Frase infeliz de assessor da Fenaban tenta transformar os trabalhadores em vilões perante a sociedade
São Paulo – “Lamento que os funcionários não tenham a preocupação com o bem-estar da população”, essa foi a declaração dos banqueiros à imprensa, dada pelo superintendente de Relações de Comunicação Social da Fenaban, William Salazar. Preocupados em bater as metas que lhes garantirão o aumento de 40% nos lucros, previstos para este ano, os donos dos bancos tentam impedir qualquer mobilização dos bancários.
Após cinco rodadas de negociação, em 40 dias, a Fenaban insiste na tese de pagar menos aos bancários, não propõe índices para a categoria e ainda não aceita marcar uma nova negociação. Os banqueiros romperam o diálogo com os trabalhadores e vão aos meios de comunicação dizer que “estranham a atitude precipitada dos bancários”, que decidiram ampliar os protestos e preparar uma greve por aumento real e PLR maior.
Ao invés de transferir o problema para os trabalhadores, os banqueiros deveriam investir no atendimento. O número de reclamações no Banco Central dobrou nos oito primeiros meses deste ano. O atendimento oferecido pelos bancos lidera o ranking de descontentamento da população, que subiu 214% no período.
“Não é de hoje que o Sindicato insiste na necessidade da ampliação do número de funcionários nas agências bancárias, que além de diminuir a pressão sobre os trabalhadores, reduziria as filas, a superlotação nas agências e promoveria o aumento da qualidade dos serviços prestados”, disse o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. Desde a década de 80 o setor desempregou metade do seu quadro de funcionários: eram 800 mil os bancários em 1984; somam, hoje, pouco mais de 400 mil.
O número de contas correntes, por outro lado, mais que dobrou. Eram 44 milhões em 1994 e já ultrapassavam os 95 milhões em 2005, perfazendo 236 contas por bancário. Uma década atrás cada um podia cuidar, com atenção, de 67 contas correntes.
Clientes – Não é sem razão que os clientes bancários não param de reclamar. Além de serem submetidos às longas filas nos bancos, ao auto-atendimento, aos juros altos, ainda pagam 384% mais por ser serviços que até pouco tempo atrás não eram cobrados. Pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), revela que na média, somando todas as taxas do sistema financeiro, os valores cobrados dos consumidores são quase quatro vezes maiores neste ano, do que em 2001.
“Quem está preocupado com o bem-estar da população, além de bom atendimento garante segurança aos clientes e funcionários nas agências e não os expõe aos riscos da violência crescente”, reforçou Luiz Cláudio. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo o número de assaltos a agências bancárias na Capital e Grande São Paulo teve crescimento de 68,75%, na comparação entre os seis primeiros meses de 2005 e o mesmo período deste ano, sem contar a proliferação de seqüestros de funcionários.
As ações que propiciam o bem-estar da população também se estendem aos fatores econômicos. Para isso os banqueiros deveriam baixar o spread bancário ao invés de pagar viagens em hotel de luxo a juízes e desembargadores do STF – pessoas que têm poder de decidir sobre rumos dessa cobrança no país – para justificar porque praticam a taxa mais cara do planeta. O ranking mundial foi divulgado pelo Banco de Compensações Internacionais.
Com habilidade fantástica, os banqueiros brasileiros captam recursos por um valor muito mais baixo do que quando os oferecem a quem precisa de dinheiro emprestado. No Brasil, o spread representa 40% do custo final da operação.
“O estudo BIS aponta ainda que manter spreads altos por longos períodos dificulta a tomada de empréstimos, o que retarda o crescimento da economia. E pode significar ineficiência no sistema bancário que fornece menos crédito do que poderia para estimular o desenvolvimento”, afirmou.
Mais contratações, fim da pressão por metas, combate ao assédio moral, redução das filas, mais segurança e redução dos juros estão entre as reivindicações da Campanha Nacional entregues à Fenaban. “Caso os banqueiros se preocupem com o bem-estar da população e de seus funcionários vão sentar à mesa de negociação e apresentar propostas às reivindicações da categoria”, ressaltou o presidente.
Por Elisângela Cordeiro – 20/09/2006
Fonte: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
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