Alteração do quadro na Região Sudeste, principalmente com o enfraquecimento de Alckmin em São Paulo, e o avanço do segundo turno nos estados consolidam quadro favorável ao candidato à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
BRASÍLIA – Além dos recuos e das baixas na fronteira temática das privatizações, a campanha do presidenciável Geraldo Alckmin, da coligação Por Um Brasil Decente (PSDB-PFL), não conseguiu avançar em outras arenas importantes nesta etapa decisiva da corrida presidencial. A aglutinação de forças dispersas em áreas estratégicas como São Paulo e o avanço das disputas estaduais de segundo turno, combinados com as decisões dos partidos que não estão participando diretamente da disputa, consolidaram um quadro favorável ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, da chapa A Força do Povo (PT-PRB-PCdoB).
A acumulação de votos não depende apenas de alianças e declarações de apoio e precisa ser analisada caso a caso, explica o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB). “É muito difícil calcular isso, pois uma das principais características destas eleições consiste na política de alianças diferenciadas”, pondera.
“O que dá para dizer, com certeza, é que Lula está crescendo em São Paulo”, assinala Barreto. Basta notar que, segundo as últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha, Alckmin perdeu votos na Região Sudeste, que compreende os três estados (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro) com os maiores colégios eleitorais do País. No primeiro turno, em 1º de outubro, o tucano recebeu 45,22% (19,15 milhões de votos) do total do Sudeste, incluídas as abstenções, os brancos e os nulos. Lula, do PT, ficou com 43,28% (18,33 milhões de votos).
O levantamento do Datafolha com dados colhidos nesta segunda e terça-feira (23 e 24) mostra que Lula alcançou 50% das intenções de voto no Sudeste, contra 37% de Alckmin, nas respostas espontâneas, incluindo brancos, nulos e indecisos. No módulo estimulado, o presidente vai para 54% e o tucano bate nos 41%. Na pesquisa espontânea realizada pelo Ibope nos últimos dias 18 e 19 de outubro, Lula foi o escolhido de 48% dos eleitores da região, contra 38% de Alckmin. Na estimulada, o petista atingiu 49%, enquanto o ex-governador de São Paulo não passou de 40%.
Um dos motivos apresentados pelo cientista político da UnB para a queda de Alckmin se refere justamente à ausência de segundo turno para os governos de São Paulo e Minas Gerais, arrebanhados no primeiro turno respectivamente pelos tucanos José Serra e Aécio Neves. “Sem a eleição estadual, a mobilização perde força. O clima de disputa é menor”, destaca. Barreto identifica ainda uma divisão dentro da campanha presidencial tucana entre os que defendem uma postura ofensiva – incentivada pelo PFL – e os mais moderados, encarnados na postura de Aécio, que inclusive chegou a dizer que enfrentar Lula é tarefa das mais difíceis por estar se tratando de desafiar um “mito”. “Além de tentar ganhar votos dos eleitores de Lula, Alckmin tem que encarar uma disputa interna complicada”, especula o pesquisador da UnB.
São Paulo
O conservadorismo do eleitorado, principalmente em São Paulo, também pode ter influenciado nesse “esvaziamento” do apoio a Alckmin. “O vacilo de Alckmin em assumir bandeiras conservadoras da classe média e branca paulista pode ter interferido nos indicadores. O difícil é saber o quanto isso refletiu [na intenção de voto]”, assinala o pesquisador. A censura pública de figuras importantes dentro do PSDB como o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros sintetiza esse tipo de reação. De acordo com um parlamentar paulista do PT, as manifestações públicas pró-Lula, hostilizadas durante o primeiro turno no interior de São Paulo, passaram a ser bem recebidas neste final de segundo turno. “Esse negócio do Alckmin dizer que vai manter e ampliar o Bolsa Família não pegou bem. O pessoal de São Paulo sempre ouvia ele criticar o programa quando era governador”, emenda o petista.
Em contrapartida aos desencontros dentro da tropa tucana, Lula conseguiu o importante apoio de movimentos sociais e setores urbanos de base com um discurso coroado pela principal bandeira da esquerda – a redução das desigualdades sociais por intermédio do Estado. (Leia a análise Por que Lula dispara? e Campanha de Lula foi hábil em criar o “fantasma” de Alckmin)
O cientista político da UnB lembra que as pesquisas têm demonstrado dificuldade em prospectar dados especificamente na área da Grande São Paulo – principalmente pela escala monumental do conglomerado urbano e pelas diferenças abissais entre centro e periferia, caracterizadas por “realidades muito diferentes que convivem num único espaço”.
Para tentar aumentar a penetração da campanha do presidente, partidários de Lula priorizaram ações focalizadas justamente nesse público que vive fora do círculo mais abonado de São Paulo. Neste segundo turno, a coordenação realizou uma série de compromissos voltados para os moradores da periferia e o comício final de campanha será na Capela do Socorro, às 19h desta quarta-feira (25), que fica na Zona Sul da maior metrópole do País.
No dia 10, fez caminhada no centro de Guarulhos e esteve presente em plenária de mobilização – com a presença de representantes de movimentos sociais e de personalidades como o deputado Delfim Netto, hoje no PMDB, e o cantor Agnaldo Timóteo – no Clube de Regatas Tietê, na Marginal Pinheiros, na Zona Norte da cidade. No último sábado (21), a coordenação da campanha de Lula promoveu o “Ato Nordestino”, em São Miguel Paulista, na Zona Leste. Estiveram presentes a ex-prefeita da capital paulista Marta Suplicy e os governadores petistas eleitos Jaques Wagner (Bahia), Marcelo Deda (Sergipe) e Wellington Dias (Piauí) e a prefeita de Fortaleza (Ceará), Luizianne Lins. No domingo (22), o candidato à reeleição participou de uma caminhada em Cidade Tiradentes, também na Zona Leste, junto com artistas populares como Netinho de Paula (vocalista do grupo de pagode Negritude Júnior) e o astro do forró Frank Aguiar, conhecido como “cãozinho dos teclados” por causa dos ‘”latidos” que caracterizam suas apresentações musicais, eleito deputado federal pelo PTB de São Paulo.
Uma hora antes do comício final de Lula na Capela do Socorro, tucanos se reúnem no Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo, para o “Comício pela Vitória da Verdade”, com a presença do governador eleito de São Paulo José Serra, de Aécio Neves, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador eleito por Goiás Marconi Perillo e de Tasso Jereissati, senador pelo Ceará e presidente do PSDB. O comitê de Alckmin mesclou eventos em redutos da elite paulistana – como o ato “Juntos por um Brasil Decente”, no Esporte Clube Pinheiros – com caminhadas na periferia – em Capão Redondo (Zona Sul) e Cidade Tiradentes (Zona Leste).
Segundo turno nos estados
Do total de dez estados em que o governo está sendo decidido em segundo turno, as candidaturas apoiadas por Lula estão em vantagem em pelo cinco estados: Pará (com Ana Júlia Carepa, do PT, está em vantagem na disputa com Almir Gabriel, do PSDB), Paraná (Roberto Requião, do PMDB, com ligeira vantagem em relação a Osmar Dias, do PDT), Pernambuco (Eduardo Campos, do PSB, permanece favorito na disputa com Mendonça Filho, do PFL), Rio de Janeiro (onde Sérgio Cabral, do PMDB, abre diferença para Denise Frossard, do PPS) e Rio Grande do Norte (estado em que Wilma Faria, do PSB, está na frente de Garibaldi Alves, do PMDB). Em outros três, os apoiados por Alckmin tem mais chances de vencer: Goiás (Alcides Rodrigues, do PP, se mantém na dianteira do adversário Maguito Vilela, do PMDB), Santa Catarina (com o favoritismo do atual governador Luiz Henrique, do PMDB, no enfrentamento com Esperidião Amin, do PP) e Rio Grande do Sul (vantagem que vem caindo de Yeda Crusius, do PSDB, e Olívio Dutra, do PT).
Nos outros dois estados, a disputa permanece indefinida. No Maranhão (Roseana Sarney, do PFL, contra Jackson Lago, do PDT), Lula apóia oficialmente a filha do ex-presidente José Sarney, o PT defende Lago e o presidenciável tucano acabou ficando sem palanque. Na Paraíba, Cássio Cunha Lima, do PSDB, do mesmo partido de Alckmin, trava um confronto palmo a palmo com José Maranhão, do PMDB, apoiado por Lula.
A campanha tucana não conseguiu agregar votos em pontos estratégicos como o Rio de Janeiro, local em que indicadores – como a votação de Heloísa Helena, do PSol, que ultrapassou os 17% do total de votos no primeiro turno – denotavam significativa reprovação a Lula. A foto de Alckmin ao lado do ex-governador Anthony Garotinho, do PMDB, registrada para a eternidade logo no início das negociações de apoio para o segundo turno, desarticulou a “dobradinha” com Denise Frossard, do PPS, e provocou a ira do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, do PFL (leia também: Articulações dos “dias seguintes” ao 1º turno foram decisivas).
Na Região Sul, onde haverá segundo turno nos três estados e a votação de Lula no primeiro turno ficou aquém do esperado, o presidente ganhou apoio nos dois estados em que não tinha nenhum candidato “natural” alçado para a segunda etapa de votações. Requião (Paraná) e Amin (Santa Catarina) declararam voto no presidente nos últimos dias. Questionado sobre a aliança pragmática com Amin, um dos parlamentares petistas do estado foi direto. “Somos contra o [Jorge] Bornhausen [senador pelo PFL] em Santa Catarina da mesma forma como somos oposição ao ACM [Antônio Carlos Magalhães, também senador do PFL] na Bahia. Se ele estiver de um lado [no caso, Bornhausen apóia em SC a reeleição de Luiz Henrique, do PMDB], nós estaremos do outro”.
As pesquisas mostram que o alto grau de polarização no Rio Grande do Sul vem determinando um movimento crescente da campanha de Olívio Dutra, que diminuiu a diferença na batalha contra a líder Yeda, do PSDB. A peregrinação do governador reeleito do Mato Grosso, Blairo Maggi, entre agricultores da Região Sul, também tem ajudado a quebrar resistências entre os produtores agrícolas desses estados.
A influência de Maggi também se estende a Goiás, na Região Centro-Oeste. A campanha de Lula, por sinal, tem demonstrado empenho para fortalecer Maguito Vilela. O ex-governador passa por dificuldades no estado e dificilmente conseguirá tirar a diferença do atual vice-governador Alcides Rodrigues, do PP, neste segundo turno. Mesmo assim, a tropa presidencial não mede esforços. O vice-presidente José Alencar esteve em cidades de Goiás, Lula fez comício em Valparaíso, cidade goiana que fica no entorno do Distrito Federal e Blairo Maggi esteve em Rio Verde, perímetro agrícola do estado. Até o governador eleito Jaques Wagner, do PT, se dispôs a ajudar Vilela na região de divisa de Goiás com a Bahia.
A expectativa de petistas é de que Lula ainda possa alargar a vantagem na Região Nordeste, não só pela força dos candidatos apoiados por ele no segundo turno dos estados, mas também pelo aumento do contraste entre a candidatura do petista e a de Alckmin. O presidente esteve no Maranhão nesta terça-feira (24) e justificou o apoio a Roseana como uma retribuição pela lealdade do grupo político encabeçado por Sarney.
Na Região Norte, a candidatura de senadora petista Ana Júlia Carepa, no Pará, conquistou o apoio coeso da oposição ao PSDB, que já está no poder estadual há 12 anos (de 1995 a 2002, com o próprio Gabriel, e de 2003 a 2006, com Simão Jatene). “Não é só em São Paulo que o tucanato está há muito tempo”, observou um dirigente do PT. A campanha de Alckmin, por sua vez, publicou anúncio nos principais jornais de Manaus em que firma 18 compromissos com o Amazonas. Entre promessas de mais empregos com a produção de componentes para a TV Digital na Zona Franca de Manaus e de um hospital que seria construído com o dinheiro da venda do avião presidencial, o tucano cometeu o erro de anunciar o asfaltamento da Manaus-Boa Vista (BR-174), estrada concluída pelo governo FHC em 1998.
Por Maurício Hashizume.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.
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Por Mhais• 25 de outubro de 2006• 22:44• Sem categoria
Disputas estaduais e reversão de votos em São Paulo favorecem Lula
Alteração do quadro na Região Sudeste, principalmente com o enfraquecimento de Alckmin em São Paulo, e o avanço do segundo turno nos estados consolidam quadro favorável ao candidato à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
BRASÍLIA – Além dos recuos e das baixas na fronteira temática das privatizações, a campanha do presidenciável Geraldo Alckmin, da coligação Por Um Brasil Decente (PSDB-PFL), não conseguiu avançar em outras arenas importantes nesta etapa decisiva da corrida presidencial. A aglutinação de forças dispersas em áreas estratégicas como São Paulo e o avanço das disputas estaduais de segundo turno, combinados com as decisões dos partidos que não estão participando diretamente da disputa, consolidaram um quadro favorável ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, da chapa A Força do Povo (PT-PRB-PCdoB).
A acumulação de votos não depende apenas de alianças e declarações de apoio e precisa ser analisada caso a caso, explica o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB). “É muito difícil calcular isso, pois uma das principais características destas eleições consiste na política de alianças diferenciadas”, pondera.
“O que dá para dizer, com certeza, é que Lula está crescendo em São Paulo”, assinala Barreto. Basta notar que, segundo as últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha, Alckmin perdeu votos na Região Sudeste, que compreende os três estados (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro) com os maiores colégios eleitorais do País. No primeiro turno, em 1º de outubro, o tucano recebeu 45,22% (19,15 milhões de votos) do total do Sudeste, incluídas as abstenções, os brancos e os nulos. Lula, do PT, ficou com 43,28% (18,33 milhões de votos).
O levantamento do Datafolha com dados colhidos nesta segunda e terça-feira (23 e 24) mostra que Lula alcançou 50% das intenções de voto no Sudeste, contra 37% de Alckmin, nas respostas espontâneas, incluindo brancos, nulos e indecisos. No módulo estimulado, o presidente vai para 54% e o tucano bate nos 41%. Na pesquisa espontânea realizada pelo Ibope nos últimos dias 18 e 19 de outubro, Lula foi o escolhido de 48% dos eleitores da região, contra 38% de Alckmin. Na estimulada, o petista atingiu 49%, enquanto o ex-governador de São Paulo não passou de 40%.
Um dos motivos apresentados pelo cientista político da UnB para a queda de Alckmin se refere justamente à ausência de segundo turno para os governos de São Paulo e Minas Gerais, arrebanhados no primeiro turno respectivamente pelos tucanos José Serra e Aécio Neves. “Sem a eleição estadual, a mobilização perde força. O clima de disputa é menor”, destaca. Barreto identifica ainda uma divisão dentro da campanha presidencial tucana entre os que defendem uma postura ofensiva – incentivada pelo PFL – e os mais moderados, encarnados na postura de Aécio, que inclusive chegou a dizer que enfrentar Lula é tarefa das mais difíceis por estar se tratando de desafiar um “mito”. “Além de tentar ganhar votos dos eleitores de Lula, Alckmin tem que encarar uma disputa interna complicada”, especula o pesquisador da UnB.
São Paulo
O conservadorismo do eleitorado, principalmente em São Paulo, também pode ter influenciado nesse “esvaziamento” do apoio a Alckmin. “O vacilo de Alckmin em assumir bandeiras conservadoras da classe média e branca paulista pode ter interferido nos indicadores. O difícil é saber o quanto isso refletiu [na intenção de voto]”, assinala o pesquisador. A censura pública de figuras importantes dentro do PSDB como o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros sintetiza esse tipo de reação. De acordo com um parlamentar paulista do PT, as manifestações públicas pró-Lula, hostilizadas durante o primeiro turno no interior de São Paulo, passaram a ser bem recebidas neste final de segundo turno. “Esse negócio do Alckmin dizer que vai manter e ampliar o Bolsa Família não pegou bem. O pessoal de São Paulo sempre ouvia ele criticar o programa quando era governador”, emenda o petista.
Em contrapartida aos desencontros dentro da tropa tucana, Lula conseguiu o importante apoio de movimentos sociais e setores urbanos de base com um discurso coroado pela principal bandeira da esquerda – a redução das desigualdades sociais por intermédio do Estado. (Leia a análise Por que Lula dispara? e Campanha de Lula foi hábil em criar o “fantasma” de Alckmin)
O cientista político da UnB lembra que as pesquisas têm demonstrado dificuldade em prospectar dados especificamente na área da Grande São Paulo – principalmente pela escala monumental do conglomerado urbano e pelas diferenças abissais entre centro e periferia, caracterizadas por “realidades muito diferentes que convivem num único espaço”.
Para tentar aumentar a penetração da campanha do presidente, partidários de Lula priorizaram ações focalizadas justamente nesse público que vive fora do círculo mais abonado de São Paulo. Neste segundo turno, a coordenação realizou uma série de compromissos voltados para os moradores da periferia e o comício final de campanha será na Capela do Socorro, às 19h desta quarta-feira (25), que fica na Zona Sul da maior metrópole do País.
No dia 10, fez caminhada no centro de Guarulhos e esteve presente em plenária de mobilização – com a presença de representantes de movimentos sociais e de personalidades como o deputado Delfim Netto, hoje no PMDB, e o cantor Agnaldo Timóteo – no Clube de Regatas Tietê, na Marginal Pinheiros, na Zona Norte da cidade. No último sábado (21), a coordenação da campanha de Lula promoveu o “Ato Nordestino”, em São Miguel Paulista, na Zona Leste. Estiveram presentes a ex-prefeita da capital paulista Marta Suplicy e os governadores petistas eleitos Jaques Wagner (Bahia), Marcelo Deda (Sergipe) e Wellington Dias (Piauí) e a prefeita de Fortaleza (Ceará), Luizianne Lins. No domingo (22), o candidato à reeleição participou de uma caminhada em Cidade Tiradentes, também na Zona Leste, junto com artistas populares como Netinho de Paula (vocalista do grupo de pagode Negritude Júnior) e o astro do forró Frank Aguiar, conhecido como “cãozinho dos teclados” por causa dos ‘”latidos” que caracterizam suas apresentações musicais, eleito deputado federal pelo PTB de São Paulo.
Uma hora antes do comício final de Lula na Capela do Socorro, tucanos se reúnem no Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo, para o “Comício pela Vitória da Verdade”, com a presença do governador eleito de São Paulo José Serra, de Aécio Neves, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador eleito por Goiás Marconi Perillo e de Tasso Jereissati, senador pelo Ceará e presidente do PSDB. O comitê de Alckmin mesclou eventos em redutos da elite paulistana – como o ato “Juntos por um Brasil Decente”, no Esporte Clube Pinheiros – com caminhadas na periferia – em Capão Redondo (Zona Sul) e Cidade Tiradentes (Zona Leste).
Segundo turno nos estados
Do total de dez estados em que o governo está sendo decidido em segundo turno, as candidaturas apoiadas por Lula estão em vantagem em pelo cinco estados: Pará (com Ana Júlia Carepa, do PT, está em vantagem na disputa com Almir Gabriel, do PSDB), Paraná (Roberto Requião, do PMDB, com ligeira vantagem em relação a Osmar Dias, do PDT), Pernambuco (Eduardo Campos, do PSB, permanece favorito na disputa com Mendonça Filho, do PFL), Rio de Janeiro (onde Sérgio Cabral, do PMDB, abre diferença para Denise Frossard, do PPS) e Rio Grande do Norte (estado em que Wilma Faria, do PSB, está na frente de Garibaldi Alves, do PMDB). Em outros três, os apoiados por Alckmin tem mais chances de vencer: Goiás (Alcides Rodrigues, do PP, se mantém na dianteira do adversário Maguito Vilela, do PMDB), Santa Catarina (com o favoritismo do atual governador Luiz Henrique, do PMDB, no enfrentamento com Esperidião Amin, do PP) e Rio Grande do Sul (vantagem que vem caindo de Yeda Crusius, do PSDB, e Olívio Dutra, do PT).
Nos outros dois estados, a disputa permanece indefinida. No Maranhão (Roseana Sarney, do PFL, contra Jackson Lago, do PDT), Lula apóia oficialmente a filha do ex-presidente José Sarney, o PT defende Lago e o presidenciável tucano acabou ficando sem palanque. Na Paraíba, Cássio Cunha Lima, do PSDB, do mesmo partido de Alckmin, trava um confronto palmo a palmo com José Maranhão, do PMDB, apoiado por Lula.
A campanha tucana não conseguiu agregar votos em pontos estratégicos como o Rio de Janeiro, local em que indicadores – como a votação de Heloísa Helena, do PSol, que ultrapassou os 17% do total de votos no primeiro turno – denotavam significativa reprovação a Lula. A foto de Alckmin ao lado do ex-governador Anthony Garotinho, do PMDB, registrada para a eternidade logo no início das negociações de apoio para o segundo turno, desarticulou a “dobradinha” com Denise Frossard, do PPS, e provocou a ira do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, do PFL (leia também: Articulações dos “dias seguintes” ao 1º turno foram decisivas).
Na Região Sul, onde haverá segundo turno nos três estados e a votação de Lula no primeiro turno ficou aquém do esperado, o presidente ganhou apoio nos dois estados em que não tinha nenhum candidato “natural” alçado para a segunda etapa de votações. Requião (Paraná) e Amin (Santa Catarina) declararam voto no presidente nos últimos dias. Questionado sobre a aliança pragmática com Amin, um dos parlamentares petistas do estado foi direto. “Somos contra o [Jorge] Bornhausen [senador pelo PFL] em Santa Catarina da mesma forma como somos oposição ao ACM [Antônio Carlos Magalhães, também senador do PFL] na Bahia. Se ele estiver de um lado [no caso, Bornhausen apóia em SC a reeleição de Luiz Henrique, do PMDB], nós estaremos do outro”.
As pesquisas mostram que o alto grau de polarização no Rio Grande do Sul vem determinando um movimento crescente da campanha de Olívio Dutra, que diminuiu a diferença na batalha contra a líder Yeda, do PSDB. A peregrinação do governador reeleito do Mato Grosso, Blairo Maggi, entre agricultores da Região Sul, também tem ajudado a quebrar resistências entre os produtores agrícolas desses estados.
A influência de Maggi também se estende a Goiás, na Região Centro-Oeste. A campanha de Lula, por sinal, tem demonstrado empenho para fortalecer Maguito Vilela. O ex-governador passa por dificuldades no estado e dificilmente conseguirá tirar a diferença do atual vice-governador Alcides Rodrigues, do PP, neste segundo turno. Mesmo assim, a tropa presidencial não mede esforços. O vice-presidente José Alencar esteve em cidades de Goiás, Lula fez comício em Valparaíso, cidade goiana que fica no entorno do Distrito Federal e Blairo Maggi esteve em Rio Verde, perímetro agrícola do estado. Até o governador eleito Jaques Wagner, do PT, se dispôs a ajudar Vilela na região de divisa de Goiás com a Bahia.
A expectativa de petistas é de que Lula ainda possa alargar a vantagem na Região Nordeste, não só pela força dos candidatos apoiados por ele no segundo turno dos estados, mas também pelo aumento do contraste entre a candidatura do petista e a de Alckmin. O presidente esteve no Maranhão nesta terça-feira (24) e justificou o apoio a Roseana como uma retribuição pela lealdade do grupo político encabeçado por Sarney.
Na Região Norte, a candidatura de senadora petista Ana Júlia Carepa, no Pará, conquistou o apoio coeso da oposição ao PSDB, que já está no poder estadual há 12 anos (de 1995 a 2002, com o próprio Gabriel, e de 2003 a 2006, com Simão Jatene). “Não é só em São Paulo que o tucanato está há muito tempo”, observou um dirigente do PT. A campanha de Alckmin, por sua vez, publicou anúncio nos principais jornais de Manaus em que firma 18 compromissos com o Amazonas. Entre promessas de mais empregos com a produção de componentes para a TV Digital na Zona Franca de Manaus e de um hospital que seria construído com o dinheiro da venda do avião presidencial, o tucano cometeu o erro de anunciar o asfaltamento da Manaus-Boa Vista (BR-174), estrada concluída pelo governo FHC em 1998.
Por Maurício Hashizume.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.
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