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Por 17:39 Sem categoria

Brasil encontrou o caminho do desenvolvimento, afirma Lula

Em seu programa semanal de rádio, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país encontrou o caminho do desenvolvimento. Ao comentar os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), Lula disse que “estamos fazendo o que não acontecia desde 1975, quando entramos em uma crise de desemprego no Brasil, de desativação das atividades econômicas”.

Os números, divulgados na semana passada pelo Ministério do Trabalho, apontam um total de 41,2 milhões de empregos formais em 2009 – um aumento de 1,766 milhão em relação ao ano anterior.

Lula lembrou que nos últimos oito anos o Brasil gerou 14 milhões de empregos formais, enquanto países europeus e os Estados Unidos perderam, apenas em 2009, um montante de 16 milhões de postos de trabalho.

Os setores brasileiros que mostraram maior desempenho foram o de serviços, com a criação de 654 mil novos postos, a administração pública, com 453,8 mil, o comércio, com 368,8 mil, e a construção civil, com 217,7 mil novos empregos.

Cúpula do Mercosul -Também durante seu programa de rádio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a 39ª Cúpula do Mercosul em San Juan (Argentina) foi a reunião mais produtiva dos últimos oito anos, com destaque para o fim da cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) entre os integrantes do bloco.

Segundo Lula, havia uma “distorção” na cobrança do imposto que prejudicava o comércio na região. Ele explicou que quando um produto entrava em um dos países, era preciso pagar a TEC e, quando passava daquele país para outro, uma nova cobrança era feita.

A cúpula também aprovou o financiamento de nove projetos, no valor de US$ 795 milhões, para o desenvolvimento regional e que devem beneficiar, sobretudo, países menores como o Paraguai e o Uruguai.
“Me deu a impressão de que, pela primeira vez, todos nós tivemos consciência da verdadeira importância do fortalecimento do Mercosul”, afirmou Lula.

Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele comentou ainda os encontros bilaterais com a Argentina, a Venezuela e a Colômbia e confirmou uma visita do novo líder colombiano, Juan Manuel Santos, ao Brasil no dia 1º de setembro.

Santos tomou posse no último sábado (7) e prometeu trabalhar de forma intensa nos primeiros dias de governo para reconstruir as relações diplomáticas com a Venezuela. O país rompeu relações com a Colômbia em julho, após acusações da presença de guerrilheiros em território venezuelano.

Por Portal do PT.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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O momento de Lula

A poucos meses de deixar o governo e com uma popularidade que, mostram as pesquisas, beira a unanimidade, Lula concede à ISTOÉ uma entrevista histórica, em que fala de seu legado e de seu papel na política, hoje e amanhã

Por Carlos José Marques, Delmo Moreira, Mário Simas Filho e Octávio Costa

DE BEM COM A VIDA
No gabinete improvisado no Centro Cultural Banco do Brasil,
Lula tem agenda cheia até o último dia de governo

Diz a tradição, ao descrever os últimos dias no poder, que a solidão dos políticos é tanta que até o cafezinho passa a ser servido frio. Definitivamente esse não é o caso de Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos 21 anos, desde que o Brasil se redemocratizou e voltou a eleger diretamente seu presidente, Lula protagonizou todas as eleições. Depois de dois mandatos consecutivos, este ano seu nome não estará na urna eletrônica. Mesmo assim, Lula termina seu governo com a agenda cheia e como o personagem central da própria sucessão..

Até os candidatos da oposição fazem questão de exaltar as realizações de seu legado. Na manhã da quinta-feira 5, um presidente muito bem-humorado recebeu a reportagem de ISTOÉ em seu gabinete improvisado no Centro Cultural Banco do Brasil (o Planalto está em reforma). O café continua na temperatura correta e nada indica que irá esfriar, mesmo depois de passada a eleição. Na entrevista de quase duas horas, o presidente mostrou que tem planos para o Brasil e também para manter a liderança internacional que conseguiu construir nos últimos oito anos.

Quando perguntado sobre seu destino depois de passar adiante a faixa presidencial, Lula inicialmente argumenta com a necessidade de um tempo para reflexão, longe dos holofotes. A “promessa” de um período sabático, no entanto, tem pernas curtas e não resiste à metáfora que Lula usa para explicar o papel de um ex-presidente. “Ele deve ter cuidado para não ser tratado como um vaso chinês. Grande, bonito e que passa a ser um incômodo. Ninguém sabe onde colocá-lo.” Ou seja, o ex-presidente, segundo Lula, deve impor sua presença não pelo que fez no passado, mas, sim, por suas ideias e seus projetos. Em outra metáfora, desta vez relacionada ao futebol, Lula faz uma referência velada à derrota do Brasil na Copa do Mundo. “O que eu jamais faria como técnico é marcar um gol, correr para a retranca e ficar esperando o adversário vir para cima de mim.” A cinco meses do final de seu governo, o presidente está feliz, vai continuar em campo e quer jogar no ataque.

É quase certo que será criada uma fundação, nos moldes americanos, para dar respaldo e consequência às ações do ex-presidente Lula. Ele acredita que a maior parte de sua popularidade está relacionada aos acertos nas políticas sociais de seu governo e quer fazer com que elas sejam “socializadas”. A ideia do presidente é levar as experiências sociais do Brasil para países da América do Sul, do Caribe e da África. “Já tenho muitos convites de países africanos para ir lá e mostrar o que e como fizemos”, revela. Lula ainda não sabe exatamente o que fará nesse sentido, mas admite repetir o formato das caravanas da cidadania, que percorreram o Brasil em suas campanhas ao Planalto. “Pretendo construir uma equipe de companheiros que acumularam oito anos de experiência no governo e 30 anos de experiência na oposição, para a gente colocar as ideias em prática”, diz Lula. Na frente interna, a prioridade absoluta é a reforma política. “Eu sonho com a construção de uma frente ampla no Brasil. Juntar as forças políticas, construir um programa comum e fazer a reforma partidária. Essa é uma condição sine qua non para a gente poder mudar o Brasil em definitivo”, afirma o presidente. “Precisamos qualificar nossos políticos e nossas instituições e isso é uma tarefa que compete aos partidos políticos e não ao presidente.”

Lula reconhece que a promoção de uma reforma política não será uma tarefa fácil, mas promete que ouvirá gente de todos os partidos, numa espécie de seleção brasileira da política. Mas adverte, porém, que uma legenda certamente ficará de fora da frente ampla: “Acho que acabou o tempo da ilusão de que a gente poderia trabalhar com o PSDB. Eu acreditei nisso e muitos petistas também, mas acabou”. Na opinião de Lula, os tucanos escolheram um outro projeto para o País. À direita.

A ONU critica a aproximação de Lula com Ahmadinejad, mas o
brasileiro acredita que pode conseguir o perdão à iraniana Sakineh Ashtiani

A exemplo do desafio político nacional, o presidente Lula também tem um projeto ambicioso para a América do Sul. Conta que já foi convidado para assumir um posto na Internacional Socialista, mas considera que a entidade tem a cara da Europa. ‘Eu seria um estranho no ninho”, diz. Missões especiais ou cargos de relevo na ONU ou no Banco Mundial, como vem sendo cogitado no Brasil e até no Exterior, o presidente Lula descarta com veemência. Essas instituições, a seu ver, devem ser dirigidas por burocratas, e não por estadistas. Seus olhos, portanto, estão voltados para a política latino-americana. Segundo Lula, a cara política da América Latina mudou, mas os partidos continuam os mesmos. Isso vale para a Venezuela, de Chávez, e para a Argentina, dos Kirchner. “Precisamos juntar essa coisa toda e começar a elaborar uma nova doutrina da criação de uma instituição política que uniformize determinados princípios na América Latina.” Mas, por favor, antecipa o presidente, nada de dogmatismo. E muito menos de manifestos marxistas.

Quanto ao papel da ONU na resolução de conflitos internacionais, o presidente Lula entregou os pontos, depois do fogo cerrado que se abateu sobre ele ao tentar uma saída para a crise nuclear do Irã. E, apesar de ser tratado como “o cara” pelo presidente americano, Barack Obama, Lula não esconde a decepção profunda com o líder americano. Segundo ele, “não haverá solução para o Oriente Médio enquanto os americanos acharem que são eles os responsáveis pela construção da paz”.

No Brasil, a popularidade de Lula impulsiona a candidatura de Dilma
e no Exterior o presidente se contrapõe a Obama

A frustração com as grandes potências internacionais não é suficiente, no entanto, para empanar o clima de festa nesses últimos meses de governo. E o principal motivo para isso está nos rumos que vem tomando a sucessão. Durante a entrevista, Lula recebeu das mãos de Gilberto Carvalho, seu fiel chefe de Gabinete, o resultado da última pesquisa CNT/Sensus. “Olha o resultado da pesquisa para vocês: Dilma, 41,6%; Serra, 31,6%; e Marina, 8,5%”, disse um sorridente Lula. O avanço da ex-ministra Dilma Rousseff, escolhida pelo próprio presidente para sucedê-lo, era mais do que esperado por Lula. “Um governo que tem 76% de bom e ótimo nos últimos cinco meses de mandato, um presidente da República que tem 86% de bom e ótimo e se colocar o regular vai a 98% em alguns Estados é um governo com forte possibilidade de fazer a sucessão”, observa.

Apesar da confiança absoluta na vitória de Dilma, o presidente é complacente com seus adversários. “Essa é uma eleição engraçada. Três candidatos da oposição foram do meu partido. E tem o Serra, que é uma pessoa com quem tenho uma relação de respeito antiga. Ou seja, não tenho nenhum inimigo”, constata, com generosidade. No mesmo tom, Lula convive muito bem com o fato de ter se tornado o objeto de desejo da grande maioria dos candidatos na atual campanha. “Eu fico feliz em saber que ninguém quer fazer campanha falando mal de mim. É uma coisa agradável”, afirma, mas ressalva que tem “um lado, um partido e um candidato”. É inegável que o desempenho eleitoral da ex-ministra está umbilicalmente ligado à popularidade do presidente e, a cinco meses de se despedir de Brasília, a agenda de Lula continua abarrotada de compromissos. Na semana passada, por exemplo, o presidente empenhou-se em convencer o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a conceder o perdão à iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento. “Quero trabalhar até o dia 31 de dezembro. Terei agenda até o dia que entregar a faixa para quem for eleito presidente da República”, diz Lula.

Mas algo deixou de ser feito, há algum arrependimento, presidente? Sim, responde Lula, faltou aprovar a reforma tributária, apesar de todos os projetos enviados ao Congresso Nacional. Por quê? Para explicar, o presidente recorre a Jânio Quadros, que renunciou em 1961 e atribuiu o gesto às “forças ocultas”. “Tem um desgraçado de um inimigo oculto que está trancado em algum armário e não permite que se vote a reforma tributária”, explicou o presidente Lula. Como se vê, no ambiente de festa do CCBB, até mesmo as dificuldades são recebidas com bom humor. Ou então são atribuídas a seres fictícios. Lula, hoje, não tem inimigos.

CONFIRA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA NO SÍTIO DA REVISTA ISTOÉ.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.istoe.com.br.

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