentos sociais da zona sul, Marcolino ingressasse no Sindicato. Passou pela diretoria de base, Secretaria de Formação e Secretaria Geral até chegar à Presidência em 2004. Agora, após seis anos, Marcolino segue a tradição democrática da entidade e passa o cargo nesta sexta-feira 28 à atual secretária-geral, Juvandia Moreira.

“Estou saindo do Sindicato já com saudades, mas com a certeza de ter cumprido uma grande missão”, diz Marcolino. “Foram quase 20 anos de dedicação lutando ao lado dos bancários. Uma vida da qual não mudaria nada, nem um segundo. Tivemos episódios difíceis, outros de grande felicidade, e tudo isso faz parte da minha história, do meu processo de crescimento político e pessoal. Não abriria mão de viver nenhum desses momentos que passei ao lado dos bancários.”

Marcolino concedeu essa entrevista para a última edição da Folha Bancária que assina como presidente. “Estou saindo da presidência do Sindicato, mas continuarei bancário ao lado dos bancários em todas as lutas.”

Por que você vai sair do Sindicato?

Eu, assim como os outros presidentes desde a retomada do Sindicato no pós-ditadura, ficamos um período determinado (duas gestões de três anos) e depois saímos. Seguimos uma tradição democrática que estabelece a troca de presidentes a cada seis anos para que nossa trajetória de lutas continue com a força que vem da mistura entre experiência e renovação. Eu e a Juvandia, que será a nossa presidenta, representamos exatamente isso: trouxemos renovação e acumulamos experiência nos nossos anos de Sindicato como dirigentes de base e da executiva do Sindicato.

E como resumiria esses seus seis anos à frente do Sindicato?

Sem falsa modéstia, já que o trabalho não é só meu, mas de todos os dirigentes do Sindicato e dos milhares de bancários que participam da luta, podemos falar numa trajetória de sucesso. Foram seis anos de aumento real de salários, aumento no valor da PLR e o adicional, novas conquistas como a 13ª cesta-alimentação, a licença-maternidade de seis meses. Especificamente nos bancos públicos, avançamos na isonomia de direitos para os trabalhadores do Banco do Brasil e da Caixa Federal, onde também conquistamos na campanha do ano passado 15 mil novas contratações. E além da defesa da Nossa Caixa como banco público, continuamos ao lado dos trabalhadores pela manutenção dos seus direitos. Para além da categoria, conseguimos avanços inimagináveis antes da eleição do presidente Lula. A política de valorização do salário mínimo e a correção da tabela do imposto de renda foram mudanças que partiram da atuação direta do movimento sindical, notadamente dos bancários. E resultaram no fortalecimento da economia, com a geração de mais empregos que foi o que manteve o Brasil longe da crise.

Como será daqui para frente?

O Sindicato terá uma presidenta pela primeira vez em sua história. E posso dizer com conhecimento de causa que Juvandia Moreira é totalmente capacitada para estar à frente do Sindicato. Assim como aconteceu comigo, Juvandia foi secretária-geral da entidade nos últimos seis anos e vai dar continuidade à história vitoriosa que faz dos bancários uma das mais fortes e organizadas categorias do país.

E você, o que fará no futuro?

Vou continuar sendo bancário e permanecer na luta ao lado dos bancários. Mas muitas coisas precisam ser feitas para garantir o que conquistamos. Os bancários são uma categoria organizada, que tem representação forte e poder na mesa de negociação diante dos banqueiros. Isso faz com que nosso Contrato Coletivo de Trabalho seja dos melhores, muitas vezes à frente até do que prevê a legislação do país. Temos de estender esses direitos a todos os brasileiros de todas as categorias profissionais. Precisamos institucionalizar, fazer virar lei todos os avanços garantidos durante o governo Lula. É nisso que pretendo trabalhar daqui para frente. Para que os trabalhadores sejam cada vez mais fortes.

O que destacaria na sua trajetória no Sindicato?

Difícil escolher uma coisa só. Foi uma experiência fantástica. Os bons momentos trouxeram felicidade, os momentos difíceis ajudaram a crescer. Mas acho que há dois destaques: a criação da Revista do Brasil e do Portal de Rede Brasil Atual, com dezenas de sindicatos unidos para fazer uma comunicação dos trabalhadores para os trabalhadores. E a retomada do movimento de massa dos bancários. A partir da eleição do presidente Lula, com o respeito à representação sindical inclusive nos bancos públicos, o aumento do nível de emprego e o fim da repressão, os trabalhadores voltaram a se mobilizar.

O resultado direto foram mais conquistas. E com a unificação da categoria, uma das nossas principais conquistas nos últimos anos, saímos fortalecidos. Em 2004, fizemos a histórica greve de 30 dias e de lá pra cá mudamos a lógica das negociações, com mais transparência para os bancários e diálogo franco nas assembleias, apresentando claramente os limites e as possibilidades de cada campanha. Nunca levamos os trabalhadores a uma aventura. Isso virou um círculo virtuoso: mais diálogo, mais mobilização, mais representação, mais conquistas. Nossa prioridade é a unidade dos trabalhadores para enfrentar os bancos, respeitando as especificidades de cada representação. Só os banqueiros não gostam disso (rs).

Por: Claudia Motta. Publicado em 27/05/2010, 11:30. Última atualização às 14:05.

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