A greve nacional dos bancários – a mais longa da história da categoria no Brasil – encerrou hoje sua quarta semana sem que os banqueiros mexessem um dedo para solucionar o impasse. Com o mesmo cenário do início do movimento, os bancários de 24 das 27 capitais e de centenas de cidades do interior do país acataram a orientação da Executiva Nacional e aprovaram a continuidade da greve, que na segunda-feira completa 27 dias.
“Até agora não recebemos nenhuma proposta da Fenaban e nem dos bancos públicos federais. Assim, os bancários devem manter a paralisação no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal e ampliar as adesões nos bancos privados. Nossa campanha é unificada e não podemos deixar a Fenaban nesta posição confortável de não querer negociar”, destacou Vagner Freitas, presidente da CNB/CUT e coordenador da Executiva Nacional dos Bancários.
Um tema que permaneceu em debate o dia todo entre os bancários foi o dissídio coletivo, que uma corrente minoritária do movimento sindical vem defendendo em assembléias. A Executiva se reuniu pela amanhã e referendou sua posição contrária ao ajuizamento de dissídio. “Os conflitos devem ser solucionados por meio de negociação. O julgamento de dissídio pode ser uma saída muito perigosa para a categoria. Já tivemos julgamentos de greve de bancários que foram prejudiciais para nós”, explicou Vagner Freitas.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo colocou o dissídio em votação durante a assembléia da última sexta-feira e os trabalhadores rejeitaram, atendendo a orientação da Executiva. “A alternativa de ir ao TST é um absurdo. Setores que se dizem revolucionários propor uma alternativa conservadora como esta é no mínimo uma contradição”, comentou.
Vagner também disse que outro absurdo é empresas públicas apresentarem propostas diretamente a seus funcionários e se recusarem a abrir negociações com a Executiva Nacional dos Bancários. Na quinta-feira da semana passada, o BB divulgou uma proposta sobre os dias parados no comunicado interno, passando por cima do movimento sindical. “Qualquer proposta deve ser apresentada oficialmente à Executiva, que irá avaliar e remeter às assembléias para a apreciação”, disse.
Fonte: CNB/CUT – Fábio Jammal Makhoul
Deixe um comentário