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Por 13:22 Cidadania, Destaque

Bolsonaro insulta nordestinos que respondem com maior taxa de rejeição da história

Líder do “gabinete do ódio” que se instalou no Palácio do Planalto desde que tomou posse, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro (PL) dissemina a intolerância contra os nordestinos, com ofensas racistas, preconceituosas e xenofóbicas e ignora a contribuição de milhares de brasileiros da região ao país.

A resposta da população do segundo maior colégio eleitoral do país é rejeição e desejo de mudanças urgentes no comando do Brasil. Nos nove estados do Nordeste, Bolsonaro tem apenas 13%, que ironia do destino, das intenções de voto, contra 61% dos que pretendem votar no ex-presidente Lula.

Mas, o ódio ou a ignorância brutal de Bolsonaro e sua trupe se sobrepõem até aos desejos de permanência no poder. Enquanto vomitam suas agressões, desconhecem que os nordestinos têm orgulho da sua região e dos conterrâneos ilustres e também dos desconhecidos que muito fizeram para o desenvolvimento do país e em áreas como economia, educação, cultura, arte e tantas outras.

Entre os ilustres que saíram do Nordeste para o mundo estão nomes como o do educador pernambucano Paulo Freire, escritores como Jorge Amado (BA), Rachel de Queiróz (CE), João Cabral de Melo Neto (PE), Lêdo Ivo (AL), João Ubaldo Ribeiro (BA), Josué Montelo (MA) e Torquato Neto (PI), além de artistas como Catulo da Paixão Cearense, que na verdade, era maranhense, o cantor e compositor João do Vale (MA) e Ariano Suassuna (PB), dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta, professor, advogado e palestrante brasileiro, entre tantos outros.

No 2º maior colégio eleitoral do país, popularidade de Bolsonaro desce a ladeira

A resposta do povo nordestino aos desaforos do presidente é a rejeição silenciosa e fatal para quem quer se releger. Mais da metade dos nordestinos reprova Bolsonaro, o xenófobo.

O termo xenofobia, ao contrário do que muitos pensam, não se refere apenas a aversão ou rejeição a pessoas ou coisas estrangeiras, também pode ser usado por quem tem preconceito contra pessoas que migram de um estado para o outro dentro do Brasil.

Em suas lives semanais ou em seus passeios pelo país, Bolsonaro já insultou a população dos nove estados do Nordeste usando termos como pau de arara (transporte precário que trazia nordestinos que migravam para o Sudeste), cabeçudo ou cabeça chata e todo tipo de estereótipos construídos ao longo dos anos em torno dos migrantes da região, como o de um ser humano inferior, ignorante, feio e sem capacidade de exercer atividades laborais intelectualizadas.

De acordo com pesquisa realizada pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), até a  palavra “nordestino” está impregnada de preconceito e de construções sociais que levam alguns brasileiros de outros estados a enxergarem os migrantes do Nordeste como “seres inferiores” – crença totalmente infundada e que remete aos piores episódios de perseguição da história, tendo por base a ideologia eugenista de que supostamente a biologia poderia selecionar os “melhores” membros da raça humana, como o nazismo, regime que matou seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial.

Bolsonaro deveria se preocupar com isso, pois em ano de eleição, e com sua pretensão de se reeleger, a baixa popularidade entre os eleitores do segundo maior colégio eleitoral do país – 40.654.818 (27,01% do total), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) -, pode ser um enorme empecilho.

61% dos nordestinos reprovam Bolsonaro

De acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada nessa quarta-feira (9), 61% dos nordestinos reprovam o trabalho de Bolsonaro como presidente. O mesmo percentual (61%) diz que vai votar no ex-presidente Lula, que tem 45% das intenções de voto em todo o país e pode vencer no 1º turno.

“As formas pejorativas que Bolsonaro continua utilizando para se referir aos nordestinos só demonstra o preconceito e o descaso histórico das elites com o desenvolvimento econômico e social da região”, diz o Wil Pereira, presidente da CUT Ceará.

Segundo ele, Bolsonaro dificulta o repasse de recursos da União para os nove estados da Região, “ataca as nossas principais lideranças e ainda acha engraçado debochar do nosso povo”. 

“Não vamos mais aceitar essa situação, em outubro daremos uma boa resposta nas urnas”, conclui Wil.

O secretário-ajunto de Comunicação da CUT, o pernambucano, Admirson Medeiros Ferro Junior, mais conhecido como Greg, concorda com a avaliação de Will. A resposta a Bolsonaro será dada na eleição de outubro deste ano.

“O nordestino já deu a sua resposta aos comentários preconceituosos e fascistas de Bolsonaro na eleição passada. O percentual de votos nele foi pífio por aqui, mas ele não aprendeu a lição e continua sem reconhecer o valor daqueles que construíram São Paulo, Brasília e o Brasil. Prefere insultar. A resposta este ano será mais dura ainda”, avalia Greg.

“Vamos responder nas urnas aos constantes ataques que o povo nordestino vem sofrendo. Vamos eleger mais uma vez um nordestino, o primeiro a dar visibilidade a região, a respeitar o povo, investir pesado para desenvolvimento local, gerando emprego e renda. É por tudo isso que o Nordeste vai votar em Lula”, conclui o dirigente CUTista.  

“No Nordeste até Bolsonaro é 13, número do PT, como o povo brinca se referindo ao resultado da última pesquisa Genial/Quaest, que deu Lula com 61% das intenções de voto na região e Bolsonaro com apenas 13%”, conclui Greg.

Fonte: CUT

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