Por Filipe Pacheco | De São Paulo
Grandes bancos brasileiros utilizaram com mais intensidade neste ano as colocações privadas de dívida no exterior como instrumento para levantar recursos a custos menores. Por meio dessas operações, que são vendas de títulos feitas diretamente a investidores internacionais, Bradesco e Banco do Brasil levantaram US$ 14,5 bilhões. Os maiores compradores desses papéis são grandes investidores institucionais, como fundos de pensão e soberanos, seguradoras, fundos de investimento e famílias muito ricas.
Conhecidas como “private placements”, essas colocações figuram como uma estratégia complementar às ofertas públicas de bônus, comuns para bancos como BB, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander Brasil. Juntas, essas instituições levantaram pouco mais de US$ 14 bilhões com ofertas de bônus neste ano.
Embora não seja conhecido o número consolidado das colocações privadas dessas mesmas instituições, somente as amostras de Bradesco e Banco do Brasil sinalizam que o total foi bastante elevado. Santander e BTG não revelam o valor de suas colocações, mas confirmam que houve grande demanda por essas operações.
Essas colocações também ajudaram os bancos a se aproximar do mercado asiático, como parte de suas estratégias de internacionalização. Alguns começaram a emitir títulos denominados em yuan, a moeda chinesa. São os casos de Bradesco e BTG, que captaram US$ 48 milhões e US$ 17 milhões, respectivamente. Já o Banco do Brasil levantou US$ 170 milhões com colocações privadas feitas a partir de julho, também em yuan.
Segundo Rodrigo Cabernite, diretor de mercado de capitais do banco Standard Chartered – que tem forte presença na Ásia -, os bancos brasileiros costumavam fazer colocações principalmente entre investidores americanos e europeus e só se voltaram recentemente aos asiáticos. “É um mercado com muito potencial e que antes praticamente não existia”.
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Bancos captam bilhões no exterior com emissão privada de dívida
Para grandes bancos brasileiros, o ano que acaba foi aquecido não só para emissões de bônus em moeda estrangeira mas também para colocações privadas de dívida no exterior. Tais operações, que consistem na venda de títulos de prazos mais curtos que aqueles das grandes emissões públicas e são combinadas diretamente com investidores lá fora, totalizaram cifras bilionárias para instituições como Bradesco e Banco do Brasil. Só esses dois bancos captaram cerca de US$ 14,5 bilhões em 2012 junto a grandes investidores institucionais, como fundos de pensão e soberanos, seguradoras, fundos de investimento, tesourarias e famílias muito ricas.
Conhecidas como “private placements” no mercado, as colocações figuram como uma estratégia complementar às ofertas públicas de bônus, que já são comuns para bancos como BB, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Santander Brasil. Juntos, esses bancos levantaram pouco mais de US$ 14 bilhões nas ofertas de bônus neste ano. Embora não se tenha um número consolidado das colocações privadas das mesmas instituições, apenas a amostra de Bradesco e BB sinaliza que esse universo foi bem mais volumoso.
Santander e BTG Pactual não revelam valores de suas colocações privadas, mas também reconhecem que houve forte apetite por papéis desse tipo. O Itaú não forneceu informações sobre suas operações com o instrumento.
As colocações são feitas, em grande parte, por meio de títulos conhecidos no mercado como CDs (“certificates of deposit”), que geralmente têm prazo de vencimento entre seis meses e um ano; ou com a venda de MTNs (“medium term notes”), cuja maturação é, majoritariamente, de até cinco anos. O dinheiro é usado principalmente para conceder financiamento em moeda estrangeira a clientes.
“Essa era uma forma de funding que antes praticamente não era considerada por bancos brasileiros”, disse Rodrigo Cabernite, diretor de mercado de capitais do banco de capital inglês Standard Chartered, que acompanha esse mercado de perto. Segundo ele, com a crise econômica na Europa e o fechamento desse segmento para bancos daquela região, formou-se um bolsão de liquidez que passou a ser conquistado pelas instituições brasileiras.
No Bradesco, as colocações somaram perto de US$ 10 bilhões em 2012, valor que pode passar de US$ 11 bilhões até o fim do mês. “Para nós, a grande vantagem é ter uma alternativa adicional de funding em moeda estrangeira”, explica Marlene Millan, diretora do departamento de câmbio e responsável pelo financiamento em moeda estrangeira do banco.
Segundo a executiva, o banco começou a fazer emissões desse tipo em meados de 2011, e agora as realiza com frequência praticamente diária, sempre que considera interessante o volume, o prazo e o preço acordados com o investidor. “No ano passado, reconhecemos demandas específicas e concentradas. Mas em 2012 [o número de operações] foi muito maior, fizemos centenas”, disse João Carlos Zani, diretor da unidade de corretagem do Bradesco em Londres e responsável pela distribuição de renda fixa do banco no exterior. “Procuraremos manter esse ‘funding’ no futuro.”
O Banco do Brasil tinha, no fim de setembro, cerca de US$ 4,5 bilhões em títulos emitidos com vencimento em menos de 360 dias e decorrentes de colocações privadas. Tais emissões passaram a ser mais comuns para o banco a partir de 2009, por meio de um programa de notas de curto prazo aberto nos Estados Unidos, chamado de “Yankee CD”. No ano seguinte, o banco abriu outro programa também de títulos curtos, só que em Londres – ao registrá-los em diferentes localidades, o banco atinge mais investidores.
“Com emissões mais curtas, você tem uma diversidade de funding. Hoje, a maior parte das nossas alocações é feita com unidades de private banking e tesouraria de bancos, mas também há alguns fundos interessados”, disse Daniel Alves Maria, gerente-executivo de finanças do BB. Segundo ele, fundos americanos de “money market”, que investem em renda fixa de curto prazo, geralmente buscam alternativas com prazos menores em suas estratégias. Tais fundos consideram, na maioria das vezes, apenas emissores com classificação de risco de pelo menos “A”, mas têm aberto exceções a entidades em degrau um pouco abaixo disso, como é o caso do BB, e com bom perfil de dívida.
O mercado secundário de títulos curtos é consideravelmente menos líquido que o de bônus emitidos em dólar por meio de ofertas públicas e com prazos mais longos, afirmou Alves Maria. Por isso, o banco considera importante se manter ativo tanto no mercado de bônus quanto no de títulos mais curtos, ideia que também é sustentada pelo Bradesco.
Fernando Pierri, superintendente-executivo de investidores institucionais do Santander, disse que o banco recorre há alguns anos a colocações privada de títulos curtos como estratégia de funding, mas afirmou que 2012 foi de fato mais forte para essas emissões. “As colocações foram mais fortes especialmente a partir do segundo semestre deste ano”, disse o executivo, sem informar valores.
A ideia do Santander é também recorrer mais a esse instrumento no ano que vem. “Temos considerado possíveis colocações entre investidores institucionais na América Latina, região onde o banco já é conhecido, inclusive nas moedas locais de Chile, México, Colômbia e Peru”, disse Pierri. Em abril, o banco realizou sua primeira colocação privada no Chile, com títulos vinculados à inflação.
Segundo Axel Blikstad, sócio responsável pela gestão de liquidez do banco BTG Pactual, as colocações privadas também figuraram como importante mecanismo de funding para o banco no ano. Mas ele não revela quantas operações foram feitas nem o valor.
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Cresce captação de banco brasileiro na Ásia
Por Filipe Pacheco | De São Paulo
Os bancos brasileiros, que têm se empenhado em estratégias de internacionalização, aproximaram-se este ano de investidores asiáticos ao realizar operações de colocação de dívida privada na região. Para isso, começam inclusive a emitir títulos denominados diretamente em yuan, a moeda da China.
No fim de novembro, Bradesco e BTG Pactual colocaram pela primeira vez títulos de dívida denominados em yuan – o equivalente a US$ 48 milhões e US$ 17 milhões, respectivamente. O Banco do Brasil, por sua vez, levantou US$ 170 milhões com colocações privadas feitas a partir de julho, todas também em yuan. Os compradores são principalmente investidores institucionais que buscam exposição na moeda chinesa.
Segundo Rodrigo Cabernite, diretor de mercado de capitais do banco Standard Chartered, – que tem forte presença na Ásia -, os bancos brasileiros costumavam fazer colocações principalmente entre investidores americanos e europeus, e voltaram-se recentemente aos asiáticos. “É um mercado com muito potencial, e que antes praticamente não existia.”
Dos cerca de US$ 10 bilhões em emissões privadas que o Bradesco fez ao longo de 2012, cerca de US$ 2 bilhões foram para investidores asiáticos.
A única delas feita com notas denominadas em yuan, do fim do mês passado, resultou na venda de títulos para 2014 com juro nominal de 3,9% ao ano. “Esperamos acessar mais o mercado asiático daqui para a frente”, disse Marlene Millan, responsável pelo financiamento em moeda estrangeira do Bradesco.
O BTG Pactual, que colocou também no fim de novembro as suas primeiras notas em yuan, também com prazo de um ano, pagará cupom de 3,5%. “Vimos que a Ásia tem forte demanda por ativos da América Latina”, disse Axel Blikstad, sócio responsável pela gestão de liquidez do banco.
O BB, em duas emissões recentes, pagou juro nominal de 3,2% ao ano em notas de um ano e 3,8% para aquelas de três anos. “Em termos de custo, elas valem a pena”, disse Daniel Alves Maria, gerente-executivo de finanças do BB.
O Santander Brasil ainda não emitiu em yuan, mas não descarta a opção para 2013. “Existe uma demanda crescente [de investidores] da Ásia”, disse Fernando Pierri, superintendente-executivo de investidores institucionais.
Tais colocações podem facilitar, inclusive, operações para clientes no futuro, segundo os executivos. “Em todas essas operações, vendemos o nome BB e do Brasil em geral. Explicamos o modelo de negócios do banco e da economia do país”, afirmou Alves Maria.
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