A manifestação, quarta realizada nesta semana, faz parte das atividades promovidas em todo o país na campanha salarial dos bancários.
O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná, conhecida como Federação dos Bancários da CUT (FETEC-CUT-PR), atrasaram nesta manhã (22/09), o início de expediente dos trabalhadores do Centro Administrativo Vila Hauer do banco HSBC. Os portões só foram abertos às 12 horas. “Esta é a última advertência que estamos dando aos bancos, em especial ao HSBC. Se os bancos não entenderem responderemos dia 26 com greve”, afirma Marcelo Socoloski, secretário-geral da FETEC-CUT-PR. “Paralisamos o HSBC especificamente hoje em nome da Jornada Internacional de Luta. Manifestações também estão sendo realizadas em outros estados e em vários países da América Latina e Caribe”.
Os bancários esperam que a Fenaban apresente uma proposta de índice e para as demais cláusulas econômicas presentes na minuta de reivindicações entregue no dia 10 de agosto. “É ridícula a postura da Fenaban na mesa de negociação. Índice zero para este e para os próximos dois anos não é uma proposta, é uma provocação. Vamos parar o Brasil inteiro. Todos os bancários do país devem se comprometer com esta luta”, ressaltou Otávio Dias, secretário de finanças do Sindicato dos Bancários e representante de Curitiba no Comando Nacional.
“Temos que bater forte no HSBC, já que o banco tem sede administrativa aqui em Curitiba. Este é um compromisso que temos com cada bancário desse país”, afirma Audrea Louback, dirigente sindical e funcionária do banco.
Os trabalhadores bancários realizarão assembléia no dia 25, às 19 horas, na Sociedade Thalia (Rua Comendador Araújo, 338) para debater a deflagração da greve no dia 26. “A população deve estar ciente de que no dia 26 iremos entrar em greve. A paralisação pode ser por 24 horas ou por tempo indeterminado, isto não depende de nós, mas de uma mudança de postura da Fenaban. Não podemos aceitar índice zero”, afirma Antônio Fermino, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Curitiba.
Demissões no HSBC
“O HSBC quer ser em 2008 o melhor banco para se trabalhar, mas não adota a postura de uma empresa séria que persegue este ideal”, comenta Luiz Augusto Bortoleto, diretor do Sindicato e funcionário do HSBC. Carlos Alberto Kanak, diretor do Sindicato e dirigente da Comissão de Empresa do HSBC explica que em agosto o banco emitiu um comunicado aos trabalhadores de que iria cumprir o artigo 508 da Consolidação das Leis de Trabalho. O artigo considera justa causa, para efeito de rescisão do contrato de trabalho do bancário, a inadimplência ou como diz o artigo, a falta contumaz de pagamento de dívidas legalmente exigíveis.
Os trabalhadores ficaram assustados, especialmente aqueles que contraíram dívidas e não tem condições de realizar os pagamentos. “O banco de uma hora para outra alterou o crédito parcelado, cobrando de uma só vez. Isso causou forte impacto nas contas dos funcionários, além disso, com frequência o banco emite cartas de advertência e suspensão para punir os trabalhadores, sem dar chance de que o bancário corrija o problema”, denuncia Kanak.
“Eles não têm direito de defesa”, enfatiza Armando Dibax, secretário de organização do ramo financeiro. “Por vezes é uma situação isolada que ocasionou o problema financeiro e o bancário é punido da mesma forma”.
“O banco quer transmitir uma imagem de que tem responsabilidade social. Mas o exemplo tem que começar dentro da sua própria casa. Demitir por justa causa quem têm dívidas é uma afronta. O Sindicato já está tomando providências e pedindo explicações ao HSBC”, afirmou o diretor do Sindicato, Deonísio Schmidt.
Metas Abusivas
Os bancários lembram que o HSBC é reconhecido por forçar que seus funcionários iniciem o expediente antes do horário, de madrugada, como plano de contingência durante a campanha salarial. Esta política foi denunciada pelo Sindicato no ano passado e comprovada por meio de fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho.
Os funcionários também são submetidos ao excesso de metas. Uma funcionária de call center, que preferiu não se identificar, afirmou que as metas individuais são abusivas, mas que os trabalhadores se submetem pois “precisam de um dinheirinho extra no final do mês”. Ela contou ainda que quem não atinge a meta individual, prejudica toda a equipe, demonstrando que a política do banco não apenas estimula a competitividade como o assédio moral.
São comuns problemas de saúde em trabalhadores do call center. “O Sindicato conseguiu uma liminar que protege o emprego do trabalhador de call center em tratamento de LER/DORT, voz ou psicológico”, afirma o diretor Marco Aurélio Cruz, que atua no Sindicato e é funcionário do HSBC. “Nós pedimos para que os trabalhadores doentes procurem tratamento. O Sindicato através de sua secretaria da saúde poderá auxiliá-los e orientá-los”. Cruz denunciou ainda que o auxílio-educação só beneficia alguns, os chamados peixes dos gerentes e que o banco não está informando ao sindicato quais trabalhadores estão sendo contemplados com o benefício.
Sindicato alerta o HSBC está distorcendo informações
“Há ainda um problema de contra informação. Alguns gerentes estão divulgando dentro do HSBC que a presidência do banco quer conceder 5% de aumento real e que a Fenaban não permite. Querem colocar a negociação e o Sindicato como vilões. Isto é especulação e tem a intenção de causar confusão. Os bancários do HSBC não podem dar ouvidos à isto”, afirmou Claudi Naizer, dirigente sindical e funcionário do HSBC.
“O HSBC projetou lucro de um bilhão graças ao suor de cada bancário. Não pode dizer que a culpa da negociação não avançar é do Bradesco ou do Itaú. É de todos os bancos que compõem a Fenaban. O HSBC também é culpado, afinal ele também faz parte da mesa”, disse Deonísio Schmidt.
Já Junior Cesar Dias lembrou o discurso dos banqueiros. “Eles dizem que os bancários já ganham muito e que a lucratividade do setor não é suficiente para assegurar aumento. Enquanto isso vocês (bancários do HSBC) estão de plantão, com os celulares ligados o tempo todo, esperando o telefonema dos capitães-do-mato com ordens e orientações para driblar o movimento”, concluiu Dias, secretário dos bancos privados do Sindicato.
José Paulo Staub, presidente em exercício do Sindicato, lembrou que todos os trabalhadores do ramo financeiro estão unidos buscando melhores condições de trabalho. “Estamos todos juntos combatendo a exploração que sofre cada trabalhador do ramo financeiro neste país”.
Paralisações em todo o Paraná…
Os Sindicatos dos Bancários de Guarapuava e Paranavaí também paralisaram agências do banco HSBC até o meio-dia. Os bancários de Toledo realizaram manifestação. Em Londrina não houve expediente até o meio-dia em agências dos bancos Unibanco, Caixa econômica Federal, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, HSBC e ABN.
Patrícia Meyer
FETEC-CUT-PR
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