Brasília (AF) – O 1.º Encontro de Parlamentares Negros das Américas e do Caribe encerrado ontem, na Câmara dos Deputados, serviu para promover um diagnóstico da situação dos negros e afro-descendentes, discutir políticas públicas e buscar formas para pressionar os governos a desenvolver políticas de ação afirmativa para incluir a população negra na cidadania desses países.
Durante o encontro, que começou na sexta-feira, parlamentares e representantes de diversas entidades de governos analisaram questões raciais e as formas de superar a exclusão social dos negros e descendentes.
O encontro foi promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial – que conta com 106 parlamentares – pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. No entanto, embora se tenha discutido assuntos da maior relevância para a inserção social dos negros e afro-descendentes, a grande maioria dos parlamentares da frente não participou dos debates.
Apenas 10% dos integrantes da frente compareceram ao evento. Nenhum ministro do governo prestigiou o encerramento dos trabalhos.
Ao justificar a ausência dos integrantes da frente e de autoridades do governo, o presidente da Frente Parlamentar, deputado Luiz Alberto (PT-BA), afirmou que essas autoridades já tinham outros compromissos agendados e, por isso, não puderam estar presentes ao encontro.
A ministra Matilde Ribeiro, que deveria participar da palestra “Contexto, Significado e Perspectiva da Presença Africana nas Américas e Caribe” foi representada pela secretária-adjunta do Ministério, Magaly Naves.
Também o ex-senador americano, reverendo Jesse Jackson (EUA), que prometeu participar do encontro cancelou sua presença.
Mesmo assim, o deputado Luiz Alberto considerou o encontro altamente proveitoso e significativo para a busca de políticas públicas para reverter o dramático quadro social e de exclusão em que vivem os negros e seus descendentes nas Américas e no Caribe.
De acordo com Luiz Alberto, o fosso entre negros e brancos no continente é muito grande.
“Precisamos forçar os governos a tomarem atitudes imediatas e radicais para combater essas desigualdades”. Ele afirmou que algumas medidas tem sido tomadas pelos governos e citou o caso da criação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
Para ele, são ações ainda tímidas para resolver problemas graves como acesso à educação, saúde e mercado de trabalho.
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