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Por 16:56 Sem categoria

Os sócios da SELIC e os quindins de ouro

São graúdos, e contabilizáveis, os interesses que arrendam espaços e gargantas para vocalizar a luta diuturna pela alta dos juros no país.

O pleito está marmorizado em cada centímetro da menos imparcial de todas as seções do jornalismo: o noticiário de economia. Daí se irradia para afinar o jogral de vulgarizadores e agregados de orelhada e holerite.

A centralidade que une as tropas é compreensível. Trata-se de uma queda de braço decisiva.

Os sabichões que advogam a panaceia do ‘novo ciclo de alta’ da Selic sabem do que estão falando. E não estão falando apenas em adicionar mais 0,25% às taxas atuais, na reunião do Copom, do próximo dia 17.

Isso até pode acontecer. Mas não é esse o alvo, nem a dose cogitada.

O braço de ferro é para reverter um reordenamento estratégico.

É a história do país, estúpido!

É disso que se trata, embora eles dissimulem o seu lado na encruzilhada brasileira em versões amigáveis ao interesse da sociedade.

De ‘toda’ a sociedade.

Ou não seria o choque de juros o melhor protetor para os males da Nação, um Biotônico Fontoura que combate preços, maleita e bicho de pé?

Fatos.

A pátria rentista não admite que a prioridade do sistema econômico deixe de ser a que sempre foi, desde os anos 90, até o colapso de 2008.

Qual seja, a reprodução do capital fictício a taxas de retorno as mais elevadas de toda a economia, sem condicionalidades de qualquer natureza.

Exceto o lacre inoxidável da liquidez total, com risco zero.

É nessa espécie de platô marciano, comparado ao relevo habitado pelos que lutam com as incertezas da sobrevivência e da produção, que vive uma plutocracia rentista que acha normal pagar , como lembra o insuspeito jornal Valor, R$ 115 reais por um prato de comida.

Ou R$ 15 por um prosaico quindim, nos restaurantes dos Jardins, em São Paulo.

Os comedores de quindim de ouro dispunham, no final do ano passado, de nada menos que R$ 527 bilhões sob os cuidados de ‘private bankings’. Gerencias especiais, ligadas ou não aos bancos, que cuidam da gestão de grandes fortunas, pessoais ou familiares.

O saldo é oficial, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O número é reiterado pelo mencionado jornal Valor.

Convém situa-lo no mundo das grandezas.

O valor é maior do que todo o investimento previsto pela Petrobrás em seu plano quadrienal para triplicar a produção do pré-sal até 2017 e atingir um milhão de barris/dia.

Esse é o tamanho do canhão dirigido contra uma política econômica tratada, em tom derrisório, como ‘desenvolvimentista’.

E essa é apenas a parte declarada do paiol que alimenta manchetes alarmistas e teclados prestativos.

O saldo submerso abriga-se em sigilos abissais.

Mas há gente que cavouca inconveniências em todos os lugares, mesmo os mais blindados.

A Tax Justice Network (‘rede de justiça fiscal’) é uma organização britânica especializadas nesse tipo de garimpo.

Seu relatório de 2012 estima que, entre 1970 e 2010, os endinheirados brasileiros acumularam depósitos da ordem de US$ 520 bilhões em contas mantidas em paraísos fiscais.

O valor, equivalente a R$ 1 trilhão de reais, garante à turma verde-amarela o 4º lugar no ranking dos maiores clientes dos ‘offshores’ do planeta. Chineses, russos e sul-coreanos lideram a fila.

É um desempenho robusto.

O PIB do país em 2012 foi da ordem de US$ 2,5 tri. A evasão flagrada pela Tax Justuce equivaleria assim a 1/5 de toda a riqueza anual acrescida à vida da sociedade.

Juro alto, liquidez imediata e risco zero são imiscíveis com o investimento pesado em infraestrutura e expansão industrial que o governo busca induzir.

Nos últimos três anos – reconheça-se, incentivado pela valorização do câmbio que descartou o investimento industrial, abalroado ainda pelo juro alto – a indução se deu no sentido oposto.

De 2009 ao final de 2012, o volume de recursos direcionado aos private bankings cresceu mais de 80% .

Saltou de R$ 291 bi para os mencionados R$ 527 bi, conforme a Anbima.

Nessa trincheira do ganho fácil reina inquietação nesse momento.

O pasto anda baixo. O governo Dilma ceifou o capim rentista trazendo-o à taxa real de juros mais baixa da história recente.

Com o soluço da inflação nos últimos meses, a dinheirama estabulada nesses piquetes de engorda, antes generosos, começa a perder peso em termos reais, descontada a variação dos preços.

Ninguém está sendo empurrado para o matadouro. Ao contrário.

O que o governo Dilma busca é induzir o dinheiro ocioso a galopar dos retiros rentistas para os campos indivisos, onde o aguardam as grandes fronteiras do investimento brasileiro neste início de século 21.

Insuflados por bicos longos e teclados ortodoxos, os rentistas evocam a prerrogativa de continuar comendo seu quindim de ouro, servidos pelo mesmo cardápio suculento. Sem sair do lugar.

Leia, a seguir : Os sócios da Selic

OS SÓCIOS DA SELIC

O mercado financeiro do país é assoalhado por R$ 1,7 trilhão em títulos públicos, que gravitam em torno da taxa básica de juro, a Selic.

Outros R$ 1,4 trilhão estão acantonados num oceano de títulos financeiros privados -CDBs, debentures etc– corrigidos, neste caso, pela taxa praticada nas operações de empréstimos entre os próprios bancos(CDI).

A taxa do CDI sempre foi muito próxima a da Selic.

Mas a farta liquidez disponível hoje no Brasil e no mundo (crédito, investimento público, ingressos de capitais estrangeiros, facilidade de captação no exterior etc) , reduziu a necessidade desse intercâmbio de caixa entre instituições.

Os juros dessas operações, o CDI, tem ficado abaixo da Selic.

Para resumir: a riqueza financeira corrigida por ele está perdendo ou, no máximo, empatando com a inflação.

Foi o que aconteceu no primeiro trimestre deste ano.

Algo muito próximo está perto de acontecer com os detentores de títulos públicos -ainda que neste caso exista um atenuante disseminado, que são as taxas prefixadas. Elas protegem o investidor da dívida pública do encolhimento da Selic.

Grosso modo, porém, as duas massas de riqueza financeira, que somam o equivalente a 75% do PIB brasileiro, tem encontrado dificuldade crescente de se valorizar. Ou, ao menos, manter seu valor real.

Há um universo numericamente expressivo de detentores de dinheiro miúdo nesse aluvião. Mas em termos de densidade financeira, predominam sócios graúdos da Selic.

Bancos e fundos administrados por eles, por exemplo, detém cerca de 55% da dívida pública.

Hoje, o Brasil investe menos de 18% do PIB ao ano na economia real. Precisa elevar isso a, pelo menos, 25% para fechar o buraco da infraestrutura, que não comporta sua nova realidade social.

É em torno dessa travessia de sete pontos que se dá o cabo de guerra entre o rentismo e a luta pelo desenvolvimento.

Parece pouco, mas é ela que pode definir o século 21 brasileiro.

Postado por Saul Leblon

Artigo colhido no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1218

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O ministro Bernardo vai girar a maçaneta?

O governador tucano Geraldo Alckmin levou a tiracolo um estafeta e notório defensor da ditadura à cerimonia de entrega dos arquivos digitalizados do DOPS, em São Paulo.

O episódio ilustra o corredor de camaradagem que liga as portas abertas da democracia e os socavões escuros da ditadura ainda existentes na sociedade brasileira.

Quarenta e nove anos depois do golpe militar-empresarial e midiático de 64, e passados quase 30, desde o fim da ditadura, a verdade é que a democracia permanece refém de certos interditos.

Eles são incompatíveis com o pleno trânsito do regime da liberdade.

Só agora, e muito timidamente, portas permanentemente fechadas, diante das quais passaram poderes eleitos sem nunca indagar o que havia dentro, começam a ser devassadas depois da soleira.

A mais notória delas guarda os nomes dos mortos e desaparecidos políticos e os de seus respectivos algozes.

Outra, intocada, abriga a colaboração estreita entre o mundo empresarial, a repressão e a barbárie.

Um lacre merecedor da mais prestigiada das omissões salvaguarda a intocabilidade do monopólio do sistema de comunicação, setor cuja centralidade em nossa história dispensa apresentações.

Trata-se, talvez, do coração do arbítrio preservado no metabolismo democrático. E travestido de um de seus mais sagrados direitos: a liberdade de expressão.

Meia dúzia de corporações gigantes detém no Brasil um poder emissor incontrastável por quaisquer outros meios.

Exceto, talvez, se o Estado convocasse por igual tempo , com idêntica aplicação e abrangência, a prerrogativa da rede nacional que a Constituição lhe faculta.

‘Mas aí seria a ditadura chavista!’.

É o que retrucariam , sublevados, os que hoje se abalam em apontar o dedo desqualificador à pauta de regulação da mídia, hasteada por amplos setores democráticos e progressistas.

Curiosa democracia de pratos pensos.

À nunca desmobilizada rede nacional do conservadorismo, de reconhecidos serviços prestados à lubrificação do golpe de 64, dá-se o nome de liberdade de expressão.

À contraface equivalente em tempo e exclusivismo, o de ‘autoritarismo populista’.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, é um dos desenvoltos defensores dessa peculiar faceta, da não menos peculiar ideia de democracia que borbulha entre graúdos integrantes do setor em que atua .

Bernardo escudou-se o quanto pode nessa cambalhota conceitual para desqualificar um projeto sério de marco regulatório para a área pela qual responde atualmente.

Herdou-o de um ministro da Comunicação Social que, à diferença de Bernardo, conhece a engrenagem das comunicações brasileiras por dentro e por fora.

Como jornalista, como combatente da ditadura, como homem público a serviço da democracia. E, sobretudo, como alguém que teve a coragem, e a dignidade, de afrontar o lugar de onde veio.

De poucos se poderá dizer o mesmo na área em questão, atualmente.

O ex-ministro Franklin Martins construiu uma proposta de regulação das telecomunicações e da radiodifusão, na forma de um protocolo equilibrado, pluralista, moderno e centrado num alicerce inquestionável: fazer respeitar a Constituição.

Nada mais.

Para isso, porém, é preciso abrir a porta de um recinto até hoje não bafejadopelas decisões soberanas da Constituinte de 1988, que redesenhou o marco legal de um país egresso da ditadura militar.

O ministro Paulo Bernardo sabe que a essência do que se entende por democratização da mídia passa por regulamentar artigos da Carta, não contemplados até hoje.

Mas sabe também que isso envolve redistribuição de poder.

O reconhecido e respeitado pesquisador e professor, Venício Lima, tem detalhado esse aspecto à exaustão em conferências, livros e artigos, inclusive em Carta Maior, da qual é colaborador.

Entre os ordenamentos constitucionais há mais de 21 anos à espera da regulamentação nesse sentido encontra-se o caput do artigo 223, que diz:

“Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”.

Não há complementariedade sem equilíbrio em termos de poder emissor, hoje monopolizado pelo sinal privado.

Sobretudo, não haverá complementariedade sem a intrínseca redistribuição equitativa de uma verba publicitária federal, hoje devorada pantagruelicamente pelos de sempre.

A emissora líder do oligopólio midiático, a Globo, abocanha cerca de 70% de tudo o que o Estado brasileiro gasta em publicidade e informação de utilidade pública.

Essa endogamia não é nova.

Remonta a uma união carnal estreitada sobremaneira desde o golpe de 64.

De um lado, o quase monopólio de um poder dotado de descomunal capacidade de autopreservação; de outro, os interesses de um conservadorismo em permanente litígio com as aspirações históricas mais amplas da sociedade brasileira.

Dois colossos.

A presidenta Dilma experimentou na carne , na semana passada, as consequências desse entrelaçamento, que seu ministro das Comunicações tinge de virtude democrática.

Sua declaração em Durban, na reunião dos BRICS, sobre a precedência do desenvolvimento em relação a clamores de aperto monetário, foi, como disse a própria Presidenta , ‘manipulada’ pela mídia.

Objetivo?

Engrossar o caldo da campanha rentista pelo aumento dos juros, a pretexto de uma negligência com a inflação.

Fazer política econômica exacerbando o efeito da própria tendenciosidade do noticiário sobre as expectativas gerais do mercado.

Disseminar incerteza e pessimismo, a ponto de anular o efeito dos incentivos e garantias sinalizados pelo governo para destravar projetos de infraestrutura e expansão industrial.

Tudo indica que o episódio de Durban teve um efeito pedagógico na percepção da Presidenta.

Os interesses rentistas de bolso, palanque e ideologia vocalizados pela mídia, adquirem um poder exacerbado de sabotar o manejo da política econômica na travessia para um novo ciclo de investimentos.

A mídia, nesse momento, distorce o debate e interdita a solução não ortodoxa para os problemas do desenvolvimento brasileiro.

Essa barragem de fogo arma o cerco em torno do governo, na tentativa de imobiliza-lo até 2014.

A indignação de Dilma com o uso distorcido de suas palavras, num momento em que o país necessita, justamente, evitar o contágio infeccioso da inflação e o consequente aperto monetário, causou sugestiva mudança em Bernardo.

À volta da Presidenta, o ministro passou a conceder a hipótese de desengavetar o projeto herdado de Franklin Martins .

Mas o faz com inoxidável má vontade.

Como se pagasse um pedágio ao mercado, equipara o pleito da democratização da mídia a ímpetos dissimulados de censura.

O ministro não esconde a contrariedade com a missão de faxinar um esqueleto da ditadura, que gostaria de preservar no formol confortável da omissão.

O tempo econômico e o calendário político se fundem na mesma urgência.

Até quando a mão do governo poderá hesitar sobre a maçaneta dessa porta, sem o risco de ser decepada pelas baionetas aquarteladas do lado de dentro?

Postado por Saul Leblon

Artigo colhido no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1219

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A manipulação da fala presidencial para justificar alta de juros

Foi o que o sistema Globo fez ao cobrir Dilma na África do Sul: ela afirmou que era contra sacrificar crescimento e emprego em favor do combate à inflação, enquanto a Globo pôs no ar que ela não considerava o controle da inflação uma prioridade.

J. Carlos de Assis

Há uma maneira simples e direta de manipular o noticiário de imprensa para ludibriar a opinião pública em relação a algum assunto de interesse: esconda-se atrás de uma “fonte” anônima ou, mais especificamente, do “mercado”. Foi o que o sistema Globo fez com notável cinismo na cobertura de uma entrevista da presidenta Dilma na África do Sul: ela afirmou que era contra sacrificar o crescimento econômico e do emprego em favor de um suposto combate à inflação, enquanto a Globo pôs no ar que ela não considerava o controle da inflação uma prioridade.

A Globo, manipuladora como é, não assumiu de forma explícita a crítica à presidenta. Disse, sim, que os “mercados”, ansiosos por aumentar os juros a pretexto de combater a inflação, reagiram mal à declaração dela. Normalmente, a emissora teria saído à cata de um economista com interesse próprio em jogo (há tantos) para vocalizar a crítica, escondendo-se atrás dele. Por um dos incidentes normais no jornalismo de tevê – pode ter faltado tempo para repercutir a fala da presidenta junto a um esbirro do mercado-, recorreu a algum fantasma neoliberal de casa para fazer no escuro o trabalho sujo.

Essa prática de jornalismo de interesses é o que há de mais sórdido na imprensa brasileira. Nesse caso específico, estamos diante de uma conspiração midiática para aumentar a taxa de juros sob o pretexto de combater uma inflação longe de estar fora de controle. Isso é mais comum do que o leitor ou telespectador imagina. Nem é exclusividade nossa: nos Estados Unidos, um colunista do principal jornal financeiro, The Wall Street Journal, foi demitido depois que se provou que anunciava na sua coluna num dia a ação que se valorizaria no dia seguinte!

É muito difícil provar “manipulação”. Mas todos que a sentem sabe do que se trata. A presidenta Dilma reagiu com rapidez e eficácia. Tinha, a seu favor, um bom número de jornalistas fazendo a cobertura da viagem, o que impedia um segundo nível de manipulação, desta vez truncando as palavras literais dela. É claro que, desmascarado, o sistema Globo não se deu por vencido. Na última sexta-feira o jornal do grupo fez um longo editorial com um titulo fundamentalmente cínico: “Presidente acerta ao esclarecer que combaterá inflação”.

Vamos traduzir o significado do editorial, por partes. Primeiro, segundo o editorialista, a presidenta “acerta”. Quer dizer, de forma subliminar, antes ela tinha errado. Agora O Globo, com sua autoridade infalível, declara que ela está certa. Segundo, a presidenta esclarece que combaterá a inflação, e é por isso que ela acerta. Contudo, desde a primeira declaração manipulada, a presidenta expressou um compromisso com a estabilidade de preços, com a ressalva, porém, de não subordinar isso ao crescimento da economia e do emprego. O jornal omite isso.

Se o editorial do Globo fosse submetido ao mesmo tipo de manipulação a que foram submetidas as declarações presidenciais, poderíamos dizer que estamos diante de um grupo midiático que se comporta como partido político e, pior ainda, como fundo de aplicações financeiras. E isso não está limitado à direção empresarial. Os apresentadoras e comentaristas da Globo são tão entusiastas do noticiário neoliberal que vomitam sobre a opinião pública, indiferentes ao estrago que provocam (qual seria o custo para a sociedade de uma retomada da elevação da taxa de juros agora?), que é difícil imaginar, pela expressão de seu rosto, pelo tom da voz, pelos esgares que fazem, que são inocentes úteis a serviço dos patrões. São, de fato, inocentes remunerados não só mediante salários, mas comprados por consultorias e palestras!

Contudo, essa situação não tem solução simples. Pode-se impedir monopólios de emissoras de televisão por se tratar de concessões públicas, mas não há como impedir o estabelecimento de redes, mesmo quando não passam de um recurso fictício para encobrir monopólios. Por outro lado, o princípio da liberdade de imprensa e de opinião é um instrumento fundamental para o desenvolvimento da democracia de cidadania ampliada. Além disso, não sei como na prática funcionaria o tal controle social da mídia, como muitos reclamam.

Entretanto, quando governos se sentem manipulados pela mídia, eles têm o recurso do controle das verbas publicitárias. Podem também, mediante o mesmo recurso, estimular a concorrência e apoiar mídias alternativas. Há sempre o risco ideológico – governos não são eternos, e podem mudar de mãos levando nelas os controles. Há o caminho da difusão ampla e da democratização da informação pela internet. Mas melhor é o verdadeiro controle social, ou seja, o da audiência: o noticiário da Globo está manipulando declarações de uma presidenta progressista? Que o povo boicote o noticiário da Globo e os anunciantes que lhe dão suporte financeiro. Não há melhor pedagogia que o corte do dinheiro!

Ah, deixem de fora do boicote as novelas. Elas são de boa qualidade, agradam o público, são um bom produto de exportação do Brasil e em geral são ideologicamente inofensivas.

J. Carlos de Assis é economista, professor de economia internacional da UEPB e autor, entre outros livros, de “A Razão de Deus” (ed. Civilização Brasileira).

Artigo colhido no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=6029

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