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CORTE NOS JUROS SERÁ CADA VEZ MENOR

Cleide Carvalho – GloboNews.com

SÃO PAULO – A redução de juro a ser anunciada nesta quarta-feira, no fim da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), pode ser a última na casa de um ponto percentual a ser promovida pelo Banco Central. Vários economistas não acreditam sequer que essa redução seja de um ponto percentual e apostam em apenas 0,5 ponto, com o juro básico da economia caindo de 19% para 18,5% ao ano. Embora seja observada discordância sobre o tamanho da redução deste mês, há consenso de que o ritmo de queda vai diminuir a partir de agora. – Na próxima reunião certamente estaremos discutindo uma queda entre 0,25 e 0,75 ponto percentual. Esta deve ser a última queda de um ponto percentual a ser anunciada. Daqui para frente, o consumo e a inflação serão monitorados com sintonia fina e a redução será gradual – diz Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro, que espera uma queda de um ponto percentual nesta reunião do Copom. Os economistas dizem que a retomada da atividade econômica já começou e não será interrompida se o governo passar a reduzir o juro mais devagar. Quem aposta na redução de um ponto acha que a velocidade de recuperação é normal. Quem acredita em queda de apenas 0,5 diz que a atividade está voltando a crescer rápido demais. Embora o mercado financeiro já tenha precificado a queda da Selic de 19% para 18% ao ano nos papéis, há espaço para que o BC seja mais conservador. Para Alexandre Bassoli, economista-chefe do HSBC Investment, os números recentes mostram que a velocidade de recuperação econômica está muito forte e partindo de um nível de capacidade ociosa da indústria menor do que em recessões anteriores. Bassoli aposta em queda de apenas 0,5 ponto e afirma que o menor nível de uso de capacidade instalada de indústria neste ciclo de desaquecimento econômico foi de 80%, enquanto em 1992 chegou a 72%. A razão, explica, é que os investimentos em aumento de capacidade de produção foram muito baixos nos últimos anos. Ou seja, o país cresceu pouco e os investimentos menos ainda. Desta forma, se a demanda aumentar muito a inflação corre o risco de subir junto, já que a capacidade ociosa a ser ocupada não é tão grande assim. – É preciso olhar com cautela a velocidade da retomada também porque o juro real da economia já está entre 10% e 10,5% ao ano, mais baixo do que nos melhores meses de 2000, ano em que o país cresceu 4,5%. Além disso, a redução do juro promovida de junho para cá ainda não está totalmente refletida no mercado – diz ele. Bassoli assegura que a economia vai crescer independentemente do tamanho da redução de juro que o Copom anunciar esta semana, o que deixa o BC mais à vontade para observar o núcleo da inflação. Ele lembra ainda que o próprio Banco Central vem enfatizando que estamos num rigoroso movimento de recuperação. – Não será uma interrupção da queda de juro, mas uma cautela maior – afirma o economista. Hugo Penteado, do ABN Amro, avalia que a recuperação econômica ocorre num bom ritmo, com forte expansão na atividade de setores como bens duráveis, intermediários e bens de capital. Para ele, o Banco Central ainda tem espaço para reduzir o juro básico da economia em um ponto percentual na reunião desta terça-feira e de quarta-feira, mas daqui em diante a demanda terá de ser monitorada de perto. – Vamos ter que monitorar mais o consumo e os preços e reduzir o ritmo de queda da taxa básica de juro – disse. Penteado diz que o crescimento da produção industrial verificado de julho a setembro deste ano foi de 7%, próximo aos registrados em períodos anteriores de afrouxamento da política econômica. A única exceção foi no fim de 2001, quando o percentual chegou a 10,25% porque a retomada coincidiu com o fim do racionamento de energia elétrica. O economista-chefe do ING, Marcelo Salomon, acredita que a redução será de 0,5 ponto percentual este mês e que o BC passará a fazer uma sintonia fina ainda mais fina da economia a partir de agora. Na avaliação dele, o Banco Central não precisa trabalhar com o ano-calendário para a queda do juro, derrubando a taxa muito fortemente até dezembro. Salomon acredita que as reduções poderão ser menores, mas deverão continuar nos primeiros meses de 2004. – Essa taxa de juro já é condizente com um crescimento econômico entre 3% e 4%. É melhor que a queda seja menos agressiva, mas contínua – observou.

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Cleide Carvalho – GloboNews.com
SÃO PAULO – A redução de juro a ser anunciada nesta quarta-feira, no fim da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), pode ser a última na casa de um ponto percentual a ser promovida pelo Banco Central. Vários economistas não acreditam sequer que essa redução seja de um ponto percentual e apostam em apenas 0,5 ponto, com o juro básico da economia caindo de 19% para 18,5% ao ano. Embora seja observada discordância sobre o tamanho da redução deste mês, há consenso de que o ritmo de queda vai diminuir a partir de agora. – Na próxima reunião certamente estaremos discutindo uma queda entre 0,25 e 0,75 ponto percentual. Esta deve ser a última queda de um ponto percentual a ser anunciada. Daqui para frente, o consumo e a inflação serão monitorados com sintonia fina e a redução será gradual – diz Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro, que espera uma queda de um ponto percentual nesta reunião do Copom. Os economistas dizem que a retomada da atividade econômica já começou e não será interrompida se o governo passar a reduzir o juro mais devagar. Quem aposta na redução de um ponto acha que a velocidade de recuperação é normal. Quem acredita em queda de apenas 0,5 diz que a atividade está voltando a crescer rápido demais. Embora o mercado financeiro já tenha precificado a queda da Selic de 19% para 18% ao ano nos papéis, há espaço para que o BC seja mais conservador. Para Alexandre Bassoli, economista-chefe do HSBC Investment, os números recentes mostram que a velocidade de recuperação econômica está muito forte e partindo de um nível de capacidade ociosa da indústria menor do que em recessões anteriores. Bassoli aposta em queda de apenas 0,5 ponto e afirma que o menor nível de uso de capacidade instalada de indústria neste ciclo de desaquecimento econômico foi de 80%, enquanto em 1992 chegou a 72%. A razão, explica, é que os investimentos em aumento de capacidade de produção foram muito baixos nos últimos anos. Ou seja, o país cresceu pouco e os investimentos menos ainda. Desta forma, se a demanda aumentar muito a inflação corre o risco de subir junto, já que a capacidade ociosa a ser ocupada não é tão grande assim. – É preciso olhar com cautela a velocidade da retomada também porque o juro real da economia já está entre 10% e 10,5% ao ano, mais baixo do que nos melhores meses de 2000, ano em que o país cresceu 4,5%. Além disso, a redução do juro promovida de junho para cá ainda não está totalmente refletida no mercado – diz ele. Bassoli assegura que a economia vai crescer independentemente do tamanho da redução de juro que o Copom anunciar esta semana, o que deixa o BC mais à vontade para observar o núcleo da inflação. Ele lembra ainda que o próprio Banco Central vem enfatizando que estamos num rigoroso movimento de recuperação. – Não será uma interrupção da queda de juro, mas uma cautela maior – afirma o economista. Hugo Penteado, do ABN Amro, avalia que a recuperação econômica ocorre num bom ritmo, com forte expansão na atividade de setores como bens duráveis, intermediários e bens de capital. Para ele, o Banco Central ainda tem espaço para reduzir o juro básico da economia em um ponto percentual na reunião desta terça-feira e de quarta-feira, mas daqui em diante a demanda terá de ser monitorada de perto. – Vamos ter que monitorar mais o consumo e os preços e reduzir o ritmo de queda da taxa básica de juro – disse. Penteado diz que o crescimento da produção industrial verificado de julho a setembro deste ano foi de 7%, próximo aos registrados em períodos anteriores de afrouxamento da política econômica. A única exceção foi no fim de 2001, quando o percentual chegou a 10,25% porque a retomada coincidiu com o fim do racionamento de energia elétrica. O economista-chefe do ING, Marcelo Salomon, acredita que a redução será de 0,5 ponto percentual este mês e que o BC passará a fazer uma sintonia fina ainda mais fina da economia a partir de agora. Na avaliação dele, o Banco Central não precisa trabalhar com o ano-calendário para a queda do juro, derrubando a taxa muito fortemente até dezembro. Salomon acredita que as reduções poderão ser menores, mas deverão continuar nos primeiros meses de 2004. – Essa taxa de juro já é condizente com um crescimento econômico entre 3% e 4%. É melhor que a queda seja menos agressiva, mas contínua – observou.

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