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Por 11:15 Notícias, Recentes

Pelo quarto ano consecutivo governo corta crédito para a agricultura familiar

Pelo quarto ano consecutivo o governo de Jair Bolsonaro (PL) cortou crédito para a agricultura familiar, ao invés de ajudar esses agricultores, responsáveis por 70% dos alimentos que os brasileiros põem à mesa, a produzir mais e reduzir os preços dos alimentos.

Essa semana, o governo acabou com as linhas de crédito do Plano Safra, que tinham juros de 3% para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Custeio), mais baixos do que a Selic, taxa básica de juros que está na casa dos 11,75%.

A desculpa do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a suspensão das contratações de crédito no atual plano safra é a falta de orçamento e os recursos previstos para a subvenção dos Pronaf não serem suficientes devido a elevação da Selic. 

O valor disponibilizado está bem abaixo da necessidade dos agricultores, que reivindicam junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para o próximo plano safra, R$ 50 bilhões.

O prejuízo para a agricultura familiar, que já vem sofrendo com as mudanças climáticas, será enorme, avalia a direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), lembrando que o governo pouco fez para amenizar a situação de agricultores do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – que sofreram com a seca; e os do Sudeste – Minas Gerais e Espírito Santo -, e do Nordeste – Bahia -, atingidos por enchentes que destruíram plantações de diversos tipos. Somente depois de muita mobilização dos agricultores, no Rio Grande do Sul, que o governo renegociou dívidas e ofereceu descontos nos pagamentos dos contratos.

“O corte no financiamento só vai aumentar ainda mais a vulnerabilidade dessas famílias, principalmente as que estão no processo de entressafra e precisam acessar o crédito”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Política Agrícola da Contag.

 A interrupção do crédito

As demais linhas com juros a 4,5% foram suspensas em 7 de fevereiro. O Plano Safra 2021/2022, estava com valor previsto de R$ R$ 39,3 Bilhões, mas até março deste ano, segundo dados do próprio governo, foram utilizados R$ 33 bilhões em 1.085.535 contratos.

O Pronaf Custeio também havia sido interrompido em fevereiro, mas depois de longa negociação com os agricultores familiares e mobilização, o governo voltou atrás e reativou o crédito, que agora corta novamente. Ele é destinado às despesas da agricultura familiar, como aquisição de embalagens, insumos, sementes, vacinas, ração, animais para recria e engorda, entre outros itens necessários para o dia a dia da produção agrícola ou pecuária.

Aumento nos preços dos alimentos

Vânia Marques Pinto lamenta a decisão do governo que não levou em consideração os atuais preços dos alimentos, como o da cenoura, chegando em algumas cidades a R$ 19 o quilo. 

“A tendência é piorar os preços dos alimentos se levarmos em conta que a agricultura também depende do preço dos combustíveis”, diz.

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