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Entidades do campo querem participar de reforma política

Representantes defendem consulta popular, aprovam iniciativa de Dilma para o diálogo, mas elencam problemas rurais e alertam que conversar não basta

por Hylda Cavalcanti, especial para a RBA publicado 05/07/2013 22:21, última modificação 06/07/2013 00:55
fábio rodrigues pozzebom/abr
campo
Encontro com Dilma contou com a participação de integrantes de 11 entidades

Brasília – A presidenta Dilma Roussef recebeu de entidades dos trabalhadores no campo apoio formal para a convocação do plebiscito. Em reunião na tarde desta sexta-feira (5) Dilma recebeu documento apontando problemas que afetam as áreas rurais. Os movimentos reiteraram a importância das manifestações das ruas e da realização de consulta popular para realização de uma reforma política, com a qual querem contribuir.

O encontro reuniu integrantes de 11 entidades, entre as quais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento Mulheres Camponesas (MMC), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, (Contag), Pastoral da Juventude Rural (PJR) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

A reunião durou mais de duas horas. Os participantes elogiaram a atitude do Executivo de ampliar o diálogo com as organizações sociais e consideraram a resposta de Dilma à situação política uma autocrítica e ao seu governo e esperam daqui por diante que o contato “com a sociedade” seja intensificado. “Explicamos que não estamos contra a presidenta Dilma, mas consideramos que só conversa não basta. São necessárias políticas públicas voltadas para transporte, educação e saúde”, afirmou um dos coordenadores do MST, Alexandre Conceição.

Conceição disse que as entidades enfatizaram apoio ao plebiscito e discutiram os pontos defendidos pelo governo, mas querem uma reforma política mais ampla. Consideram necessário haver maior participação popular em debates sobre outros temas, como o novo Código de Mineração, a legislação referente ao uso agrotóxicos e aos produtos transgênicos e a própria reforma agrária.

“Não queremos ser chamados para discutir somente pontos relacionados ao plebiscito, mas também assuntos igualmente importantes, principalmente porque não nos sentimos mais representados por este Congresso que está aí, financiado pelo grande capital”, acentuou o coordenador.

Mesmo tendo considerado bom o resultado da reunião, as entidades confirmaram que vão participar do movimento a ser realizado na próxima quinta-feira (11), em todo o país, pelas centrais sindicais. “Vamos às ruas pedir melhores condições para os trabalhadores e o plebiscito. Estamos lutando pelo país”, enfatizou Marcílio Miranda, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

Menos burocracia

A maior queixa feita à presidenta pelos movimentos, no entanto, foi a burocracia do governo – sobretudo na questão da reforma agrária. No documento entregue a Dilma Rousseff (que além destas entidades presentes à reunião é endossado por outras nove) foram especificados em dez itens, com pedidos setorizados sobre questões variadas, referentes a gargalos antigos observados no Brasil.

Fazem parte das demandas, por exemplo, a desapropriação de terras pertencentes a estrangeiros, a revisão da lei que regula os produtos transgênicos e a retirada do projeto de urgência para apreciação do novo Código Nacional de Mineração – que vem sendo aguardado com ansiedade pelo Planalto.

Em relação às terras compradas por estrangeiros, as entidades pediram que o governo anule as compras e desaproprie as terras compradas e controladas por empresas de outros países, argumentando que essa iniciativa objetiva resgatar “a soberania nacional”. Também foram feitas solicitações para programas estruturais voltados para jovens e mulheres do campo; garantia dos direitos dos povos do campo, com reconhecimento e demarcação imediata das terras indígenas e quilombolas, além de políticas sobre os direitos dos brasileiros atingidos por barragens e territórios pesqueiros.

Outros itens inclusos foram o banimento dos agrotóxicos; proibição de pulverizações aéreas e revisão da política de liberação dos transgênicos no Brasil; uma política de controle do desmatamento das florestas em todo país e apoio à recuperação de áreas degradadas e de reflorestamento pela agricultura familiar.

Afinando a viola

O encontro foi tido como uma vitória para a presidenta Dilma, que passou o dia dedicada a aumentar o debate com a sociedade civil organizada e também com os parlamentares. Durante a manhã, a presidenta recebeu em seu gabinete deputados da base aliada, a quem pediu para evitar atritos. “Precisamos afinar a viola e ajudar na recomposição da base no Congresso”, disse o líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (CE).

De acordo com Guimarães, ficou acertado que a estratégia no Congresso, daqui por diante, deve ter o intuito de trabalhar pela agenda positiva, mas ao mesmo tempo avaliar os projetos que estão sendo apreciados e votados, de forma a evitar que determinadas matérias aprovadas não venham a “comprometer o rigor fiscal que o momento impõe”, acrescentou. Dentro deste sentido, a presidenta continua, na próxima semana, com a sua agenda de reuniões com parlamentares e também representantes dos movimentos sociais – como movimentos de mulheres, negros, indígenas e lideranças evangélicas.

Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2013/07/representantes-reclamaram-da-burocracia-pediram-mais-pressa-na-reforma-agraria-e-maior-dialogo-com-o-governo-mas-reiteraram-a-importancia-da-consulta-popular-919.html

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Entidades do campo cobram menos burocracia e mais agilidade do governo

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Movimentos sociais ligados ao campo cobraram hoje (5) do governo mais agilidade e menos burocracia para resolver questões como a reforma agrária e a melhoria dos serviços públicos nas cidades. Representantes de 11 entidades, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estiveram nesta sexta-feira com a presidenta Dilma Rousseff para discutir o atual momento do país após a onda de manifestações que tomaram as ruas.

“Elencamos alguns elementos e trouxemos para a presidenta Dilma. É preciso e urgente que o governo se desburocratize e possa fazer mais pelo povo brasileiro. Os pontos centrais discutidos foram a reforma agrária, a saúde e a educação”, relatou Alexandre Conceição, da direção nacional do MST, porta-voz da reunião. “Só diálogo não basta, tem que ter a política.”

As entidades campesinas vão se juntar às manifestações convocadas pelas centrais sindicais para o dia 11 deste mês, em defesa da realização do plebiscito sobre a reforma política. Além dos pontos defendidos pelo governo, como a consulta sobre o financiamento público de campanhas, os movimentos sociais querem que o processo inclua temas mais amplos sobre a participação popular.

“Vamos fazer um debate sobre o plebiscito, em que as questões não sejam apenas de cunho eleitoral, têm que ser de participação política, porque não nos sentimos mais representados por este Congresso, que é financiado pelo grande capital”, disse. “Sempre defendemos o plebiscito, porque sempre defendemos a participação do povo naquilo que vai afetar a vida do povo diretamente”, acrescentou.

Segundo Conceição, o MST e outros movimentos sociais do campo “sempre estiveram nas ruas” e estão de acordo com as demandas urbanas apresentadas durante as manifestações que ocorreram no país, principalmente as reivindicações ligadas ao transporte público e à saúde.

“A participação popular e a representatividade sempre foram bandeiras do povo e bandeiras nossas, não é uma bandeira do governo. Vamos para a rua, não para defender o governo, mas para defender projeto político. E nosso projeto político é a reforma agrária, é a produção de alimentos saudáveis, é isso que vamos defender, e também nos solidarizar com a luta das cidades, que hoje estão inviabilizadas”, disse. Segundo o dirigente do MST, o governo fez uma “autocrítica” e reconheceu que é preciso investir mais em transporte público e melhorar as condições das cidades.

Também participaram da reunião com Dilma representantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), do Movimento Mulheres Camponesas (MMC), da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), da Pastoral da Juventude Rural e do Movimento Camponês Popular.

Na próxima semana, Dilma deve continuar a receber movimentos sociais e organizações da sociedade civil em reuniões com indígenas, lideranças evangélicas, organizações de mulheres e o movimento negro.

Edição: Nádia Franco

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Notícia colhida no sítio http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-07-05/entidades-do-campo-cobram-menos-burocracia-e-mais-agilidade-do-governo

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