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New York Times: Bolsonaro está com medo de ser preso e tem motivos para isso

O presidente Jair Bolsonaro (PL) está com medo de ser preso em caso de derrota na eleição, como mostrou reportagem da colunista Monica Bergamo, da Folha de S Paulo, no último dia 2, e tem motivos para estar, diz texto de Vanessa Barbara publicado no The New York Times nesta segunda-feira (8). 

A publicação cita o caso da ex-presidente golpista da Bolívia Jeanine Áñez, presa por atos antidemocráticos e por conspirar por um golpe em seu país. “O destino de Jeanine Áñez paira no ar”. A ex-chefe de Estado foi condenada a dez anos de prisão no início de junho, por assumir a presidência da Bolívia irregularmente, após a renúncia de Evo Morales em 2019. Bolsonaro ataca as urnas eletrônicas que, sem provas, diz ser insegura, ameaça os ministros das cortes superiores e diz que não vai aceitar o resultado das eleições, como Donald Trump fez nos EUA.

A colunista do NYT destaca que Bolsonaro tem demonstrado preocupação com uma possível prisão após o pleito de outubro, que “ele está prestes a perder”. “Esse medo explica suas tentativas enérgicas de desacreditar a eleição antes que ela aconteça – como, por exemplo, reunir dezenas de diplomatas estrangeiros para fulminar o sistema de votação eletrônica do país. (…) A verdade é que Bolsonaro tem motivos de sobra para temer a prisão”.

Acusações na Justiça não faltam para que Bolsonaro possa ser condenado, diz a colunista. “Está ficando difícil acompanhar todas as acusações contra o presidente e seu governo”.

Bolsonaro é acusado de estar ligado a uma “milícia digital” e de propagar desinformação de maneira deliberada, por exemplo. Mas “as irregularidades de Bolsonaro dificilmente se limitam ao mundo digital. Escândalos de corrupção definiram seu mandato, e a podridão começa em casa”, cita a colunista, destacando as acusações de rachadinha contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos). “Acusações semelhantes, relativas ao seu período como legislador, foram dirigidas ao próprio presidente. Em março, ele foi acusado de improbidade administrativa por manter um funcionário fantasma como seu assessor parlamentar por 15 anos”, lembra.

Há ainda o escândalo de corrupção no Ministério da Educaçãpo (MEC), que culminou com a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, solto logo em seguida, e a responsabilidade direta de Bolsonaro por muitas das quase 700 mil mortes por Covid-19 no país, como desmonstrou a CPI do Senado.

Bolsonaro responde às acusações impondo sigilos de 100 anos ou tentando obstruir as investigações, destaca o texto. “Para exercer esse poder, porém, ele precisa manter seu emprego. Com isso em mente, Bolsonaro vem distribuindo altos cargos no governo e usando um pote de fundos, chamado de ‘orçamento secreto’ por sua falta de transparência, para garantir o apoio de legisladores centristas”.

Além disso, Bolsonaro conseguiu por meio do Congresso aprovar a distribuição de R$ 41 milhões em benefícios sociais às vésperas da eleição. “Se vai ajudar a causa do presidente, quem sabe. Mas o sinal que envia é inconfundível: Bolsonaro está desesperado para evitar a derrota. E ele tem toda a razão de ser”.

Fonte: Brasil 247

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