Descoberta movimentação de US$ 1,1 bilhão em dinheiro sujo brasileiro num banco dos EUA.
O escândalo do Banestado produziu um filhote. Investigações conjuntas do Ministério Público brasileiro e da promotoria dos EUA detectaram uma movimentação de recursos ilegais provenientes do Brasil de mais de US$ 1,1 bilhão. Transitaram por contas abertas por doleiros numa instituição chamada Merchants Bank. Funciona no número 275 da elegante Avenida Madison, em Manhattan, Nova York.
No momento, o Ministério Público tenta impedir o movimento de valores ainda depositados nas contas. Uma parte já foi retida pela Justiça dos EUA. Entre verbas já bloqueadas e importâncias por bloquear, autoridades brasileiras esperam pôr a mão em pelo menos US$ 30 milhões. Há uma semana, deram entrada na Justiça Federal do Paraná petições em que são oferecidas denúncias contra 17 brasileiros envolvidos no novo escândalo.
A conexão Merchants Bank foi detectada a partir das investigações em torno do Banestado. Com o auxílio da Polícia Federal e de autoridades norte-americanas, a Força Tarefa do Ministério Público que se dedica ao caso descobriu que doleiros brasileiros direcionaram os seus negócios para o novo banco depois que os EUA decretaram, em março de 99, o fim das atividades da sucursal do Banestado em Nova York.
Abriram-se no Merchants Bank duas contas. Chamam-se Braza e Best. Foram inauguradas respectivamente em 99 e 2002. Vinculam-se a outras cinco subcontas: Activel, Wipper, Taos, Durant e Watson. Juntas, movimentaram mais de US$ 1,1 bilhão. O dinheiro transitou por empresas sediadas nos EUA, Caribe, Uruguai, Brasil e Europa.
Só nas contas Braza e Best há um saldo de US$ 3,6 milhões. Foram bloqueados pela Justiça americana, que reivindica o “perdimento” dos valores em favor do Tesouro dos EUA. Por meio das ações abertas no Brasil, o Ministério Público tenta reverter os valores em favor do governo brasileiro.
O braço brasileiro da investigação teve o seu trabalho facilitado por apurações conduzidas nos EUA. O governo norte-americano começou a varejar o conduto de dinheiro sujo do Merchants Bank a partir de operação realizada em janeiro de 99 pelo DEA, o departamento norte-americano de investigação de crimes de tráfico de drogas.
Entre 2003 e 2004 recolheram-se documentos que agora embasam a apuração brasileira. Os papéis vieram para o Brasil graças a um tratado chamado MLAT (Mutual Legal Assistance Treaty). Prevê o intercâmbio de dados entre os governos brasileiro e norte-americano. A cooperação foi feita sob a chancela da Secretaria Nacional de Justiça, órgão da pasta chefiado por Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
O conteúdo dos papéis é tonificado por depoimentos prestados pela gerente das contas nos EUA. Chama-se Maria Carolina Nolasco. É uma portuguesa naturalizada norte-americana. Concordou em colaborar com as investigações graças à legislação norte-americana de delação premiada.
O blog teve acesso aos autos. Mencionam nomes de doleiros, empresários e correntistas usados como “laranjas”. Muitos têm residência em São Paulo. O repórter deixa de mencionar os nomes porque não conseguiu ouvi-los. Informada, a Receita Federal conduz auditorias para cobrar dos responsáveis impostos sonegados no Brasil.
Escrito por Josias de Souza.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.uol.com.br.
Deixe um comentário