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Por 11:01 Bancos, Recentes

Lula sobre ação contra Banco Master: “Primeira vez que estamos perseguindo os magnatas da corrupção”

Em incursão em São Paulo, principal colégio eleitoral do país, nesta segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva calibrou o discurso para entrar na disputa pelo quarto mandato no Palácio do Planalto e deu o tom àquele que é o tema mais usado pela oposição bolsonarista em conluio com a mídia liberal para atacar seu governo: a corrupção.

Ao lado de prefeitos de partidos do Centrão e até do PL, de Jair e Flávio Bolsonaro, em ato para anúncios de investimentos do Novo PAC Saúde em Mauá, na região metropolitana da capital, Lula calibrou o discurso e revelou que vai colocar o tema no centro do debate sobre a desigualdade social no país.

Como exemplo, Lula citou diretamente as investigações da Polícia Federal (PF) contra Daniel Vorcaro, do Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro, um dia após o banqueiro ser preso na Operação Compliance Zero – um desdobramento da Carbono Oculto, que revelou o elo entre o sistema financeiro e o as facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Vorcaro tentou salvar o Banco Master construindo uma rede de influência em Brasília que engloba de políticos do Centrão a ministros de altas cortes. Ele chegou a se reunir com Lula, que foi enfático em dizer que não haveria “decisão política pró ou contra o Banco Master”: “haverá investigação” , disse ao banqueiro.

No ato em Mauá, Lula adaptou um antigo bordão – “nunca na história desse país…” – para se referir à luta contra a corrupção no andar de cima.

“Então, vocês estão vendo a nossa briga com o tal do banco Master, estão vendo? Estão vendo a briga desse banco aí, que deu um desfalque de quase R$ 80 milhões? É a primeira vez – presta atenção -, é a primeira vez na história do Brasil que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção desse país“, disparou.

Lula, então, mandou recado aos adversários que pregam linha dura na segurança, mas apenas para pobres, como ocorreu com a ação de Cláudio Castro (PL-RJ) nas comunidades da Penha e do Alemão, que deixaram 130 mortos.

“Não é prender o cara que está na favela ou matar ele. Não! É prender aquele que está de terno e gravata roubando e mora em apartamento de cobertura ou mora em Miami”, disse.

O presidente ainda contou que falou com o presidente dos EUA sobre combate ao crime organizado e exortou o Republicano a “entregar” os corruptos brasileiros que se abrigam nos EUA.

“Eu, por exemplo, conversei com o Trump e o Trump falou: ‘oh, presidente Lula, eu quero combater o crime organizado’. Eu falei: ‘Eu também quero. Você quer combater de verdade? Me entregue os bandidos brasileiros que estão lá. Nós pegamos R$ 250.000 de combustível contrabandeado em cinco navios. Sabe onde mora o cara? Em Miami. Sabe aonde? Na melhor casa de Miami. Eu falei me entregue ele. Vamos combater o crime organizado”, afirmou.

Lula se referia ao megasonegador Ricardo Magro, do Grupo Refit, que também é alvo de investigações da Polícia Federal. Morando em Miami, onde atua como DJ, Magro seria responsável por montar uma rede de empresas offshore no estado da Pensilvânia, um paraíso fiscal dentro dos EUA, para lavar dinheiro do crime organizado e, entre outros, enviar fuzis que são vendidos a facções, como o Comando Vermelho, em contêineres para o Brasil.

“Ou a gente acaba com a corrupção das classes poderosas nesse país, ou eles voltam a acabar com o povo brasileiro”, emendou Lula, usando o exemplo da fome, que após o golpe contra Dilma Rousseff (PT) em 2016, voltou a assolar o país.

“Eu voltei em 2023, 33 milhões de pessoas estavam passando fome. Nós acabamos com a fome em 2 anos e eu quero não só acabar com a fome. Eu quero que o povo brasileiro coma bem. Tome café bem, almoce bem, jante bem, se vista bem. […] A gente quer viajar de férias, a gente quer passear. E é esse país que eu quero construir e eu só vou construir se vocês se transformarem no Lula, porque eu digo: ‘eu não sou eu, eu sou vocês’”, emendou, mandando um recado final aos opositores.

“Então, vamos à luta pra gente não permitir a volta do fascismo nesse país”, conclui.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Texto: Plinio Teodoro

Fonte: Revista Fórum

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