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Por 12:50 Notícias

Deflação não chega aos mais pobres. ‘Continua tudo caro’

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira (9), pelo IBGE, registrou queda de 0,68% em julho. A deflação decorre principalmente da queda dos preços da gasolina (-15,44%) e do etanol (-11,38). Por outro lado, os preços dos alimentos continuam subindo, com alta de 1,30% no mês passado. Assim, apenas os mais ricos podem sentir algum alívio no bolso. Enquanto os mais pobres continuam sofrendo com a carestia.

É o que mostra o índice IPC FX, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que mede a inflação na cidade de São Paulo por faixa de renda. Para as famílias com renda superior a dez salários mínimos (R$ 12.120), houve deflação de 0,11%. Mas para aquelas que recebem até três mínimos (R$ 3.636), a alta de preços ficou em 0,44%, no mês passado.

Isso porque os gastos com alimentação representam uma parcela maior da renda dos mais pobres. Logo, o principal drama continua sendo o esvaziamento contínuo do carrinho do supermercado. Por outro lado, como a maioria não tem carro, ou se locomove prioritariamente pelo transporte público, essa parcela não sentiu a queda dos preços dos combustíveis na mesma proporção que a classe média alta e os mais ricos.

“A alta dos alimentos impacta diretamente os mais pobres. Porque a parcela maior do gasto de quem ganha menos está colocada na alimentação”, afirma o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior. Entrevistado por Rafael Garcia, para o Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (10), ele destaca que a redução dos preços dos combustíveis se deve fundamentalmente à redução do ICMS. Nesse sentido, trata-se de uma medida “eleitoreira”, “temporária” e “regressiva”, segundo ele.

Privilégio aos mais ricos

Fausto aponta que redução do ICMS sobre os combustíveis pode até produzir nova deflação no próximo mês. Mas seus efeitos tendem a se diluir ao longo do tempo. Além disso, tal medida resulta em perda de arrecadação para estados e municípios. O que deve reverter em queda nos investimentos nos serviços públicos, fenômeno que deve ser sentido a partir do próximo ano.

“É uma política baseada na concentração de renda e no privilégio dos mais ricos em relação aos mais pobres. Quando o governo optou por esse caminho de redução de impostos dos estados, o que acaba acontecendo é que você retira recursos da Saúde, Educação e Assistência Social. E transfere para a classe média e para a classe alta, porque são os que de fato se utilizam mais da gasolina do etanol”, criticou o diretor do Dieese. “Além disso, é uma medida que acontece a poucos meses da eleição. Ou seja, é claramente eleitoreira”, acrescentou.

Além disso, Fausto ainda destacou outros fatores que contribuem para a piora da qualidade de vida da população. Como exemplos, ele citou as altas taxas de desemprego e o recorde de trabalhadores na informalidade, o que resulta na queda continuada na renda dos brasileiros. Nos últimos 12 meses, o rendimento médio do trabalhador caiu 5,1%.

Internautas reclamam

Enquanto o governo comemora a deflação, nas redes sociais, os internautas alegam que não sentiram qualquer alívio no bolso. O termo “CONTINUA TUDO CARO” esteve entre os mais comentados nesta quarta-feira (10). O preço do leite longa vida, que subiu 25,46% em julho, foi um dos mais citados. Outros laticínios, como o queijo e a manteiga, também tiveram alta de mais de 5% somente no último mês.

Os usuários também associaram a alta dos alimentos com o quadro de fome que afeta 33 milhões de brasileiros. E destacaram que se as condições econômicas não estivessem ruins, o governo Bolsonaro não teria se empenhado em aprovar o auxílio de R$ 600 até o final do ano, em mais uma ação classificada como “eleitoreira”.

Fonte: RBA

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