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Por 11:16 Bancos, Recentes

Diretor da PF diz que caso Master é a maior investigação contra o sistema financeiro

Responsável por entregar em mãos a Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o relatório em que consta citações ao ministro Dias Toffoli em conversas no celular de Daniel Vorcaro, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos, diz que tem aval para ir “ao fundo” com as investigações sobre a Faria Lima, foco principal dos investigadores para o combate ao crime organizado.

“O foco que temos é trabalhar com independência e busca de excelência da prova, até porque isso afeta todo um ecossistema. E nós vamos, com esses parâmetros, até onde for necessário e até onde for possível alcançar. Iremos a fundo. Já mostramos que não estamos aqui para proteger nem perseguir ninguém. Se encontrarmos pessoas de grande estatura política, social e econômica, vamos em frente”, afirmou Passos em entrevista ao jornal O Globo.

Sobre a suspeição de Toffoli, relator do caso Master no STF, o diretor da PF diz que é uma “questão técnica” que caberá ao próprio Supremo.

“Isso é uma questão técnica. Não é uma questão legal, jurídica, e não compete à Polícia Federal arguir qualquer questão que não seja da sua competência. Isso o próprio Supremo, creio eu, saberá analisar, se for o caso de analisar, no momento oportuno. Ou se o relator identificar algum caso que ele entenda obrigado pela lei em relação a impedimento ou suspeição, ele deve fazer essa apreciação que é do Poder Judiciário, e não da polícia”.

Segundo Passos, as investigações da PF, focada nas negociações com o Banco de Brasília (BRB), que fica sob a tutela do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), devem ser concluídas em dentro do prazo de 60 dias, mas lembra do inquérito conduzido pelo Ministério Público de São Paulo e ressalta que os “achados” da investigação devem gerar novos processos.

“É importante lembrar que há outro inquérito de São Paulo que também está com o STF e que, inclusive, o objeto é muito mais abrangente. Envolve fraude com o sistema financeiro, gestão fraudulenta, questão dos fundos. A hipótese criminal é mais ampla do que nesse outro caso. Então, isso segue investigado. Além dos outros que tratam dos fundos dos servidores, que fizemos pelo menos duas operações no Rio e no Amapá”, diz sobre os desdobramentos do caso e faz um alerta.

“Os volumes de recursos são algo impressionante. Hoje, ninguém fala mais em milhão. É tudo bilhões, no plural. Perdemos o senso. É a maior investigação contra o sistema financeiro”, emenda.

“Andar de cima”

Indagado sobre o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, Passos reafirmou a orientação que vem do Planalto, de focar o combate no “andar de cima”, como já havia prenunciado o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, durante o desencadeamento das operações com foco na relação entre facções criminosas e a Faria Lima.

“Nosso foco é o andar de cima do crime organizado. Não é prender preto e pobre na favela. É tirar das organizações criminosas as principais coisas que eles têm: dinheiro e liderança. Então, o nosso foco é descapitalizar as organizações e prender as lideranças”, afirmou.

O diretor da PF ainda foi provocado a falar sobre “uma testemunha apontou o envolvimento de um filho do presidente Lula com um lobista do esquema”, sobre as investigações de fraudes no INSS. Passos respondeu com uma orientação do próprio presidente.

Texto: Plinio Teodoro

Fonte: Revista Fórum

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