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Ex-candidatos a presidente defendem vitória de Lula em primeiro turno para evitar mais violência bolsonarista

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se na manhã desta segunda-feira (19), em São Paulo, com ex-candidatos a presidente da República. Além do simbolismo em torno da ideia da frente ampla para derrotar Jair Bolsonaro (PL), o evento teve o objetivo declarado de aumentar a possibilidade de vitória do petista já no primeiro turno, daqui a 13 dias. Algumas pesquisas, como a BTG/FSB divulgada hoje, já captam migração de votos de Ciro Gomes (PDT) para Lula.

Participaram os ex-candidatos à Presidência Guilherme Boulos (Psol), Cristovam Buarque (Cidadania), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT), Henrique Meirelles (União Brasil), Luciana Genro (Psol) e João Goulart Filho (PCdoB). Lula fez um discurso enxuto em que destacou o desejo de liquidar a eleição  presidencial já no dia 2 de outubro. “Até agora só ganhei eleição no segundo turno. Mas não é porque gosto do segundo turno, mas sempre havia alguém que não me deixava ganhar”, disse. “Outra vez estou trabalhando pra ganhar no primeiro turno.” Segundo ele, a disputa em 2022 é “atípica”. “Todos os candidatos, desde o atual presidente e os outros, estão numa briga mais forte contra mim do que contra os outros.”

O ex-presidente dirigiu-se inclusive à imprensa: “Vocês serão chamados por esses companheiros que estão aqui a se decidirem no dia 2. Não precisa dizer pra mim que o voto é secreto. Se quiserem resolver o problema estou pronto pra recebê-los de braços abertos”, afirmou.

Haddad: Bolsonaro e os funerais da rainha

Haddad também citou a imprensa para comentar a presença de Bolsonaro nos funerais da rainha Elizabeth II. “Mesmo agora, a imprensa que relutou durante tanto tempo em chamar o bolsonarismo pelo nome, uma força de extrema direita, agora consegue reconhecer que aquele que usurpou o nosso bicentenário, que não se importou com a partida de quase 700 mil brasileiros (mortos pela covid-19), vai a um funeral de alguém por quem não dá a menor importância pra fazer comício político”, analisou.

Segundo ele, Bolsonaro faz a viagem para “conversar com os governos mais extremistas do mundo tentando formar uma coalizão de forças extremistas de direita que comprometem a democracia e a liberdade”.

Na agenda que terá em Nova York a partir desta terça-feira (19), onde ocorre a Assembleia Geral das Nações Unidas, o chefe de governo brasileiro não terá nenhum encontro com lideranças importantes. Mas vai se encontrar com os presidentes da Polônia (Andrzej Duda), da Sérvia (Aleksandar Vucic), do Equador (Guillermo Lasso) e da Guatemala (Alejandro Giammattei). Juntos, esses países representam irrisório 0,75% das exportações brasileiras.

Geraldo Alckmin, candidato a vice-presidente, destacou a democracia. “É o que nos une nesse momento singular e triste, quando se questiona o processo democrático e se tem saudade da ditadura, e é hora de reafirmarmos nossa convicção pela democracia. Violência, morte e negacionismo não é politica, é antipolítica”, afirmou Alckmin.

Marina: “reconciliação do Brasil consigo mesmo”

Segundo Marina Silva, candidata a deputada federal por São Paulo, a reunião de representantes de setores tão diferentes “significa a necessidade de uma reconciliação do Brasil consigo mesmo”. Ela citou a filósofa judaico- alemã Hannah Arendt, para falar da “banalização do mal”. “É achar que destruir o meio ambiente é algo que é em beneficio do desenvolvimento, e não é; que destruir a educação se faz em nome de ideologias esdrúxulas”.

A banalização do mal, continuou, é também “alguém tripudiando da dor, do sofrimento, do choro daqueles que estão enlutados”, disse, em alusão clara a Bolsonaro. A ideia da frente ampla é mostrar a necessidade de “dialogar com todos os cidadãos, com todos os credos, com quem crê, com quem não crê”, disse Marina.

Sem citar nomes, mas em aceno a representantes de outros setores, como o presidenciável Ciro Gomes (PDT), o coordernador do programa de governo da frente, Aloizio Mercadante, afirmou: “Convidamos todos aqueles que se manifestaram publicamente na defesa da candidatura de Lula. Mas a porta continua aberta para todos os que quiserem vir dos mais amplos setores da sociedade, o que fica evidente por essa reunião”.

Guilherme Boulos (Psol-SP), candidato a deputado federal:

“Acredito que esse encontro vai ser lembrado mais adiante como um momento histórico”, disse. Ele comparou o momento com o período da campanha pelas Diretas Já em 1984 “para derrubar uma ditadura militar”. “Nossas diferenças são públicas, mas estamos aqui para dizer que nossas diferenças são menores do que o que nos une.”

Cristóvam Buarque, ex-ministro da Educação:

“Será uma tragédia se houver segundo turno. Não tenho dúvida de que Lula ganhará se houver segundo turno, mas serão quatro semanas imprevisíveis do ponto de vista de violência nas ruas, de fake news para todos os lados. Precisamos evitar de qualquer maneira um segundo turno.” Para ele, o primeiro turno é democrático, mas, na atual conjuntura, “não é responsável irmos para um segundo turno”.

Luciana Genro (Psol-RS), candidata a deputada estadual:

 “A amplitude das forças que se encontram aqui demonstram a gravidade do momento. Compomos uma frente antifascista. O projeto representado pelo Bolsonaro é um projeto racista, misógico, lgbtfóbico, que quer eliminar os seus adversários, considerados inimigos de morte.” Para ela também, “o desafio é impedir que essa violência seja ainda maior no segundo turno. Segundo Luciana, a eleição de Lula “vai nos possibilitar respirar novamente”.

João Vicente Goulart, dirigente do PCdoB:

“O momento é tão grave quanto aqueles momentos posteriores a 64, (quando) o manto da ditadura cobriu o país por 21 anos.”

Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central:

Afirmou da importância de “ater-se a fatos” e sua gestão como presidente do BC no governo Lula. “Quando trabalhamos juntos por oito anos, mais de 8 milões de empregos foram criados. Isto é um fato. Mais de 40 milhões de brasileiros saíram da pobreza. Isso mudou o país. Tivemos crescimento médio de 4% no período.” Para Meirelles, “a injeção de dinheiro eleitoreira (por Bolsonaro) vai criar problemas que serão resolvidos, mas vai dar trabalho”.

Foto: Divulgação

Fonte: RBA

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