Os trabalhadores bancários no Banco do Brasil tiveram em 2010 uma grata recompensa pela grande adesão à greve, apesar de todos os entraves em questões que o banco deixou pendentes desde 2009, como a efetiva implantação do plano odontológico, por exemplo.
A Convenção Coletiva de Trabalho com o banco e os aditivos melhoraram as regras de remuneração e de comissionamento e também houve a ampliação do número de ciclos negativos necessários para um processo de descomissionamento.
A partir de março de 2011, os funcionários comissionados terão um novo Plano de Carreira e Remuneração (PCR), que irá incorporar verbas de comissionados ao salário em 25 níveis. Com isso, mesmo com o descomissionamento, parte dessas verbas não serão perdidas pelo trabalhador. “O PCR é uma nova conquista que está sendo construída e atende uma reivindicação antiga dos comissionados. A principal vantagem é que os valores serão incorporados aos salários”, explica Luís Marcelo Legnani, membro suplente da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil e presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e região.
O dirigente explica que o salário dos comissionados é pago com base num valor de referência. O bancário comissionado recebe seu salário fixo e a comissão do cargo. Caso não atinja o valor de referência, o banco complementa até atingir a referência, mas essa verba é provisória, não é incorporada, e é perdida em casos de descomissionamento. “Com o PCR, o bancário vai continuar recebendo o mesmo valor em alguns casos, mas o que eu vejo como vantagem é o aumento no salário, a incorporação de valores que antes eram complementados pelo banco e retirados do trabalhador no caso da perda da função”, analisa Legnani.
Nesse contexto, Gilberto Antonio Reck, secretário de Bancos Públicos da FETEC-CUT-PR, explica que o PCR conquistado atende em parte à antiga demanda de um novo Plano de Cargos, Comissões e Salários (PCCS) e define a evolução dos salários através do mérito. “Somado ao PCS, contempla em parte os anseios dos bancários do BB. Mas a evolução da carreira através da atividade e do mérito precisa ser aperfeiçoada”, defende. O dirigente avalia que o debate sobre as definições de critérios deverá ocorrer no processo de negociação permanente com o banco.
O Plano de Carreira e Remuneração (PCR), para comissionados, estipula reajuste em 25 níveis, que são aplicados a cada 1.095 pontos ou a cada três anos. A cada nível de comissionamento é incorporado o valor de R$ 88,32. A contagem de pontos do PCR será retroativa a janeiro de 2006 e o pagamento deverá ser retroativo a setembro de 2010, já que a implantação do PCR está prevista para março de 2011.
Para os trabalhadores que não são comissionados e que são contemplados pelo PCS (Plano de Cargos e Salários), esta campanha salarial negociou a aplicação de reajuste de 7,5% sobre todas as verbas e benefícios e sem o teto para salários até R$ 5.250 estipulado no acordo com a Fenaban para bancos privados. “Esse reajuste vai ter reflexos no PCS para quem não tem o complemento variável de função”, registra Luis Marcelo Legnani.
Ana Smolka, titular da comissão de empregados do BB e representante paranaense nas negociações com o banco, acredita que a proposta atendeu a reivindicação dos funcionários por mais respeito. Os pisos foram reajustados em 13%, sendo 8,35% de aumento real e chegaram ao valor de R$ 1.600.
A dirigente explicou as novas regras para o descomissionamento. A partir de agora são necessárias três avaliações negativas para que o funcionário seja descomissionado. Anteriormente com uma avaliação negativa por desempenho já era passível de perda de cargo comissionado, que é avaliado pelo gestor responsável pelas comissões.
De acordo com Ana Smolka, ainda estão pendentes as discussões sobre o PCS com jornada de seis horas e indenizações referentes a 7ª e 8ª horas.
Participação nos lucros
O modelo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) considerado um dos melhores dos trabalhadores bancários e que será aplicado de acordo com o acordo coletivo assinado irá contemplar 17 mil novos funcionários. Haverá distribuição linear de 4% do lucro liquido do semestre, mais a aplicação da regra no acordo específico com o Banco do Brasil e o bônus aos comissionados.
A primeira parcela de PLR, referente ao primeiro semestre de 2010, será paga nesta quinta-feira, dia 21 de outubro. O valor varia de 1,47 salário a 3,0 salários, de acordo com o comissionamento. Está garantido o valor mínimo de R$ 3.118,08 para a PLR de todos os trabalhadores bancários no BB, mesmo àqueles que pela regra receberiam valor inferior.
Confira os parâmetros de pagamento da PLR no BB:
– NRF Especial – 3,0 salários
– NRF 01 e 02 – 3,0 salários
– NRF 3 – 2,3 salários
– Primeiros Gestores Rede – 1,85 salários
– Primeiros Gestores Demais – 1,85 salários
– Demais Gestores Rede – 1,57 salários
– Demais Gestores BB – 1,57 salários
– Analistas e Assessores NRF 04 – 1,57 salários
– Gerência Média Rede – 1,55 salários
– Demais Gerências Médias – 1,55 salários
– Analistas e Assessores NRF 05 e 06 – 1,50 salários
– Demais Comissionados – 1,47 salários
– Escriturários – R$ 3.118,08
– Caixas Executivos – R$ 3.434,99
Por Paula Padilha, jornalista. MATÉRIA CORRIGIDA PARA ALTERAR A DATA DE RECEBIMENTO DA PLR.
FETEC-CUT-PR
================================
PLR no Banco do Brasil está confirmada para hoje (21)
Após muita insistência do movimento sindical, a direção do Banco do Brasil confirmou que fará o crédito da PLR nesta quinta-feira, 21 de outubro. A princípio, a direção da empresa informou que o crédito ocorreria na quarta, dia 20. Mas alegando problemas operacionais, não fez o pagamento, que só ocorreria na sexta, dia 22. O acordo aditivo foi assinado na segunda-feira, permanecendo a regra da distribuição linear de 4% do lucro líquido semestral mais o módulo Fenaban, acrescido do módulo bônus, no caso dos comissionados.
Específico – O acordo coletivo específico do BB, que garante o pagamento do reajuste linear de 7,5% nos salários e verbas, o reajuste de 13% no piso (passando de R$ 1.416 para R$ 1.600), entre outros avanços como o plano de carreira, será assinado nos próximos dias.
*Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Por: Renata Ortega.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br.