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SALTO EM JANEIRO DO EXCESSO DE LIQUIDEZ FOI DE R$ 20,4 BI

Valor Econômico – Mônica Izaguirre

O excesso de liquidez do sistema financeiro deu um salto de R$ 20,49 bilhões em janeiro, fechando o mês em R$ 76,17 bilhões. Medido pelo volume aplicado pelos bancos em operações compromissadas com o Banco Central, o número indica que a sobra de recursos nas instituições financeiras voltou a um patamar próximo do verificado no final de janeiro de 2003, quando estava em R$ 80,3 bilhões.

O principal fator de aumento em relação ao saldo do final de dezembro (R$ 55,71 bilhões) foi a retomada dos leilões de compra de dólar pelo BC. Só essas intervenções injetaram no mercado cerca de R$ 7,39 bilhões.

Tomada como referência a média diária, a sobra de liquidez que precisou ser “enxugada” pela atuação da mesa de mercado aberto do BC também cresceu de maneira expressiva neste início de 2004. A média, que já tinha aumentado de R$ 50,9 bilhões para R$ 55,76 bilhões em dezembro, atingiu R$ 72,95 bilhões em janeiro, cifra só superada pela de fevereiro do ano passado, que foi de R$ 77,6 bilhões.

“Não há um limite técnico. No atual desenho da política monetária, as operações de mercado aberto do BC terão sempre o saldo necessário para fazer com que a Selic (taxa média dos negócios de um dia com títulos públicos federais) se mantenha a mais próxima possível da meta”, disse ao Valor uma alto funcionário da instituição.

Ele se referia à meta de Taxa Selic fixada todos os meses pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, atualmente em 16,5% ao ano.

O fato de os bancos estarem aplicando no BC enorme volume de dinheiro não pode ser visto como risco inflacionário, diz a mesma fonte. Se a sobra de liquidez do sistema não fosse neutralizada com a venda temporária de títulos federais pelo BC (operações compromissadas), aí sim, haveria risco, acrescenta. Nessa hipótese, os bancos se veriam obrigados a aplicar suas sobras diárias a taxas muito menores.

Como resultado, a Over Selic se descolaria da meta, tornando sem efeito as decisões do Copom e, com elas, o controle da inflação via taxas de juros, explica. Pela mesma necessidade de manter a Selic próxima da meta fixada pelo Copom, no passado, o BC já atuou no sentido inverso, injetando liquidez no sistema, através da compra temporária de papéis federais.

Essa foi a situação verificada, por exemplo, no segundo semestre de 2001 e primeiro trimestre de 2002. A partir daí, a situação de liquidez se inverteu, principalmente por causa da crise de confiança que dificultou a rolagem da dívida pública do Tesouro Nacional em 2002.

Com os resgates líquidos de dívida pelo Tesouro, medido pela média diária, o excesso de liquidez, que foi de R$ 3,8 bilhões em abril daquele ano, foi crescendo até chegar a R$ 77,6 bilhões em fevereiro de 2003. Considerado o saldo de fim de mês, o recorde foi janeiro do ano passado (R$ 80,3 bilhões).

Com a reconquista da confiança pelo governo Lula, o Tesouro voltou a fazer emissões líquidas de títulos, retirando liquidez do mercado.

Também ajudaram os ajustes dos contratos de swap, que, em função da queda do dólar, resultaram em pagamentos líquidos dos bancos ao BC. Assim, em junho do ano passado, por exemplo, a média da sobra ficou em R$ 44,7 bilhões. Tomado o saldo de fim de mês, o menor dos últimos tempos foi o de julho: R$ 45,37 bilhões.

Daí em diante, a sobra de liquidez voltou a aumentar, devido a fatores como a redução do compulsório recolhido pelos bancos sobre depósitos à vista.

O fato de os recursos liberados terem ou não ido para crédito não afetou a liquidez, explica outro economista do governo, porque essas operações fazem apenas com que o dinheiro circule no sistema e não que saia dele. Só afetam liquidez operações com o governo, explica.

Em janeiro deste ano, além dos leilões de câmbio, provocaram aumento da liquidez os resgates líquidos de dívida pelo Tesouro, liberação de compulsórios sobre depósitos a prazo (R$ 718 milhões, por queda de base de cálculo e não de alíquota) e gastos do Tesouro Nacional (R$ 1,72 bilhão).

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SALTO EM JANEIRO DO EXCESSO DE LIQUIDEZ FOI DE R$ 20,4 BI

Valor Econômico – Mônica Izaguirre
O excesso de liquidez do sistema financeiro deu um salto de R$ 20,49 bilhões em janeiro, fechando o mês em R$ 76,17 bilhões. Medido pelo volume aplicado pelos bancos em operações compromissadas com o Banco Central, o número indica que a sobra de recursos nas instituições financeiras voltou a um patamar próximo do verificado no final de janeiro de 2003, quando estava em R$ 80,3 bilhões.
O principal fator de aumento em relação ao saldo do final de dezembro (R$ 55,71 bilhões) foi a retomada dos leilões de compra de dólar pelo BC. Só essas intervenções injetaram no mercado cerca de R$ 7,39 bilhões.
Tomada como referência a média diária, a sobra de liquidez que precisou ser “enxugada” pela atuação da mesa de mercado aberto do BC também cresceu de maneira expressiva neste início de 2004. A média, que já tinha aumentado de R$ 50,9 bilhões para R$ 55,76 bilhões em dezembro, atingiu R$ 72,95 bilhões em janeiro, cifra só superada pela de fevereiro do ano passado, que foi de R$ 77,6 bilhões.
“Não há um limite técnico. No atual desenho da política monetária, as operações de mercado aberto do BC terão sempre o saldo necessário para fazer com que a Selic (taxa média dos negócios de um dia com títulos públicos federais) se mantenha a mais próxima possível da meta”, disse ao Valor uma alto funcionário da instituição.
Ele se referia à meta de Taxa Selic fixada todos os meses pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, atualmente em 16,5% ao ano.
O fato de os bancos estarem aplicando no BC enorme volume de dinheiro não pode ser visto como risco inflacionário, diz a mesma fonte. Se a sobra de liquidez do sistema não fosse neutralizada com a venda temporária de títulos federais pelo BC (operações compromissadas), aí sim, haveria risco, acrescenta. Nessa hipótese, os bancos se veriam obrigados a aplicar suas sobras diárias a taxas muito menores.
Como resultado, a Over Selic se descolaria da meta, tornando sem efeito as decisões do Copom e, com elas, o controle da inflação via taxas de juros, explica. Pela mesma necessidade de manter a Selic próxima da meta fixada pelo Copom, no passado, o BC já atuou no sentido inverso, injetando liquidez no sistema, através da compra temporária de papéis federais.
Essa foi a situação verificada, por exemplo, no segundo semestre de 2001 e primeiro trimestre de 2002. A partir daí, a situação de liquidez se inverteu, principalmente por causa da crise de confiança que dificultou a rolagem da dívida pública do Tesouro Nacional em 2002.
Com os resgates líquidos de dívida pelo Tesouro, medido pela média diária, o excesso de liquidez, que foi de R$ 3,8 bilhões em abril daquele ano, foi crescendo até chegar a R$ 77,6 bilhões em fevereiro de 2003. Considerado o saldo de fim de mês, o recorde foi janeiro do ano passado (R$ 80,3 bilhões).
Com a reconquista da confiança pelo governo Lula, o Tesouro voltou a fazer emissões líquidas de títulos, retirando liquidez do mercado.
Também ajudaram os ajustes dos contratos de swap, que, em função da queda do dólar, resultaram em pagamentos líquidos dos bancos ao BC. Assim, em junho do ano passado, por exemplo, a média da sobra ficou em R$ 44,7 bilhões. Tomado o saldo de fim de mês, o menor dos últimos tempos foi o de julho: R$ 45,37 bilhões.
Daí em diante, a sobra de liquidez voltou a aumentar, devido a fatores como a redução do compulsório recolhido pelos bancos sobre depósitos à vista.
O fato de os recursos liberados terem ou não ido para crédito não afetou a liquidez, explica outro economista do governo, porque essas operações fazem apenas com que o dinheiro circule no sistema e não que saia dele. Só afetam liquidez operações com o governo, explica.
Em janeiro deste ano, além dos leilões de câmbio, provocaram aumento da liquidez os resgates líquidos de dívida pelo Tesouro, liberação de compulsórios sobre depósitos a prazo (R$ 718 milhões, por queda de base de cálculo e não de alíquota) e gastos do Tesouro Nacional (R$ 1,72 bilhão).

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