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Nova Política? Paulo Guedes lucra R$ 14 mil por dia em paraíso fiscal

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A retórica da nova política, tão propagada na campanha eleitoral de 2018, realmente não combina com o governo de Jair Bolsonaro. A cada dia, o presidente ou algum de seus ministros aparecem envolvidos em práticas escandalosas.

A bola da vez é o ministro da Economia, Paulo Guedes, o mesmo que chamou os servidores públicos de “parasitas” e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que foram flagrados com contas em um paraíso fiscal. Uma investigação feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelou que Guedes é dono de uma empresa localizada nas Ilhas Virgens Britânicas. Guedes manteve o negócio mesmo depois de ser convidado para fazer parte do governo federal, a partir de janeiro de 2019, e é suspeito de ter criado formas de se auto beneficiar com medidas governamentais, lucrando muito com isto. Essas empresas, conhecidas como offshore, geralmente são usadas para sonegação de impostos por milionários do Brasil e do mundo.

A desvalorização do real na gestão de Guedes no Ministério da Economia garantiu que seu investimento saltasse de R$ 35 milhões para R$ 51 milhões. Ou seja, um lucro de R$ 16 milhões, enquanto a economia brasileira segue aos trancos e barrancos. Para a maioria dos cidadãos brasileiros que acreditaram na promessa da “nova política”, essa seria uma atitude lamentável e vergonhosa, mas para Guedes de lucro de R$ 14 mil por dia. Só para lembrar: a Reforma Tributária proposta pelo ministro quer isentar empresas sediadas em paraísos fiscais de pagarem impostos sobre seus rendimentos.

A notícia escandalosa foi publicada no mundo inteiro, mas a imprensa brasileira, que apoia a política privatista de Guedes, foi complacente com o ministro e deu pouco destaque à matéria. Difícil é negar que os lucros de Guedes conflitem com o cargo que ocupa e com as dificuldades enfrentadas pela população brasileira. Depois de muitos anos, o Brasil registra inflação alta, carestia nos preços dos alimentos básicos, do gás de cozinha e dos combustíveis, além do desemprego recorde. Sem condições de comprar carne, a procura por ossos para matar a fome virou a opção viável para milhares de famílias. Atualmente, 19 milhões sofrem sem ter o que comer, o que recoloca o Brasil no mapa da fome mundial, depois de a ONU ter declarado sua saída, em 2014, durante o governo Dilma Rousseff.

Ao investir no exterior, Paulo Guedes demonstra não acreditar em sua própria política econômica, que é perversa, que privatiza empresas públicas e que destrói direitos trabalhistas. E será esse o legado de um governo que não tem projeto, não sabe para onde vai e, portanto, onde chegará. Mas para o ministro da Economia essa é a menor das preocupações. Guedes provou mais uma vez que é a cara do governo Bolsonaro e da elite brasileira, que lucra com as desigualdades e que é absolutamente insensível ao sofrimento da população mais pobre.

Fonte: Pactu

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