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TVT entra no ar com promessa de dar voz aos trabalhadores

Na estreia, Lula afirma que emissora é mais um passo na conquista da democracia; Valter Sanches, que comanda o projeto, promete participação dos espectadores e registro do mundo do trabalho

São Bernardo do Campo – Entrou no ar às 18h59 desta segunda-feira (23), um minuto antes do programado, a TVT (TV dos Trabalhadores).

A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e do presidente da CUT, Artur Henrique, entre outros.

A emissora, que a princípio terá uma hora e meia de programação inédita de segunda a sexta-feira, dedicando os demais horários a reprises e ao conteúdo da TV Brasil, é uma antiga reivindicação dos metalúrgicos do ABC

A história da TVT, contada na edição 50 da Revista do Brasil, é marcada por sucessivas negativas aos pedidos de concessão de uma frequência.

Em 2009, por fim, os trabalhadores conseguiram ter o pedido atendido. O resultado é a emissora que, como enfatizaram todos os presentes, terá uma programação voltada aos interesses da sociedade.

“Queremos um projeto de comunicação que não seja simplesmente alternativo, mas retrate uma realidade que não está na TV convencional. O mundo do trabalho sequer é retratado na TV”, destacou Valter Sanches, diretor de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e presidente da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, que dirige o projeto.

Ele enfatizou que a página da emissora na internet terá espaços abertos para a participação dos espectadores, uma tentativa de abrir um canal de diálogo com a sociedade.

A mensagem foi reforçada por vídeos institucionais nos quais, em gravações antigas ou recentes, os metalúrgicos pediam uma televisão que retratasse “a visão do trabalhador, e não a do patrão”.

Na mesma mão foi o ministro Franklin Martins, que entende que é fundamental que a TV seja inaugurada em um momento em que a comunicação faz uma transição para uma nova era, na qual deixa de existir uma massa passiva que consome o jornalismo para haver a criação de um público que também é capaz de produzir informação. “Tenho extremo otimismo pelas possibilidades do que se pode fazer.”

O presidente Lula também demonstrou entusiasmo. Doador da primeira câmera da TVT, ainda no tempo da ditadura, ele destacou que a inauguração dá um novo vigor à liberdade de imprensa e que o respeito às diferentes vozes é um dos conceitos da democracia plena. “A estreia da TVT é um dos episódios importantes e simbólicos da história recente da República.”

Desafios

Os discursos da noite lembraram a longa trajetória da televisão, iniciada na reunião com o então ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, em 1987. Como todos reforçaram, o trecho da Constituição de 1988 que prevê pluralidade nas concessões de televisões, com representações dos diferentes grupos da sociedade, caiu em esquecimento.

Tereza Cruvinel, diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil, ponderou que a televisão aproxima-se de seu sexagésimo aniversário de chegada ao país sem de fato contemplar todas as posições. “É um bem público que serviu apenas à exploração da TV comercial, que deixa de fora de sua grade uma série de conteúdos, uma série de vozes que não se expressam.”

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tributou a Lula a conquista dos trabalhadores. “Não se preocupem com a TVT. Não queremos tirar o lugar de absolutamente ninguém. O que queremos é o direito de dar voz a quem constroi este país e muitas vezes não tem voz”, afirmou, sob aplausos.

Para o presidente, apesar da longa trajetória de luta, o que ocorreu nesta segunda-feira foi a parte mais fácil: o difícil será convencer as pessoas de que vale a pena ver a TVT, transformando-a em sinônimo de qualidade.

“Agora temos que provar que valeu a pena lutar 23 anos para ter uma TV (…) Queremos ter conteúdo, queremos ter qualidade e queremos informar o povo com mais isenção do que até agora está sendo informado”, destacou Lula.

Com orçamento inicial de R$ 15 milhões para os primeiros três anos, a TVT terá programas inéditos, incluindo um telejornal, de segunda a sexta entre 19h e 20h30. As emissoras próprias em São Paulo (UHF 48) e no Rio de Janeiro (UHF 26) garantirão cobertura às duas regiões metropolitanas.

Além disso, parcerias foram firmadas com canais comunitários para transmissões em TV aberta e a cabo. A sintonia de cada região e a programação podem ser conferidas pelo site da TVT (http://www.tvt.org.br/).

Por: João Peres, Rede Brasil Atual. Publicado em 23/08/2010, 23:15. Última atualização em 24/08/2010, 11:44

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O fim da era de aquário do jornalismo

São Bernardo do Campo – Na cerimônia que marcou a transmissão do primeiro sinal da TV dos Trabalhadores, na noite da segunda-feira (23), o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins, citou a TVT como exemplo de novos tempos para o jornalismo, tanto para quem produz como para quem recebe a informação.

Ele usou a expressão “jornalismo de aquário” para falar da estrutura de poder predominante nas redações – manda quem está no “aquário”, ou seja, a sala normalmente usada pela direção de redação.

O termo é usado porque normalmente os diretores ficavam, ou ainda ficam, em salas envidraçadas, separadas dos repórteres. Para o veterano jornalista, esse tipo de situação tende a mudar. “Vejo o momento do jornalismo com extremo otimismo. Não pelo que se faz, mas pelo que se pode fazer”, afirmou o ministro.

Ainda hoje, acrescentou Franklin, o mais comum é existir “um núcleo ativo de produção da informação e uma massa passiva de consumidores”.

Mas isso aos poucos vai se transformando, observou, à medida que o receptor participa mais do processo de produção, seja por meio de sugestões, críticas ou outros tipos de manifestação. “Não temos mais centro ativo e uma massa passiva. Isso é uma revolução, isso é muito bom. É bom para nós, jornalistas, mas principalmente para a população.”

Segundo o ministro, isso vale também para a TVT e seus responsáveis. “Os dirigentes sindicais também não podem achar que sabem de tudo. É preciso se abrir para o novo”, defendeu. “A TVT é um típico exemplo de comunicação pública.”

Ele citou as greves dos metalúrgicos no final dos anos 70 como exemplo da importância da conquista de uma emissora, concretizada ontem. “Muitas vezes, nas assembleias, eles não tinham sequer um grande aparelho de som. Os discursos eram repassados pelos próprios trabalhadores, em ´ondas´ de voz. Agora, eles têm uma TV. É uma tremenda conquista, mas que também mostra como as conquistas são lentas no Brasil.”

O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (ex-presidente do sindicato e da CUT e ex-ministro do atual governo), disse que a entrada da TVT no ar não deve ser motivo de preocupação para ninguém, referindo-se principalmente à mídia atualmente dominante.

“O que queremos é o direito de dar voz a quem constroi este país”, afirmou, acrescentando que muitas vezes os movimentos sociais foram “massacrados pelo poder econômico por trás dos meios de comunicação”.

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Tereza Cruvinel, como outros, citou o artigo 223 da Constituição, que estabelece ser responsabilidade do Poder Executivo outorgar e renovar concessões, “observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”.

Mas desde o início das transmissões de televisão no Brasil, há quase 60 anos, que serão completados em 18 de setembro, praticamente apenas o modelo privado funcionou. “Nesses 60 anos, a televisão foi basicamente um negócio, teve natureza comercial. Uma série de vozes não se expressa na televisão. Foi no governo Lula que a comunicação pública foi resgatada”, afirmou.

Durante o ato de lançamento da TVT, a presidente da EBC e o presidente da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, Valter Sanches, assinaram acordo de parceria. Os períodos em que não houver programação própria da TVT serão complementados com conteúdo da TV Brasil.

“Não queremos uma TV dos metalúrgicos, uma TV sindicalista”, lembrou Sanches, afirmando que a preocupação é “refletir a realidade dos movimentos sociais, das pessoas comuns”. “Queremos convidar todo mundo a construir essa TV conosco”, acrescentou, citando o site www.tvt.org.br.

No momento de pôr a TV no ar, foram chamados o presidente Lula, o prefeito Luiz Marinho, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, Sanches e a menina Nicole de Souza Soares, atendida pelo projeto do Centro Cultural Afro-Brasileiro Francisco Solano Trindade, voltado para crianças e adolescentes em situação de rua. “A Nicole representa, para nós, o futuro da televisão”, disse Sanches.

Lula, por sua vez, ganhou uma camiseta da TVT. Ao lembrar que o seu mandato termina à meia-noite de 31 de dezembro, ele prometeu se tornar um telespectador assíduo e ativo da nova emissora. “Estou pronto para assistir, fazer críticas e dar palpites.”

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual. Publicado em 23/08/2010, 23:20. Última atualização em 24/08/2010, 09:26

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No ar, o Brasil

ABC conquista a primeira concessão de canal aberto para uma entidade de trabalhadores. O novo veículo pretende multiplicar a voz de movimentos e redes sociais e inovar a produção de TV no país

Foram necessários 22 anos, dez meses, 15 dias, cinco governos e quatro “nãos” para que os trabalhadores conquistassem a sua primeira emissora de televisão, superando o ainda pantanoso terreno das concessões públicas. A espera acabou. Neste 13 de agosto entra no ar a TVT (TV dos Trabalhadores), com programação voltada para prestação de serviços, cidadania e educação e um pé na internet. Uma experiência inédita que pode escrever um novo capítulo na história dos meios de comunicação no Brasil, 60 anos após o início das transmissões de TV no país. Em julho, os corredores da emissora, em um prédio no centro de São Bernardo do Campo, já mostravam a movimentação típica de uma redação.

Dezenas de pessoas – há quase 100 envolvidas no projeto – preparavam os primeiros programas, discutiam pautas, selecionavam imagens, indo para lá e para cá entre os dois estúdios e as quatro ilhas de edição. “Temos percebido uma emoção muito grande. Enfim, estamos no jogo”, afirma a diretora de Jornalismo, Nelma Salomão.

Essa história começa em 29 de setembro de 1987, por iniciativa do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, quando uma comissão foi recebida pelo então ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, falecido em 2007. Era o governo Sarney, um recordista de concessões – após a Constituinte de 1988, o Executivo perdeu a prerrogativa de ser o único a decidir. A partir daí, o Congresso também teria de aprovar. Tornou-se, por sinal, tema predominante no Parlamento: em 2009, a maior parcela de propostas aprovadas pelo Senado, 901 de 2.364, foi referente a autorizações ou permissões para funcionamento de rádio e televisão. Em 21 de julho último, decreto assinado pelo presidente Lula criou uma comissão interministerial para “elaborar estudos e apresentar propostas de revisão do marco regulatório de organização e exploração dos serviços de telecomunicações e radiodifusão”.

Integravam aquela missão de 1987 o deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente da República; os presidentes da CUT, Jair Meneguelli, hoje à frente do Serviço Social da Indústria (Sesi), e do sindicato, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, atual deputado federal; e o secretário-geral da entidade, Mário dos Santos Barbosa. Eles pediam a concessão ao todo-poderoso dono da caneta capaz de determinar a abertura e o fechamento de canais de rádio e de televisão.

O ministro pediu um estudo técnico, que posteriormente seria aprovado – mas por um prefeito da região – para ganhar sua emissora educativa. Desde então, foram quatro tentativas e quatro negativas, sem critérios técnicos convincentes. Para eles, a motivação para que a concessão não saísse sempre foi política, já que os requisitos exigidos estavam todos lá.

Um ano antes, os metalúrgicos já haviam criado a TVT (TV dos Trabalhadores), com a preocupação de documentar e preservar a memória da categoria. Hoje dona de um grande acervo, a produtora começou a preparar uma série de programas, além de cobrir os mais diversos tipos de eventos. Um dos mais lembrados é o programa Olhar Brasileiro, exibido na Record em 1993.

O ex-operador de máquina da Mercedes-Benz­ Josimar Alves Bezerra, que se tornaria o cinegrafista Banana, lembra das filmagens iniciais, feitas a pedido de Barbosa, da greve conhecida como Vaca Brava, em 1985, pela redução da jornada. Há 20 anos na TVT, Banana cuida do acervo, que conhece como poucos. É o funcionário mais antigo da produtora, ao lado do coordenador, o ex-ferramenteiro Elizeu Marques da Silva.

Sonho

Em 1991, foi criada a Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, dirigida por um conselho de 40 integrantes, representando diversas categorias profissionais, como os próprios metalúrgicos, químicos, bancários entre outros. O atual presidente da Fundação, Valter Sanches, diretor de Comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, considera que ele e toda a equipe em torno da emissora são “realizadores de sonhos”, concretizando uma antiga reivindicação, aprovada em congresso da categoria. Em 13 de abril de 2005, saiu a concessão para o canal 46, de Mogi das Cruzes, na região da Grande São Paulo. A outorga veio em 19 de outubro do ano passado.

Inicialmente, a emissora produzirá sete programas, com uma hora e meia diária no total (leia box). A grade será completada, neste primeiro momento, com retransmissões da TV Brasil e especiais da TV Câmara.­ “Toda a programação está voltada para os movimentos sociais, para a vida do trabalhador”, diz Sanches.

“O projeto de comunicação prevê que o principal meio é a internet”, conta o diretor de programação da TVT, Antonio Jordão Pacheco, lembrando que a emissora já é conhecida como uma máquina de escuta. “A formação de redes sociais é fundamental para que o projeto cresça.” Movimentos sociais terão oito câmeras e poderão colaborar nas reportagens, assim como comissões de fábrica (representantes de trabalhadores em seus locais de trabalho) na base dos metalúrgicos. Também haverá espaço para receber mensagens e sugestões via Twitter, Facebook, blog e Orkut. “Vamos ter reuniões de pauta ao vivo pela internet”, acrescenta Nelma Salomão.

A transmissão será feita pelo canal UHF 46, de Mogi das Cruzes, e pela NGT, que tem emissoras próprias em São Paulo (48 UHF) e Rio (26 UHF), cobrindo as duas regiões metropolitanas, além de uma rede de emissoras afiliadas, que cobrem hoje por volta de um quarto do território nacional. O projeto inclui transmissões via cabo por meio de canais comunitários, por meio de parceria com associação estadual do setor, em São Paulo. Com isso, os coordenadores afirmam que a programação da TVT poderá ser vista praticamente em todas as regiões do país.

Para garantir a viabilidade do projeto, houve um aporte de R$ 15 milhões, que os metalúrgicos calculam ser suficiente para manter a emissora durante três anos. Enquanto isso, a fundação e o sindicato buscarão outras fontes de sustentação, como apoios culturais. O projeto de comunicação pode crescer ainda mais. Há duas concessões de rádio, em São Vicente (2007) e Mogi (2009). O sindicato ainda estuda um meio de fazer com que o sinal chegue até São Paulo para concretizar uma integração com a Jornal Brasil Atual, dentro da rede da qual fazem parte o portal de mesmo nome e a Revista do Brasil.

O objetivo é ser plural, lembra Sanches. “Por quatro vezes fomos preteridos”, afirma, lembrando dos pedidos de concessão feitos aos governos de plantão. “Agora, somos o único caso de entidade organizada que tem uma emissora. Mas não queremos permanecer como os únicos mantenedores. A ideia é que os movimentos sociais façam parceria conosco ou tenham sua própria emissora”, acrescenta. Para ele, o projeto significa o início do rompimento de um preconceito contra o trabalhador. “O mundo do trabalho não é retratado.”

Previsíveis, as primeiras críticas surgiram muito tempo antes de a emissora entrar no ar. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Nobre, responde com outra pergunta: “Por que todos podem ter um canal de televisão, menos o trabalhador?” Ele cita os movimentos iniciados em 1978, com as greves na região do ABC que fizeram história no país. “Era basicamente por democracia, na política e no interior da fábrica. Democracia é todo mundo poder falar”, resume. “Espero que a nossa TV seja uma porta de entrada para que o mundo do trabalho esteja presente nas comunicações. É um marco histórico”, diz Nobre, acrescentando que agora começa um segundo desafio: dar sustentação à emissora, que não é só dos metalúrgicos. “Precisamos ter muito apoio para realizar o nosso sonho. Queremos dialogar com os movimentos sociais.”

Privilégio ou conquista?

Responsável pelo site Observatório da Imprensa, o veterano jornalista Alberto Dines não vê diferença entre “oferecer uma TV educativa a um sindicato ou ao dono de um curral eleitoral no interior”. Para ele, ambos os casos configuram privilégios. “É um caso inédito, disso não há dúvidas. Mas apesar do concessionário ser um sindicato de trabalhadores, o ato não se diferencia das centenas de licenças para emissoras de rádio e TV outorgadas ou renovadas periodicamente em benefício de deputados, senadores ou de seus laranjas e apaniguados”, afirmou, em artigo publicado no ano passado no Observatório. Para Dines, o sistema continua “equivocado e irregular”, à medida que ignora o pluralismo e, principalmente, a necessidade de estabelecer uma nova política de regulação das concessões.

Já o professor e jornalista Gabriel Priolli considera a TVT “um surpreendente avanço, considerando o histórico do Ministério das Comunicações”. Para ele, a nova emissora representa uma conquista democrática. “É um tabu que se supera. A facilidade com que instituições como igrejas conseguem concessões de canais é inversamente proporcional à das entidades sociais.”

Ele chama a atenção para o fato de a TVT surgir em um momento de desenvolvimento da tecnologia, o que facilita o aprimoramento de vários canais. “A tendência universal da televisão é de segmentação, atendendo a demandas específicas. Já temos hoje canais universitários, do Legislativo, do Judiciário. Demos um passo consistente em relação à democratização dos meios de comunicação. Espero que o novo canal contribua para o debate sobre a questão trabalhista no Brasil”, diz Priolli.

Ao mesmo tempo, ele cobra avanços na regulamentação do setor. O sistema, diz ele, segue caminhando de forma lenta e irregular. As outorgas, por exemplo, teriam de passar pelo Conselho de Comunicação Social, “que não se reúne há três anos, por falta de interesse dos políticos que controlam o Congresso e são na sua maioria radiodifusores ou ligados à radiodifusão”.

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) representou um avanço, avalia Priolli, mas “precisa resultar em projetos de lei e políticas públicas”. Ele aguarda também pelos resultados da comissão interministerial criada em julho por Lula. “Estamos vendo, há muitos anos, inúmeras tentativas de revisão do marco regulatório. Espero que desta vez o governo resista e leve isso adiante, porque a cada dia a legislação fica mais obsoleta.”

Programação inicial

* Seu Jornal – segunda a sexta, 19h

De segunda a sexta-feira, às 19h, com 30 minutos de duração

* Memória e Contexto – segundas, 19h30Tem como diferencial o riquíssimo acervo da TVT, com mais de 6 mil fitas

* Clique Ligue – terças, 19h30

A diretora de Jornalismo da Rede TVT diz que o programa mostrará experiências das redes sociais e de inclusão digital no Brasil. Durante todo o tempo, a participação do público será incentivada

* Boa Gente – terças, 19h30

Também quinzenal, o programa contará a história de vida da pessoa convidada, que dará a sua opinião sobre os assuntos mais atuais

* Bom para Todos – quartas, 19h30

Programa de serviços, com temas como direito do consumidor, saúde, Previdência, impostos. “A ideia é estar sempre dialogando com a rua”, diz Sanches. Internautas também poderão participar fazendo perguntas

* Melhor e Mais Justo – quintas, 19h30

Um espaço de debate sobre diversos temas com uma hora de duração. O objetivo é não limitar o debate aos especialistas. “Vamos quebrar aquela forma engessada, tornando o assunto mais acessível”, diz Pacheco

* ABCD Maior em Revista – sextas, 19h30

Um programa semanal que mostrará personagens da região

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual. Publicado em 19/08/2010.

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