Correio Braziliense
Quase um terço dos trabalhadores brasileiros (31,1%) gasta de uma a quatro horas para se deslocar de suas casas até o local de trabalho, incluindo ida e volta. Outros 68,9% consomem até uma hora por dia.
Os dados fazem parte do levantamento “Os Custos do Deslocamento do Trabalho no Brasil”, realizado pela Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade do Município de São Paulo com 58.787.073 trabalhadores.
O levantamento foi realizado pelo secretário Márcio Pochmann com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1998 a 2002.
Nas regiões metropolitanas, o percentual atinge 46,4%. Em São Paulo, 50,5% dos trabalhadores passam mais de uma hora no trânsito para chegar ao trabalho e voltar, enquanto no Rio de Janeiro é de 56,9%. O Distrito Federal aparece com 42,6%; Belém, com 34,4%, e Porto Alegre, com 33,6%.
O tempo gasto pelas pessoas no trânsito tende, como indica a pesquisa, a influenciar na riqueza que deixa de ser criada ou apropriada nesse período.
Os dados apontam que, se o trabalhador gastasse menos tempo entre sua casa e o local de trabalho, a soma da sua renda subiria em até 20%.
Levando-se em conta as horas gastas nesse deslocamento, o rendimento médio obtido por hora trabalhada e a massa de horas não trabalhadas, calcula-se que os trabalhadores tenham uma perda potencial de cerca de R$ 93 bilhões (valor de março de 2004) ao ano.
O montante corresponde a 18,3% de toda a massa de renda apropriada pelos trabalhadores.
Na análise por região metropolitana, a pesquisa indica que essa perda potencial de recursos para os trabalhadores é de aproximadamente R$ 55 bilhões por ano.
São Paulo e Rio de Janeiro, com maior número de trabalhadores que consomem mais horas entre a casa e o emprego, respondem por quase 70% dos R$ 55 bilhões.
Os R$ 26 bilhões “perdidos” na região metropolitana de São Paulo correspondem a 25,9% da massa de rendimentos apropriada pelos trabalhadores em um ano, enquanto os cerca de R$ 13 bilhões verificados no Rio equivalem a 26,8%.
O levantamento destaca que o perfil dos trabalhadores varia conforme seu rendimento médio: quanto maior o ganho, maior é o tempo de deslocamento casa-trabalho.
Porém, nas regiões metropolitanas esse dado varia. Em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, o trabalhador com renda mais elevada gasta até duas horas parar ir ao serviço.
Já aquele com salário mais baixo leva mais de duas horas. Em outras capitais, como Belém, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Curitiba, o trabalhador com renda elevada está a mais de quatro horas do trabalho.
Já aqueles com menores salários situam-se nas faixas intermediárias de distância (de uma a quatro horas).
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