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Exploração de cabo a rabo

Por trás das financeiras que cobram juros extorsivos estão os grandes bancos que negam empréstimos a taxas mais baixas.

São Paulo – Conseguir um empréstimo, todo mundo sabe, não é fácil. Nas agências bancárias, a burocracia é tanta que intimida. O crédito é para poucos. Somente aqueles que podem dar muitas garantias são agraciados com empréstimos pessoais.

Diante das dificuldades criadas pelos bancos para emprestar dinheiro, o cidadão fica quase agradecido quando surge na sua frente alguém oferecendo dinheiro fácil. Assim, o país viu, nos últimos tempos, alastrar-se pelas ruas e nas propagandas de rádio e televisão um tipo de empresa que distribui empréstimo a todos.

Não é necessário comprovar renda nem ter avalista. Ao contrário do que acontece nas agências bancárias, nas financeiras ou promotoras de crédito, o dinheiro é que corre atrás das pessoas. É impossível caminhar pela rua São Bento no centro da cidade, por exemplo, sem ser barrado por um exército de promotores que a todo custo tentam convencer o cidadão a tomar emprestado todo o dinheiro que quiser. A burocracia, nesses locais, é substituída por taxas de juros ainda mais extorsivas que as cobradas pelos bancos.

O que poucos sabem é que por trás de cada uma dessas empresas estão os bancos que negaram crédito ao cidadão. O esquema é quase uma agiotagem institucionalizada. É mais um dos muitos caminhos escolhido pelos bancos privados para colher o maior número de zeros possíveis em seus balanços financeiros.

Juros, uma ingrata surpresa

Financeiras apresentam juros extorsivos, que passam dois dígitos. Não é à toa que os bancos estão se expandindo neste segmento.

Mesmo com uma inflação prevista em 4,5% em 2006, os bancos não deixam de explorar seus clientes via cobrança de juros. Se nas agências eles já são abusivos, nas financeiras eles se tornam extorsivos.

Dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), divulgados em março, mostram que os juros cobrados pelas financeiras no empréstimo pessoal é de 11,63% ao mês (274,43% ao ano). Já nas agências cai para 5,75% (95,60%).

Segundo o Banco Central, há financeiras no mercado cobrando juros de até 14,5% ao mês. “O mercado de empréstimo financeiro está em alta. É o grande sanguessuga hoje dos bancos. Não é por acaso que eles estão expandindo suas financeiras”, diz o presidente da CONTRAF-CUT, Luiz Cláudio Marcolino.

O culpado – Uma das desculpas utilizadas pelos bancos é de que os juros só não caem por causa da taxa Selic, hoje, em 16,50% (a previsão para dezembro, é que chegue a 14,50% ao ano). Para se isentarem da responsabilidade, a cada vez que o Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia a nova taxa Selic, eles logo culpam os juros do governo. E com a queda, os banqueiros deixaram de recorrer os títulos públicos para obter mais ganhos, entrando de vez na exploração dos clientes.

“Com a queda da Selic deixa de ser interessante a busca do lucro nos títulos públicos. É mais lucrativo eles emprestarem dinheiro a juros extorsivos”, explica o presidente da CONTRAF-CUT, Luiz Cláudio Marcolino.

Por 17:22 Notícias

Exploração de cabo a rabo

Por trás das financeiras que cobram juros extorsivos estão os grandes bancos que negam empréstimos a taxas mais baixas.
São Paulo – Conseguir um empréstimo, todo mundo sabe, não é fácil. Nas agências bancárias, a burocracia é tanta que intimida. O crédito é para poucos. Somente aqueles que podem dar muitas garantias são agraciados com empréstimos pessoais.
Diante das dificuldades criadas pelos bancos para emprestar dinheiro, o cidadão fica quase agradecido quando surge na sua frente alguém oferecendo dinheiro fácil. Assim, o país viu, nos últimos tempos, alastrar-se pelas ruas e nas propagandas de rádio e televisão um tipo de empresa que distribui empréstimo a todos.
Não é necessário comprovar renda nem ter avalista. Ao contrário do que acontece nas agências bancárias, nas financeiras ou promotoras de crédito, o dinheiro é que corre atrás das pessoas. É impossível caminhar pela rua São Bento no centro da cidade, por exemplo, sem ser barrado por um exército de promotores que a todo custo tentam convencer o cidadão a tomar emprestado todo o dinheiro que quiser. A burocracia, nesses locais, é substituída por taxas de juros ainda mais extorsivas que as cobradas pelos bancos.
O que poucos sabem é que por trás de cada uma dessas empresas estão os bancos que negaram crédito ao cidadão. O esquema é quase uma agiotagem institucionalizada. É mais um dos muitos caminhos escolhido pelos bancos privados para colher o maior número de zeros possíveis em seus balanços financeiros.
Juros, uma ingrata surpresa
Financeiras apresentam juros extorsivos, que passam dois dígitos. Não é à toa que os bancos estão se expandindo neste segmento.
Mesmo com uma inflação prevista em 4,5% em 2006, os bancos não deixam de explorar seus clientes via cobrança de juros. Se nas agências eles já são abusivos, nas financeiras eles se tornam extorsivos.
Dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), divulgados em março, mostram que os juros cobrados pelas financeiras no empréstimo pessoal é de 11,63% ao mês (274,43% ao ano). Já nas agências cai para 5,75% (95,60%).
Segundo o Banco Central, há financeiras no mercado cobrando juros de até 14,5% ao mês. “O mercado de empréstimo financeiro está em alta. É o grande sanguessuga hoje dos bancos. Não é por acaso que eles estão expandindo suas financeiras”, diz o presidente da CONTRAF-CUT, Luiz Cláudio Marcolino.
O culpado – Uma das desculpas utilizadas pelos bancos é de que os juros só não caem por causa da taxa Selic, hoje, em 16,50% (a previsão para dezembro, é que chegue a 14,50% ao ano). Para se isentarem da responsabilidade, a cada vez que o Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia a nova taxa Selic, eles logo culpam os juros do governo. E com a queda, os banqueiros deixaram de recorrer os títulos públicos para obter mais ganhos, entrando de vez na exploração dos clientes.
“Com a queda da Selic deixa de ser interessante a busca do lucro nos títulos públicos. É mais lucrativo eles emprestarem dinheiro a juros extorsivos”, explica o presidente da CONTRAF-CUT, Luiz Cláudio Marcolino.

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