Os bancos japoneses UFJ Holdings e Mitsubishi Tokyo Financial Group anunciaram hoje que concordam em discutir a fusão de suas operação, que, caso seja concretizada, resultará na criação do maior banco do mundo. Os ativos totais combinados dos dois bancos são de cerca de 188 trilhões de ienes (US$ 1,71 trilhão), ultrapassando até mesmo o Citigroup, com ativos avaliados em cerca de US$ 1,19 trilhão.
Os dois bancos anunciaram que esperam concluir a fusão até setembro de 2005. Assuntos como participações, cortes de empregos o outros detalhes ainda não foram discutidos.
O UFJ fez o convite ao Mitsubishi Tokyo na quarta-feira, mas executivos do banco disseram que conversas informais sobre uma eventual fusão já vinham sendo mantidas desde maio.
Analistas dizem, no entanto, que a fusão entre duas instituições deste porte envolve negociações difíceis, como as que poderão envolver cortes de empregos e o grande volume de maus empréstimos do UFJ, que causou uma perda de 402,8 bilhões de ienes (US$ 3,69 bilhões) no ano passado (terceiro seguido de queda), forçando executivos do banco a renunciarem.
O UFJ recebeu inclusive uma advertência da Agência de Serviços Financeiros (a autoridade financeira do Japão) no mês passado por dificultar os trabalhos de inspeção dos órgãos reguladores.
Os analistas, no entanto, receberam com otimismo a notícia da possível fusão, como um acontecimento positivo tanto para o setor bancário japonês como para o mercado de ações, por diminuir os temores sobre o futuro do UFJ. “Creio que [a fusão] será bastante positiva, ao combinar o sólido balanço do Mitsubishi com a força do UFJ em empréstimos ao consumidor e a pequenas empresas”, disse hoje o analista da ING Securities em Tóquio Ned Akov.
A agência de classificação de riscos Standard & Poor´s disse, por sua vez, que poderá rebaixar sua classificação de risco do Mitsubishi Tokyo se o banco continuar a buscar a fusão com o UFJ em razão dos problemas deste com maus empréstimos, enquanto poderá elevar a do UFJ.
O presidente do Mitsubishi Tokyo, Nobuo Kuroyanagi, disse hoje à AP que espera que a fusão ajude o novo grupo a se tornar mais competitivo no mercado mundial.
VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online
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