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Por 10:07 Sem categoria

Tudo agora exige mais de cada um de nós

sisif

Nada mais justo que cada um de nós esteja cansado, triste, algo desesperançado depois de ver o nosso país e a parca democracia que tínhamos serem atropelados da maneira que foram.

Não é um exercício fácil combater contra uma massa imensa de propaganda e manipulação da opinião pública, como aqui se faz desde 2013, quando muita gente de boa-fé não percebia que se iniciava o drama que agora atinge seu ápice.

Ao contrário das ofensas que recebo quase diariamente do “coxismo”, que não consegue entender que alguém possa agir senão por interesse material ou ódio insano, ao qual basta xingar, o que dispensa raciocinar e argumentar, aqui se procura dizer o que se pensa e o que se deseja.

O que fazem nas redes sociais é o mais feroz exemplo disso.

Havia, bom tempo atrás, uma regra de ouro, a de que “jornalista não é notícia”. Caiu em desuso depois de que a TV criou os “donos da opinião pública”. Os blogs, que surgiram quase como um diletantismo pessoal, acabaram seguindo o mesmo caminho, em direção oposta.

E, como falamos para milhares, enquanto eles falam para milhões, possuem estruturas profissionais, enquanto nós não as temos, como se replicam por inúmeros sistemas políticos e comerciais, como têm sempre a referendar-lhes as palavras o que dizem os políticos,  os juízes, o mercado e toda a mídia, o que se exige dos blogs de esquerda beira o moto contínuo.

Este blog está para completar cinco anos desde que renasceu e acabou por se tornar “o exército de um homem só” – embora com a ajuda dos que comentam, compartilham, dão sugestões e de quem revisa minha furiosa e desastrada digitação. Cheio de defeitos, ainda assim, funciona: 10.684 postagens, 260 mil comentários no site – sem contar outros tantos do Facebook – e uma relação de confiança com a qual se gera em mim o dever de não faltar.

Por mais duro que seja, por mais que o corpo, a cabeça, os amigos, os filhos reclamem descanso, não é hora disso.

Os meses que virão serão ainda mais duros. Não para mim, que sou feliz com o que faço e com o que digo, num tempo no qual muito pouco já preciso para mim. Mas para este grande “nós”, que nos abriga e acolhe, que nos dá, a todos, o sentido coletivo sem o qual nos tornamos mesquinhos.

Vivemos numa era em que “fake” e “realnews” se diferenciam muito pouco. Não basta a reflexão para vencer a mediocridade, é preciso volume de comunicação.

E nisso, cada leitor pode fazer a diferença, replicando, compartilhando, difundindo aquilo com o que concorda, o que o fez pensar, o que desmonta uma versão cruel e odiosa dos fatos.

Creiam, o ser humano ainda não está morto pelo fanatismo.
contrib1

Artigo colhido no sítio http://www.tijolaco.com.br/blog/tudo-agora-exige-mais-de-cada-um-de-nos/

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O Brasil voltou. Voltou ao passado

pobrebrasil

No Washington Post, o drama dos moradores de rua que voltaram a encher as calçadas de Copacabana e a de toda parte.

No Le Monde, a “democracia em decadência” do Brasil.

Em Davos, as poltronas vazias, parte delas ocultas por biombos,  eram dois terços da audiência de Michel Temer, para dizer, com intenção reversa, uma verdade.

O Brasil voltou.

Sim, voltamos ao que estávamos deixando de ser, uma imensa, gigante, continental nulidade no mundo.

A visão do mundo, por mais distante, é mais nítida.

E lambamos os beiços se não voltarmos mais, com o vórtice do fascismo aberto à nossa frente, pelas obsequiosas mãos de senhores togados, prontos a ver “vantagem indevida” em que não recebeu coisa alguma, mas que não veem vantagem indevida para si, quando embolsam alguns milhares de reais de auxílio-moradia, todo mês, para morarem em apartamentos que são seus – com escritura e tudo.

Voltamos, sim.

Voltamos a ser o país da liquidação do patrimônio nacional, como com Fernando Henrique.

Voltamos a ser o país onde um vice imbecil ostenta a faixa presidencial e forma seu “centrão”, como com Sarney.

Voltamos a ser um país onde um aventureiro trovejante é inflado como candidato presidencial, em nome de exorcizar a esquerda, como com Collor.

Entramos num túnel do tempo e, como no velho seriado de TV, dá para sentir a eletricidade estática no ar.

A classe dirigente não a percebe e faz da política simples aritmética: se um lado perde, outro ganha.

Não percebe que há um insondável na vida das coletividades e que pode estar a poucos passos de ser tragada por ele.

contrib1

Artigo colhido no sítio http://www.tijolaco.com.br/blog/o-que-fizeram-ti-brasil/

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