Mais de cem sindicalistas, representando dezenas de sindicatos, lotaram a sede da CUT-RJ na sexta-feira (1/9) para conversar com o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, e com a direção estadual da Central sobre questões específicas das categorias, lançamento da Campanha Nacional Unificada e a participação no Grito dos Excluídos.
Interesses imediatos e estratégicos – A presidente da CUT-RJ, Neuza Luzia, abriu a reunião falando da importância do encontro e da necessidade de a CUT estar intimamente ligada aos sindicatos e atuando conjuntamente com o movimento social do estado. Destacou a presença a Central na luta pela anulação do leilão da Vale do Rio Doce. “Vamos combinar a nossa atuação nas lutas pelos interesses imediatos da classe com lutas estratégicas como esta”, disse referindo ao leilão da Vale. O Grito dos Excluídos, no dia 7 de setembro, é outra frente em que a entidade vai estar presente.
Para Neuza, a Campanha Unificada dos Trabalhadores mostra que a CUT não é pautada por nenhum governo e que tem a sua pauta de reivindicações.
Darby Igayara, vice-presidente da CUT-RJ, chamou a atenção dos sindicatos para a necessidade de levar as lutas das categorias para as ruas, fortalecer o movimento de massas e resgatar a história da CUT. A luta de classes continua em curso. “Trabalhar para reeleger Lula é reforçar um compromisso de mudanças com a história deste país. Vamos apresentar nossas propostas, apoiando e disputando o governo”.
Participação das categorias – O dirigente da CUT-RJ e do Sindipetro, Abílio Tozini, lembrou as demissões na refinaria de Manguinhos e protestou contra a 8ª Rodada de Licitação promovida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). “A ANP criou regras para dificultar a participação da Petrobrás no leilão”, denunciou. O representante do Sindicato Nacional dos Aeronautas, João Pedro, pediu solidariedade do movimento sindical para os trabalhadores da Varig. “Tem gente passando fome”, informou.
Ana Maria Ribeiro, do Sintufrj, alertou para mudanças promovidas pelo Conselho Federal de Educação que elitizam a universidade, como a dissociação do ensino profissional do acadêmico.
Thiara Nascimento, do Sindicato dos Laticínios, cobrou da CUT empenho para que a apuração do assassinato do ex-presidente do Sindicato, Anderson Luís, seja feita em esfera federal. Salvador, do Coletivo de Saúde da CUT-RJ, protestou contra o decreto da alta programada para recebimentos de benefícios do INSS. “Significa também demissão programada”, disse.
O presidente do Sindicato dos Bancários, Vinícius Assumpção, informou que uma delegação do Rio de Janeiro vai ao ABC paulista levar solidariedade aos trabalhadores da Volks. A proposta do Rio será levada à Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e pode ser estendida para todo o Brasil. Eduardo Almeida, secretário de Imprensa e Divulgação da CUT-RJ, ressaltou a importância de a Central reafirmar a sua independência frente a qualquer governo.
O presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que as visitas às CUTs estaduais são prioridade da Direção. “Estamos aqui para debater sobre os principais desafios do período e para ouvir os sindicatos nos estados. Queremos diminuir a distância entre a CUT nacional, as CUTs e as confederações”. O Rio de Janeiro é a 10ª cidade visitada pela CUT nacional.
A CUT tem lado – Para Artur, a decisão do 9º Congresso Nacional da entidade de definir posição diante dos projetos que estão em disputa e apoiar a candidatura Lula não passa apenas pela reeleição. “Há dois projetos de Estado, de nação, em disputa”, disse. A CUT não quer, segundo presidente, o projeto de Estado mínimo, de privatização de estatais, de redução de investimentos em saúde e educação, representado pelo candidato do PSDB.
“Não queremos apenas impedir o retrocesso, mas avançar. Nossa decisão foi tomada com base em uma pauta de reivindicações do Movimento Social aprovada pelo 9º Concut”, afirmou. Esta pauta em síntese propõe o fortalecimento da democracia e a valorização do trabalho. Ela passa por resgatar o papel da CUT nas negociações coletivas de temas gerais como o salário mínimo, a reforma tributária e a reforma política.
Campanha Unificada dos Trabalhadores – A Campanha Unificada, lançada nacionalmente no final de agosto, tem seis eixos prioritários: Salário, Emprego, Jornada de trabalho, Saúde e segurança, Direitos sindicais e Políticas públicas. O presidente nacional da CUT destacou a necessidade de pisos salariais nacionais, contrato coletivo de trabalho, defesa dos direitos sindicais. Artur enfatizou também a organização e liberdade sindical no setor público, o combate ao assédio moral e à precarização do trabalho, a necessidade de organização no local de trabalho e a intervenção dos trabalhadores na definição do orçamento público.
Internamente, a CUT vai se debruçar, nesta gestão, sobre as necessidades da formação política, na ampliação de seus programas de comunicação que incluem a concessão de um canal de televisão e também sobre estratégias de crescimento de enfrentamento da conjuntura.
Fonte: CUT/RJ
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