Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual
A oposição ao governo federal, incluindo a velha mídia, tem se focado na retórica “udenista”, aquela prática de fazer campanhas apenas denuncistas, para encobrir a falta de propostas populares capazes de sensibilizar o eleitor.
O problema é que este discurso tem encontrado eco apenas em um nicho do eleitorado, conservador, que já é eleitor da oposição, e que em sua grande maioria se informa pelos veículos desta chamada grande mídia.
Porém, os mais jovens, principalmente, cada vez mais preferem se informar na internet, onde noticiosos e blogues proporcionam maior pluralidade de opiniões.
Peguemos o caso do julgamento do chamado núcleo político no “mensalão”. Os mais conservadores se saciam com as condenações políticas. Mas como os jovens, no auge de seu idealismo, estarão vendo pessoas que tiveram suas vidas vasculhadas, inclusive bancária e fiscal, serem condenadas apenas por sua atividade política, sem terem desviado nenhum centavo para si?
Haverá muitos que enxergarão hoje situação semelhante aos presos políticos da época da ditadura. Alguns até transigiram as leis arbitrárias da época, mas por ideais libertários. Outros eram presos apenas por estarem em um grupo de pessoas num lugar público.
Da mesma forma, hoje, infringiram as leis quem fez caixa dois, mas há aqueles que não o fizeram para enriquecimento pessoal. Outros foram condenados apenas por ‘participarem de reuniões’, sem que infringissem nenhuma lei.
Um ministro do STF, mais exaltado ao ler sua sentença, chegou a chamar de “subversivos” as pessoas a quem estava condenando no chamado “mensalão”. Um ato falho talvez, pois a palavra “subversivo” era muito usada 40 anos atrás pelos repressores da ditadura, para desqualificar qualquer um que protestasse.
É cedo para conclusões – e o próprio julgamento está longe de encerrar as contestações que virão –, mas há um efeito colateral inverso ao que a velha mídia quis produzir.
Num mundo onde o noticiário político é propositalmente despolitizado e procura reduzir o cidadão a consumidor ávido por ganhar dinheiro, muitos jovens terão mais curiosidade em saber os motivos que levam alguém à condenação sem desviar um único centavo para sua conta, em vez de ouvir os sermões dos colunistas de jornais e TVs. Paradoxalmente, a oposição envelheceu e, para muita gente, o PT pode ter rejuvenescido, mesmo na adversidade.
Artigo colhido no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/blog/helena/o-precoce-envelhecimento-da-oposicao
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Comissão da Verdade quer transformar locais de tortura em centros de memória
Akemi Nitahara
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Um debate hoje (7) em Petrópolis aprofundou as discussões sobre o tombamento da chamada Casa da Morte, no Quarteirão Suíço, imóvel que foi usado como centro de tortura durante a ditadura militar.
A integrante do Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça, uma das entidades que organizaram o debate, Ana Miranda, disse que a ideia é transformar o local em um centro de memória onde se discuta a vida, e não a morte.
“O objetivo é discutir a importância dos lugares de memória hoje no Brasil, em especial o caso da Casa da Morte, tentar alavancar essa discussão e acelerar a implantação do centro. Também fazer com que as investigações sobre a Casa da Morte sejam feitas o mais rápido possível”.
Antes do debate, as organizações da sociedade civil promoveram um ato em frente ao imóvel, para lembrar os 165 mortos e desaparecidos no estado do Rio de Janeiro.
A advogada Rosa Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade (CNV), participou do debate e disse que um dos projetos da CNV, instalada em maio deste ano, é justamente transformar esses locais, onde foram cometidas atrocidades, em centros de preservação da memória, a exemplo do que ocorre em outros países.
“Essa política pública de preservação de espaços é um negócio que a gente tem visto não só na América Latina, na Europa, também em Israel. Há um movimento forte nesse sentido, aqui, no Cone Sul, mas próximo da gente, na Argentina, no Chile.”
De acordo com ela, para transformar os locais em centros de memória, primeiro é necessário que seja editado um decreto para transformar o lugar em espaço de utilidade pública. Depois, ele deve ser tombado e desapropriado para, então, ser feito o projeto de preservação com o levantamento da história do imóvel. No caso da Casa da Morte, a prefeitura de Petrópolis publicou em agosto o decreto. Rosa cita o modelo que funciona em São Paulo desde 2008.
“Lá em São Paulo foi criado o Museu da Resistência, no espaço onde funcionava o Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Lá tem uma série de projetos políticos, culturais. Um levantamento foi feito sobre tudo que ocorreu naquele lugar”, disse.
A advogada informou que a CNV pediu a mudança de destinação do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio e de São Paulo, do Dops do Rio, que hoje abriga o Museu da Polícia Civil, do Dops de Minas Gerais e do chamado Dopinha de Porto Alegre.
Edição: Aécio Amado
Notícia colhida no sítio http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-12-07/comissao-da-verdade-quer-transformar-locais-de-tortura-em-centros-de-memoria