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‘Congressistas dos EUA estão atentos aos ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral’, afirma comitiva brasileira

O Departamento de Estado e congressistas dos Estados Unidos estão acompanhando com preocupação as ameaças do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral e à eleição presidencial no Brasil. De acordo com a diretora de programas da Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, as autoridades estadunidenses confirmaram que os EUA reconhecerão rapidamente o vencedor do pleito, em outubro. 

O pedido foi levado por uma comitiva brasileira, composta por 19 organizações sociais. A viagem é organizada pelo centro especializado no pensamento e divulgação do Brasil no país, o Washington Brasil Office (WBO) que promove, desde a última segunda-feira (25), reuniões para discutir temas político-eleitorais, como o sistema eleitoral do Brasil nas eleições, em 2 de outubro, e as ameaças de um possível golpe realizadas pelo próprio Bolsonaro. 

Ontem (26), a comitiva brasileira se reuniu com altas autoridades do Departamento de Estado, órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores dentro do país. No encontro, que durou quase duas horas, as organizações apresentaram um panorama do que classificaram como “deterioração da institucionalidade brasileira” em matéria democrática e em direitos humanos, desenhando inclusive cenários de risco em relação ao que possa acontecer no Brasil nos próximos meses, conforme descreveu Camila Asano em entrevista ao Seu Jornal, da TVT. 

Temor mundial

De acordo com a executiva da Conectas, as autoridades se mostraram preocupadas com os ataques à democracia e ressaltaram a confiança no sistema eleitoral do Brasil. O departamento destacou que as urnas novamente servirão para afirmar a vontade do povo brasileiro, como já havia defendido em nota da Embaixada dos EUA, há uma semana, quando Bolsonaro reuniu dezenas de diplomatas estrangeiros no Palácio da Alvorada para repetir suspeitas infundadas, e já esclarecidas, sobre a urna eletrônica. Além disso, Asano conta que as organizações também alertaram o órgão internacional sobre a possibilidade de atos antidemocráticos no feriado da independência brasileira, no dia 7 de setembro. 

Em convenção no último domingo (24), o presidente da República convocou manifestações para a data, como uma ida às ruas “pela última vez”, atacando ainda o Supremo Tribunal Federal (STF). “Levamos isso para o departamento de Estado e recebemos uma devolutiva muito positiva. (…)  Afirmações como essa são importantes, porque vão minando esses ataques infundados que o nosso sistema eleitoral tem recebido e que vem colocando em risco a democracia e as eleições no Brasil”, explicou a diretora. 

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Bernie Sanders vê similaridades

O grupo de brasileiros também se reuniu na tarde dessa terça com o senador democrata Bernie Sanders que se disse “muito impressionado” com relatos da comitiva sobre os ataques de Bolsonaro. Sanders gravou um vídeo na sequência do encontro, lamentando as inúmeras similaridades entre os ataques sem provas feitos pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump à democracia estadunidense, e que levou à invasão do Capitólio, com o que tem sido reproduzido por Bolsonaro contra a democracia brasileira. 

“Não me surpreende que Bolsonaro esteja tentando fazer o mesmo no Brasil. Esperamos muito que os resultados da eleição sejam reconhecidos e respeitados, e que a democracia vai de fato prevalecer no Brasil”, declarou o senador no vídeo. A gravação pegou de surpresa inclusive o diretor executivo do WBO, responsável pela visita da comitiva, Paulo Abrão, ex-secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. 

Fonte: RBA

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