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Por 14:33 Sem categoria

CUT cobra resposta sobre violência de jornalista contra dirigente sindical

Para Central, agressão a diretora de sindicato do Acre demonstra que machismo e preconceito contra mulheres em cargo de direção é realidade a ser combatida
Márcia Lima diz que já tinha sido ofendida antes pelo jornalista Assem Neto.
Jornalista voltou a defender soco e disse que sindicalista ‘mereceu’.

Ainda com o olho inchado devido ao soco recebido do jornalista Assem Neto, a diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Acre (Sinteac), Márcia Lima, afirma que Neto sempre foi agressivo com os colegas de trabalho.

Márcia foi agredida na tarde de terça-feira (12) na sede do sindicato, em Rio Branco. O jornalista foi levado para Delegacia de Flagrantes (Defla) e solto após duas horas. Ele deve responder por lesão corporal.

A reportagem tentou contato com o jornalista, porém, não obteve sucesso até a publicação desta matéria.

A diretora compareceu na quarta-feira (13) ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames de corpo de delito e descreveu o comportamento do jornalista, que trabalhava como assessor de comunicação no sindicato há quatro meses, com os colegas de trabalho.

“Sempre foi agressivo. Ele demonstra um temperamento e comportamento um pouco além do normal. Não gosta de ser contrariado e nem de seguir regras. Se estressa rapidamente, falava palavrão com as pessoas. Qualquer coisa mandava tomar naquele lugar. Falava com todo mundo assim “, revela.

Escrito por: Coletivo Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT

Fonte: www.cut.org.br

Márcia Lima (Foto: Arquivo pessoal)

Márcia Lima foi agredida pelo jornalista Assem
Neto com um soco no olho (Foto: Arquivo
pessoal)

Jornalista é preso após dar soco em mulher e diz: ‘barraqueira merece’

A confusão teria se iniciado, segundo a diretora, após o jornalista se irritar com uma pergunta da diretora referente a uma matéria. Márcia acrescenta que Neto não gostava de ter os textos dele revisados.

“É acostumado a escrever sem verificação. Infelizmente ou felizmente, no nosso sindicato não é assim. Trabalhamos pautando a verdade”, afirma.

A vítima ressalta também que essa foi a primeira agressão física, porém, Neto já teria ofendido ela e demais colegas em outros momentos. A diretora afirma que o próprio jornalista procurou a entidade oferecendo os serviços em assessoria de comunicação

“Ninguém pode negar que no que ele faz é um excelente profissional, mas nos cerca de quatro meses em que trabalhava com a gente sempre teve agressão verbal. A gente só não imaginava que iria chegar a isso”, conclui.

No Facebook, jornalista defendeu agressões contra mulheres "barraqueiras" (Foto: Reprodução/Facebook)
No Facebook, jornalista defendeu agressões contra mulheres “barraqueiras” (Foto: Reprodução/Facebook)

Manifestações no Facebook
Após a agressão, o jornalista se manifestou em seu perfil no Facebook defendendo as agressões.

“Mulher barraqueira merece, SIM (sic), umas bordoadas, principalmente quando não sabe ser rejeitada e ainda chama tua (sic) mãe de puta (sic). Cultura vem de berço. Quando o bagaço (sic) se diz educadora, pior ainda. A Lei Maria da Penha pune sem observar causas e consequências. Ainda terei o prazer de ler a Lei de Proteção aos Direitos do Homem”, disse Neto na postagem feita na noite do mesmo dia.

Nesta quarta, ele voltou a se manifestar após a repercussão do caso. “Continuem as críticas à minha atitude. Nada vai mudar a minha idéia (sic). Repito: há limite para tudo. Quem se vale dessa lei vagabunda para provocar, ousar, tirar proveito da situação, aparecer na mídia, ainda que com olho roxo, tem que aprender a respeitar. Não é diferente de um assaltante que invade sua casa quando vc e sua família estão dormindo. Mereceu”, disse.

Solto após assinar termo
O coordenador da Defla, delegado Rodrigo Noll, confirmou que o jornalista foi solto ainda na terça (12) após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por lesão corporal,  crime considerado de menor potencial ofensivo. “O caso foi encaminhado ao Juizado que deve promover uma audiência”, disse.

Noll explica que o crime não foi enquadrado na Lei Maria da Penha. “A lei é válida quando existe caso de violência doméstica. Como eles não têm nenhuma relação de afetividade ou de convívio, é como se fosse agressão entre dois estranhos. A pena prevista em lei obriga que seja feito o procedimento e seja solto. Ele ficaria preso caso se negasse assinar o termo”, esclarece.

Jornalista voltou a defender agressões nesta qurarta-feira (13) (Foto: Reprodução/Facebook)
Jornalista voltou a defender agressões nesta qurarta-feira (13) (Foto: Reprodução/Facebook)

Notas de repúdio
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac), Victor Augusto, publicou uma nota de repúdio sobre a agressão do colega de profissão contra a diretora do Sinteac. O presidente caracterizou a agressão como truculenta e covarde.

A nota ressalta ainda que o Sinjac espera que tanto a Polícia Civil, o Ministério Público e a Justiça do Estado do Acre apurem e punam o agressor com o rigor necessário.

O Sinteac também saiu em defesa da diretora e afirmou que as educadoras têm sido vítimas de alunos, marginais e de familiares, o machismo ainda é muito presente em nossa sociedade.

A entidade afirma que a diretora é uma ótima sindicalista, também é uma mãe dedicada, uma filha atenciosa, uma profissional competente, respeitada e querida por todas as suas colegas de trabalho e por toda a direção.

Ainda de acordo com a nota, Neto foi demitido por justa causa e o Sinteac já tomou todas as medidas cabíveis sobre o caso.

Autor: Aline Nascimento e Iryá Rodrigues

Fonte: G1

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