Folha de São Paulo
Um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter reunido sua equipe econômica e ministros de diferentes áreas para cobrar medidas de geração de emprego e reativação da economia, titulares de várias pastas resolveram mostrar serviço ontem.
Olívia Dutra (Cidades) disse que o governo definiu como meta investir R$ 12,1 bilhões em saneamento e habitação. Anderson Adauto (Transportes) prometeu a Roberto Rodrigues (Agricultura) liberar R$ 200 milhões para a recuperação de estradas até março. Já Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) anunciou que as exportações neste ano podem alcançar US$ 80 bilhões.
Apesar das iniciativas anunciadas, o ministro Jaques Wagner (Trabalho) reduziu o otimismo apresentado por Lula ainda na campanha de 2002.
Seu programa de governo falava na necessidade de criar 10 milhões de empregos até o final de seu mandato. Ontem, no entanto, Wagner disse que, num cenário estável de crescimento econômico de 3,5% ao ano (meta oficial do governo), serão criados até 2006, último ano da administração de Lula, 7 milhões de empregos.
O número de 10 milhões de emprego sempre foi tratado como meta pelo governo. “No ano passado foi criado 1 milhão de empregos formais. Se neste ano forem criados mais 2 milhões, e se nos mantivermos nesse patamar nos próximos anos, haverá um estoque de 7 milhões de empregos e alcançaremos 70% da meta [de campanha]”, disse o ministro do Trabalho.
Anteontem, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, disse que o governo não teria uma meta para empregos, embora o Plano Plurianual fale em 7,8 milhões entre 2004 e 2007.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito na reunião, realizada no Palácio do Planalto, segundo Palocci, que vai acompanhar de perto os projetos de cada ministério para a geração de empregos.
Cidades
Dutra disse que, da meta R$ 12,1 bilhões em investimentos, R$ 7,4 bilhões serão destinados à habitação e R$ 4,7 bilhões para saneamento. A estimativa é que isso gere 1,461 milhão de empregos ao longo do ano e beneficie 710 mil famílias com moradias e 760 mil com saneamento.
Para cumprir a meta de saneamento, o governo enfrentará dificuldades e poderá ser obrigado a aumentar o limite de R$ 2,9 bilhões que Estados e municípios podem tomar emprestado para gastar em obras de água e esgoto. O limite foi negociado com o FMI (Fundo Monetário Internacional) como uma folga no ajuste fiscal de 2004 durante os acertos para a prorrogação do acordo com o Fundo, no ano passado.
“É possível aumentar o limite [de R$ 2,9 bilhões]. O valor pode ser ampliado dependendo da resposta às medidas macroeconômicas tomadas até agora”, disse o ministro.
Segundo o secretário Nacional de Saneamento, Abelardo de Oliveira Filho, o assunto já está sendo discutido com o Tesouro Nacional e o Banco Central.
Desenvolvimento
Segundo Furlan, entre os projetos que podem ser implementados está a criação de uma linha de crédito para a compra de móveis. No ano passado, o governo criou um linha especial de financiamento, com dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), para a compra de eletrodomésticos.
Na reunião, o ministro justificou sua meta para este ano de exportações de US$ 80 bilhões. No ano passado, o país exportou US$ 73,085 bilhões. De acordo com ele, o país deve exportar de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões a mais do que em 2003 apenas em soja. Além disso, o Desenvolvimento espera um incremento de US$ 1,5 bilhão na exportação de equipamentos de transporte.
Transportes
O governo federal quer que a manutenção das rodovias ocorra antes do período da safra de grãos 2003/2004. O ministro Anderson Adauto (Transportes) afirmou ontem ao ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) que vai liberar R$ 200 milhões para a recuperação de estradas federais que são consideras essenciais para o escoamento da produção agrícola. As obras serão iniciadas neste mês e devem terminar em março.
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