Gazeta Mercantil – Adriana Cotias e Alessandra Belotto
O segundo semestre promete reaquecer os mercados interno e externo para captações e os bancos preparam o terreno para a temporada.
O ABN Amro Real tem no forno quatro operações em estruturação, que somam, em moeda nacional, R$ 2,5 bilhões. Além dessas operações, o ABN monta um empréstimo sindicalizado, em parceria com o Citibank, de US$ 1,6 bilhão, para a Telemar.
Neste ano, companhias e bancos já captaram US$ 4,80 bilhões no exterior. Em debêntures, o total até agora é de R$ 1,99 bilhão (na CVM há mais R$ 6,2 bilhões de lançamentos em análise).
“Após a próxima decisão sobre o juro americano, o mercado tende a ficar menos volátil e, tanto as operações locais quanto externas, ficarão mais acessíveis”, diz José Berenguer Neto, vice-presidente de Tesouraria do ABN. De acordo com o executivo, depois do “boom” de janeiro (US$ 2,06 bilhões levantados no exterior), as operações levadas a mercado têm sido caracterizadas por movimentos mais táticos, de reestruturação de passivos.
É com este objetivo que está sendo conduzido o empréstimo da Telemar, alternativa para substituir uma operação sindicalizada feita para financiar os investimentos na Oi.
Segundo a Telemar, há no contrato em vigor uma cláusula que permite o pagamento antecipado e há a opção de se trocar uma dívida pela outra a um custo menor.
Berenger afirma que a estruturação está em fase final e deve ser liquidada nos próximos 30 dias.
Para João Roberto Teixeira, vice-presidente do Atacado do ABN, as emissões de debêntures estão ainda concentradas na reestruturação de dívidas.
“Mesmo no mercado externo, só o setor exportador é que mostrou algum dinamismo, mas quase nada é para investimento”, diz.
Neste mês, Gerdau, CSN e Braskem captaram US$ 490 milhões, com garantia em recebíveis. O Bradesco prepara operação de US$ 100 milhões lastreada em fluxos externos.
Na sexta, o Banco Santos entrou na lista com empréstimo sindicalizado de US$ 35 milhões para financiar exportações.