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Compulsão das elites em violar as regras não é mera coincidência

Liberdade e vigilância

Sobretudo aos mais jovens, cabe fortalecer a democracia na América Latina, ameaçada pela compulsão das suas elites elites por violar as regras quando lhes convêm

por Redação da RBA publicado 15/03/2014 13:24
Efe
Venezuela.jpgProtestos nas ruas da Venezuela: conquistas da Revolução Bolivariana em xeque

Enquanto esta edição era concluída, em 26 de fevereiro, a Rede Brasil ­Atual acompanhava a tensão na Venezuela. A efervescência das ruas desautorizava trazer o assunto, sujeito a envelhecer em algumas horas, a esta páginas mensais. Trata-se de um país dividido. Como relatava o enviado da RBA a Caracas, João Peres, eram perceptíveis correntes distintas de opinião. No lado revoltoso, uma ala pregava a saída imediata do presidente Nicolás Maduro; outra admitia seguir as regras do jogo. Pelos lados chavistas, uma parte apoiava a busca do diálogo; outra defendia rigor contra os “fascistas” que engendravam um golpe.

No ambiente pré-golpe civil-militar no Brasil de 50 anos atrás, uma parcela marchava contra o presidente legítimo, João Goulart, bradando contra a inflação, a “amea­ça comunista”, a “desordem”. Essa marcha da minoria culminou com a derrubada de Jango – sob uma conspiração erguida nos pilares dos meios de comunicação, do dinheiro de grupos empresariais, da força bruta dos militares e do apoio dos Estados Unidos.

A cena venezuelana tinha algo em comum com outra situação pré-golpe, a do Chile de Salvador Allende, em 1973. Na ocasião, escasseavam produtos básicos nas prateleiras dos supermercados. Parte dessa ausência decorria de boicotes que rendiam a lojistas e fornecedores um duplo retorno: especulando com a falta de produtos faturavam mais – como na Venezuela de Maduro –, e alimentavam iras contra o governo. Lá também a força do donos do dinheiro, dos tanques e de Washington derrubaram Allende.

Só não se pode pode chamar de “coincidência” a compulsão das elites econômicas por violar regras democráticas quando lhes convêm. Os resultados dessa compulsão – os regimes violentos que marcam o último meio século de história da América Latina – sentem-se nas vidas perdidas na reação à barbárie. E no grave déficit de cidadania do qual se ressente o continente.

O século 21 representa para a região, Brasil incluído, uma era de reconstrução da demo­cracia. Fortalecê-la significa dar às maiorias mais poder de interferência nos des­tinos de seu país. Cabe, sobretudo aos mais jovens, ter os olhos abertos para esse desafio. Um olho na luta cotidiana de superação de injustiças e desigualdades. E outro em eventuais e sorrateiras tentações autoritárias ávidas pelo retrocesso, refúgio das minorias.

Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/93/liberdade-e-vigilancia-5372.html

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