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Campanha unificada ganha corpo nos estados

Entrevista / Artur Henrique
Desde o lançamento da Campanha Unificada dos Trabalhadores, dia 18 de agosto, em São Paulo, a Direção da CUT Nacional tem se empenhado, junto com as instâncias estaduais, a lançar a Campanha em diversas partes do país para apresentar para a sociedade o conjunto das principais reivindicações da CUT e seus sindicatos.
O presidente da CUT Nacional, Artur Henrique, tem acompanhado esses lançamentos. Nesta conversa com o Portal do Mundo do Trabalho, ele explicita os principais pontos da plataforma que tem seis eixos centrais:
– salário
– emprego
– jornada de trabalho
– saúde e segurança
– direitos sindicais
– políticas públicas
PMT – A Campanha Unificada dos Trabalhadores tem vários pontos importantes. Você acha que todas essas reivindicações podem ser conquistadas ao mesmo tempo?
Artur Henrique – Todos os pontos são igualmente importantes, e vamos trabalhar para conquistá-los. Nosso desafio é colocar o emprego e a valorização do trabalhador como prioridades nas ações de governo, e arrancar compromissos das empresas no mesmo sentido. Penso que algumas das propostas estão mais próximas de se tornar realidade, porque dependem de iniciativas do governo e do Congresso Nacional.
A Campanha não tem prazo de validade. É permanente, vamos trabalhar por ela o tempo que for necessário.
Há reivindicações que não se relacionam diretamente com dinheiro?
Ao longo dos anos, até o período FHC, os trabalhadores vêm sofrendo privações. É o trabalhador quem constrói o mundo e suas riquezas. Com essa convicção, nossa Campanha Unificada reivindica melhorias na qualidade de vida, no ambiente de trabalho. Queremos a limitação das horas extras, pedimos a redução da jornada, que também vai ajudar a gerar novos empregos. A pauta também quer combater o assédio moral, a maneira cruel de alguns patrões tratarem seus trabalhadores. Por fim, queremos controlar o ritmo de trabalho cada vez mais enlouquecido nas linhas de montagem, nos bancos, nas empresas de transporte e outros setores. Quando o trabalhador se transforma numa máquina, como querem muitos patrões, a saúde mental e física é destruída.
E como a CUT vai fazer para alcançar os objetivos da Campanha?
Vamos entregar a pauta para os sindicatos de patrões, como a Fiesp e a Federação Nacional de Bancos, e vamos negociar ponto a ponto. Vamos fazer o mesmo com as três esferas de governo federal, estaduais e municipais. Estamos fazendo mobilizações de rua, conversando com as pessoas para explicar nossos objetivos e mostrando que esse assunto interessa a todos os trabalhadores.
Como tem sido a recepção nos locais onde a Campanha já foi lançada?
Tem sido muito boa. Já fizemos lançamentos em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Brasília e Pernambuco e cada local tem uma realidade diferente. Geralmente, pela manhã, fazemos uma plenária de sindicatos cutistas para aprofundar o debate dos temas e esclarecer eventuais dúvidas; depois destinamos um tempo para atender a imprensa e no meio da tarde, em geral, acontece um ato político. No Rio de Janeiro, por exemplo, o jornal da Campanha foi distribuído na Central do Brasil, que é um local por onde passam milhares e milhares de pessoas, trabalhadoras e trabalhadores. Então, estamos fazendo assim, divulgando nossas propostas e começando a construir essa campanha, que, como eu disse, não tem prazo para terminar.
Mudando um pouco de assunto, esta semana o Congresso derrubou as Medidas Provisórias 293 e 294 [que tratam da legalização das centrais sindicais e da criação do Conselho Nacional de Relações do Trabalho]. Você estava lá, qual é a sua avaliação sobre esse processo?
O Congresso Nacional fez o esforço concentrado para desobstruir a pauta de votação, mas a preocupação principal foi votar o fim do voto secreto; não houve empenho em se discutir com profundidade os pontos das demais MPs. Essas duas que você citou tiveram o aceite da admissibilidade, ou seja, são constitucionais, no entanto, elas foram rejeitadas pelo mérito.
E quais são as alternativas agora?
Como as medidas foram consideradas constitucionais, o governo poderá reeditá-las e aí teremos outro trabalho de convencimento sobre os parlamentares.
Mas o governo não vai mexer nesse assunto até as eleições.
Com certeza, não.
Fonte: CUT

Por 10:03 Sem categoria

Campanha unificada ganha corpo nos estados

Entrevista / Artur Henrique

Desde o lançamento da Campanha Unificada dos Trabalhadores, dia 18 de agosto, em São Paulo, a Direção da CUT Nacional tem se empenhado, junto com as instâncias estaduais, a lançar a Campanha em diversas partes do país para apresentar para a sociedade o conjunto das principais reivindicações da CUT e seus sindicatos.

O presidente da CUT Nacional, Artur Henrique, tem acompanhado esses lançamentos. Nesta conversa com o Portal do Mundo do Trabalho, ele explicita os principais pontos da plataforma que tem seis eixos centrais:

– salário

– emprego

– jornada de trabalho

– saúde e segurança

– direitos sindicais

– políticas públicas

PMT – A Campanha Unificada dos Trabalhadores tem vários pontos importantes. Você acha que todas essas reivindicações podem ser conquistadas ao mesmo tempo?

Artur Henrique – Todos os pontos são igualmente importantes, e vamos trabalhar para conquistá-los. Nosso desafio é colocar o emprego e a valorização do trabalhador como prioridades nas ações de governo, e arrancar compromissos das empresas no mesmo sentido. Penso que algumas das propostas estão mais próximas de se tornar realidade, porque dependem de iniciativas do governo e do Congresso Nacional.
A Campanha não tem prazo de validade. É permanente, vamos trabalhar por ela o tempo que for necessário.

Há reivindicações que não se relacionam diretamente com dinheiro?

Ao longo dos anos, até o período FHC, os trabalhadores vêm sofrendo privações. É o trabalhador quem constrói o mundo e suas riquezas. Com essa convicção, nossa Campanha Unificada reivindica melhorias na qualidade de vida, no ambiente de trabalho. Queremos a limitação das horas extras, pedimos a redução da jornada, que também vai ajudar a gerar novos empregos. A pauta também quer combater o assédio moral, a maneira cruel de alguns patrões tratarem seus trabalhadores. Por fim, queremos controlar o ritmo de trabalho cada vez mais enlouquecido nas linhas de montagem, nos bancos, nas empresas de transporte e outros setores. Quando o trabalhador se transforma numa máquina, como querem muitos patrões, a saúde mental e física é destruída.

E como a CUT vai fazer para alcançar os objetivos da Campanha?

Vamos entregar a pauta para os sindicatos de patrões, como a Fiesp e a Federação Nacional de Bancos, e vamos negociar ponto a ponto. Vamos fazer o mesmo com as três esferas de governo federal, estaduais e municipais. Estamos fazendo mobilizações de rua, conversando com as pessoas para explicar nossos objetivos e mostrando que esse assunto interessa a todos os trabalhadores.

Como tem sido a recepção nos locais onde a Campanha já foi lançada?

Tem sido muito boa. Já fizemos lançamentos em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Brasília e Pernambuco e cada local tem uma realidade diferente. Geralmente, pela manhã, fazemos uma plenária de sindicatos cutistas para aprofundar o debate dos temas e esclarecer eventuais dúvidas; depois destinamos um tempo para atender a imprensa e no meio da tarde, em geral, acontece um ato político. No Rio de Janeiro, por exemplo, o jornal da Campanha foi distribuído na Central do Brasil, que é um local por onde passam milhares e milhares de pessoas, trabalhadoras e trabalhadores. Então, estamos fazendo assim, divulgando nossas propostas e começando a construir essa campanha, que, como eu disse, não tem prazo para terminar.

Mudando um pouco de assunto, esta semana o Congresso derrubou as Medidas Provisórias 293 e 294 [que tratam da legalização das centrais sindicais e da criação do Conselho Nacional de Relações do Trabalho]. Você estava lá, qual é a sua avaliação sobre esse processo?

O Congresso Nacional fez o esforço concentrado para desobstruir a pauta de votação, mas a preocupação principal foi votar o fim do voto secreto; não houve empenho em se discutir com profundidade os pontos das demais MPs. Essas duas que você citou tiveram o aceite da admissibilidade, ou seja, são constitucionais, no entanto, elas foram rejeitadas pelo mérito.

E quais são as alternativas agora?

Como as medidas foram consideradas constitucionais, o governo poderá reeditá-las e aí teremos outro trabalho de convencimento sobre os parlamentares.

Mas o governo não vai mexer nesse assunto até as eleições.

Com certeza, não.

Fonte: CUT

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