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Jornalistas repudiam proposta das empresas que impõe mais perdas salariais e retira direitos

Após quase cinco meses de negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), os representantes das empresas apresentaram no último sábado, 13 de agosto, uma nova proposta em que negam todas as reivindicações da categoria e propõem o agravamento das perdas salariais e de retirada de direitos. O documento foi rejeitado após análise das direções do SindijorPR e Sindijor Norte PR e ampla consulta aos jornalistas de todo o estado.

Em março, os jornalistas aprovaram em assembleia uma pauta de reivindicação mínima – apenas com a correção da inflação dos 12 meses terminados em abril de 2022 (de 12,47%) e das perdas acumuladas nas duas CCTs anteriores (em 2020 e 2021), quando as empresas concederam apenas 50% da inflação, acarretando em 5,3% de defasagem. Com isso, para repor o poder aquisitivo, seria necessário um reajuste de 17,7%, mas as empresas oferecem apenas 4%. O percentual, traduzido em valores, representa míseros R$ 152,00 de reajuste quando aplicado ao piso da categoria.

Além da proposta de reajuste ínfimo, que corrói ainda mais os salários e o poder aquisitivo dos jornalistas, as empresas apresentaram uma série de medidas que retiram direitos da categoria e agravam o estado de miserabilidade a que se encontram muitos profissionais.

Uma das propostas vergonhosas dos patrões é o congelamento do piso salarial, conquistado pela categoria após décadas de luta. Outra, de mesma gravidade, impõe o fim do adicional por tempo de serviço (anuênio) – já rejeitado em anos anteriores pela categoria -, o que faz desmerecer os jornalistas que dedicam anos a fio de suas vidas às empresas e também se traduz em redução salarial.

Mais depreciativo ainda é a proposta que abre brecha para a contratação sem registro profissional, o que aprofunda a precarização da profissão, ataca frontalmente o jornalismo de qualidade, desconsidera os profissionais que se esforçam para estudar e se qualificar, menospreza as instituições de ensino, professores e pesquisadores de jornalismo e coloca em risco o direito de acesso da população à informação segura e ética.

Diante da tentativa de retrocesso imposto pelas empresas, que implica em perdas gravíssimas aos jornalistas e danos à toda a sociedade, com a destruição das condições de trabalho e de subsistência de profissionais e de uma profissão imprescindível, a categoria decidiu rechaçar a proposta patronal e determinar um prazo de cinco (5) dias úteis para que os empregadores se manifestem.

O que os jornalistas pedem

– Reposição de 12,47%, referente à inflação do período da data-base (maio/2021 a abril/2022) medida pelo INPC;

– Reposição dos 5,3% de perdas acumuladas nas negociações coletivas anteriores (2020 e 2021);

– Ajuda de custos no valor de R$ 150,00, mensal, para profissionais que se encontrem em teletrabalho (home office);

– Concessão de plano de saúde pelas empresas aos trabalhadores e trabalhadoras jornalistas;

– Auxílio-creche para filhos de até 5 (cinco) anos de idade, por meio de reembolso no valor mensal de R$ 600 (seiscentos reais), por filho;

– Medidas para prevenir e combater a prática de assédio moral e/ou sexual no ambiente de trabalho;

– Vale-alimentação no valor de R$ 20,00 por dia trabalhado aos jornalistas;

– Implementação de planos de cargos e salários, com a participação de empregados e do sindicato profissional.

O que as empresas propõem

– Negam todas as reivindicações dos jornalistas;

– 4% de reajuste, sem retroativo;

– R$ 400 de abono em fevereiro de 2023;

– Fim do anuênio, direito assegurado há décadas;

– Contratação sem registro profissional;

– Redução da hora extra para 75% (primeira hora)/85% (segunda hora) – hoje é 100%, independente da hora.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) lamenta a forma com que os profissionais do Paraná estão sendo tratados nesta negociação coletiva pelos empresários da comunicação. A entidade se solidariza com seus Sindicatos filiados, SindijorPR e Norte PR, e vê com espanto essa tentativa de impor perdas e promover o desmonte da profissão no Estado.

Fonte: SindijorPR e Sindijor Norte

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