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Por 09:47 Notícias, Recentes

Preço do combustível é o maior responsável pelo aumento de quase 5% na conta de luz

Os consumidores residenciais e industriais já devem começar a pagar a mais pelo reajuste nas tarifas de energia, após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aprovar seu orçamento de 2022 da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O preço do combustível, reajustado pela Petrobras com base na Política de Preços Internacionais (PPI), que leva em consideração os aumentos dos barris de petróleo e a cotação do dólar, é o maior responsável pelo aumento de quase 5% nas contas de luz.

No orçamento da Aneel, está previsto um gasto de R$ 32,1 bilhões – 54% a mais do que o atual – de subsídios para a Conta de Desenvolvimento Energético, um fundo usado para bancar ações e subsídios concedidos pelo governo no setor de energia. Deste total,  R$ 30,2 bilhões serão pagos pelos brasileiros.

Para bancar o aumento, a Aneel vai reajustar em 4,65% as tarifas de energia dos consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e em 2,41% as tarifas nas regiões Norte e Nordeste. Na média nacional, o reajuste será de 3,39%.

Para justificar o aumento, a Agência culpa os aumentos nos preços dos combustíveis e o cadastro automático da tarifa social de energia que teve mais 700 mil famílias cadastradas.

O engenheiro elétrico da Eletrobras, Ikaro Chaves, desmonta a argumentação da Aneel. Segundo ele, esse percentual nada mais é do que incompetência do governo de Jair Bolsonaro (PL), responsável pela PPI, que o ilegítimo Michel Temer (MDB) criou e ele manteve, pela falta de políticas efetivas para o setor e decisões contrárias aos interesses do Brasil e dos brasileiros, aliada à escassez hídrica do ano passado.

“O modelo energético atual de utilização de termoelétricas à base de combustíveis como óleo diesel, faz o brasileiro pagar mais caro por uma conta que não deveria pagar”, explica.

Segundo a própria Aneel o maior volume de recursos aprovados de R$ 11,9 bilhões, será destinado à compra de combustíveis para a geração de energia enquanto as tarifas sociais demandam R$ 5,4 bilhões.

O engenheiro explica ainda que os subsídios das termoelétricas todos nós pagamos, já que elas estão ligadas ao sistema nacional, que atende aos lugares mais isolados como a região Norte.

“Se não houvesse o subsídio a população de Roraima, por exemplo, teria uma tarifa impossível de ser paga, mas nada justifica a política de preços da Petrobras, que este governo mantém, aumentando os preços dos combustíveis que se refletem na conta de luz”, conclui Ikaro.

Nordeste sofre mais com os reajustes recentes nas contas

Os reajustes autorizados para os clientes residenciais, na última terça (26), foram para as distribuidoras Neoenergia Pernambuco (18,50%)  e da Equatorial Alagoas (19,86%).

Na semana passada, a Aneel já havia aprovado o maior reajuste até o momento de 23,99%, na tarifa residencial para clientes da Enel Ceará

Na Enel Rio, que atende parte do Rio de Janeiro, a alta para clientes residenciais foi de 17,14%.

O que é CDE

Os subsídios contidos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), são pagos mensalmente pelos consumidores em suas contas de luz.

Entre eles, estão os subsídios para consumidores de baixa renda; a geração de energia e sistemas isolados do norte do país; a geração de energia a carvão mineral e investimentos em eletrificação rural.

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