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Esquerda quer maior compromisso de Lula com mudanças

Movimentos voltam seu peso em direção ao governo Lula na luta para reduzir aspectos neoliberais da campanha e do mandato

No segundo turno das eleições presidenciais, os maiores movimentos sociais do país se juntaram à Central Única dos Trabalhadores (CUT) em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme antecipou o Brasil de Fato na edição 188. A partir da compreensão de que a votação coloca em movimento a luta de classes, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), dentre outros, vão priorizar até o dia 29 a luta eleitoral, como uma forma de impedir a vitória de Geraldo Alckmin (PSDB), o que representaria uma derrota dos pobres. Dom Tomás Balduíno, presidente de honra da Comissão Pastoral da Terra (CPT), explica que, no primeiro turno, os movimentos quiseram dar um posicionamento de indignação e insatisfação com os rumos do governo Lula. “Agora estamos diante da possibilidade real de retrocesso àquilo que era o Brasil colônia. Na fala do Alckmin se percebe, embora toda a direita tenha vergonha de si mesma, que ele a representa, que é contra as conquistas populares e contra a força do Estado no sentido de garantir o social”, denuncia o religioso.

EFEITO NA CAMPANHA

O apoio foi bem recebido pela campanha petista. Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT, preferia que a decisão viesse no primeiro turno mas entende que as limitações e os erros cometidos pelo governo, além da ilusão de que Lula ganharia no primeiro turno, pesaram. “O que importa agora é que estaremos todos juntos, para derrotar a direita e o neoliberalismo”, comemora. Em sua avaliação, a eleição é luta de classes, tanto no primeiro quanto no segundo turno. “O que acontece é que, no segundo turno, não existe terceira via. Todos temos que escolher uma trincheira.

O segundo turno será mais agressivo, mais politizado e mais programático. A presença da militância dos movimentos sociais pode fazer a diferença entre ganhar ou perder. Quanto mais isso ficar claro, melhor para o segundo mandato, para que não tenhamos nem Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura) nem Henrique Meirelles (presidente do Banco Central)”, afirma Pomar. Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o apoio dos movimentos sociais vai servir para que o governo saiba escolher as políticas que privilegiem os menos favorecidos. “Há uma disputa entre os setores da sociedade. A participação dos movimentos é importante para soldar os compromissos do governo, para que ele tome posição, e saiba prorizar as medidas, seja em relação ao salário mínimo e à reforma agrária, em vez de atender a outro setor da sociedade”, diz.

Perguntado sobre o que o governo poderia oferecer aos movimentos sociais em um eventual segundo mandato, Marinho explicou que, para um segundo período de Lula na Presidência, se criaram as condições para que seja posto em funcionamento um projeto de desenvolvimento, para que se faça uma transição à execução de políticas que correspondam às reivindicações populares: “Lula não conquistou tudo que os movimentos desejavam, mas manteve o diálogo, e nunca os criminalizou, como acontecia antes. Sempre vai haver diferenças entre o governar e os anseios dos movimentos, isso faz parte da democracia. Mas sempre haverá diálogo”. A decisão dos movimentos, contudo, não foi unanimidade dentro do campo da esquerda. Plinio Arruda Sampaio, candidato ao governo de São Paulo pelo Psol e que foi proibido por seu partido de se manifestar a favor de Lula ou Alckmin no segundo turno, acredita que os movimentos deveriam ter mais cautela tendo em vista o que aconteceu no primeiro mandato. “Propondo que a gente intercale e condicione esse apoio a um movimento concreto do presidente Lula demonstrando que nesse segundo turno ele vai, de fato, avançar mais no terreno da nossa proposta”, indica. Em debate promovido pela Agência Carta Maior, no dia 9, Plinio citou o que poderiam ser algumas dessas condições. Dentre elas, o fim dos leilões de privatização de bacias de petróleo, a garantia de não mexer nos direitos trabalhistas ou atualizar os índices de produtividade da agricultura. “Isso pode ser feito amanhã”, conclui.

RISCOS

Para Flávio Aguiar, editor-chefe da Carta Maior, os dois intelectuais não dão a devida importância para o verdadeiro inimigo, a direita. “Caso Alckmin vença, pode ser que não tenhamos mais Petrobras e legislação trabalhista para defender”, alerta. Os movimentos sociais também sabem que não terão vida fácil em um novo governo tucano. “O grupo que cerca Alckmin é muito violento em termos de defesa da propriedade privada. A existência do MST para eles é quase uma ofensa. Com certeza haverá mais repressão e violência em relação aos movimentos sociais”, aposta Luiz Marcos Gomes, jornalista e economista.

(Colaboraram Dafne Melo e Igor Ojeda, da Redação)

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.brasildefato.com.br.

Por 14:52 Notícias

Esquerda quer maior compromisso de Lula com mudanças

Movimentos voltam seu peso em direção ao governo Lula na luta para reduzir aspectos neoliberais da campanha e do mandato
No segundo turno das eleições presidenciais, os maiores movimentos sociais do país se juntaram à Central Única dos Trabalhadores (CUT) em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme antecipou o Brasil de Fato na edição 188. A partir da compreensão de que a votação coloca em movimento a luta de classes, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), dentre outros, vão priorizar até o dia 29 a luta eleitoral, como uma forma de impedir a vitória de Geraldo Alckmin (PSDB), o que representaria uma derrota dos pobres. Dom Tomás Balduíno, presidente de honra da Comissão Pastoral da Terra (CPT), explica que, no primeiro turno, os movimentos quiseram dar um posicionamento de indignação e insatisfação com os rumos do governo Lula. “Agora estamos diante da possibilidade real de retrocesso àquilo que era o Brasil colônia. Na fala do Alckmin se percebe, embora toda a direita tenha vergonha de si mesma, que ele a representa, que é contra as conquistas populares e contra a força do Estado no sentido de garantir o social”, denuncia o religioso.
EFEITO NA CAMPANHA
O apoio foi bem recebido pela campanha petista. Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT, preferia que a decisão viesse no primeiro turno mas entende que as limitações e os erros cometidos pelo governo, além da ilusão de que Lula ganharia no primeiro turno, pesaram. “O que importa agora é que estaremos todos juntos, para derrotar a direita e o neoliberalismo”, comemora. Em sua avaliação, a eleição é luta de classes, tanto no primeiro quanto no segundo turno. “O que acontece é que, no segundo turno, não existe terceira via. Todos temos que escolher uma trincheira.
O segundo turno será mais agressivo, mais politizado e mais programático. A presença da militância dos movimentos sociais pode fazer a diferença entre ganhar ou perder. Quanto mais isso ficar claro, melhor para o segundo mandato, para que não tenhamos nem Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura) nem Henrique Meirelles (presidente do Banco Central)”, afirma Pomar. Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o apoio dos movimentos sociais vai servir para que o governo saiba escolher as políticas que privilegiem os menos favorecidos. “Há uma disputa entre os setores da sociedade. A participação dos movimentos é importante para soldar os compromissos do governo, para que ele tome posição, e saiba prorizar as medidas, seja em relação ao salário mínimo e à reforma agrária, em vez de atender a outro setor da sociedade”, diz.
Perguntado sobre o que o governo poderia oferecer aos movimentos sociais em um eventual segundo mandato, Marinho explicou que, para um segundo período de Lula na Presidência, se criaram as condições para que seja posto em funcionamento um projeto de desenvolvimento, para que se faça uma transição à execução de políticas que correspondam às reivindicações populares: “Lula não conquistou tudo que os movimentos desejavam, mas manteve o diálogo, e nunca os criminalizou, como acontecia antes. Sempre vai haver diferenças entre o governar e os anseios dos movimentos, isso faz parte da democracia. Mas sempre haverá diálogo”. A decisão dos movimentos, contudo, não foi unanimidade dentro do campo da esquerda. Plinio Arruda Sampaio, candidato ao governo de São Paulo pelo Psol e que foi proibido por seu partido de se manifestar a favor de Lula ou Alckmin no segundo turno, acredita que os movimentos deveriam ter mais cautela tendo em vista o que aconteceu no primeiro mandato. “Propondo que a gente intercale e condicione esse apoio a um movimento concreto do presidente Lula demonstrando que nesse segundo turno ele vai, de fato, avançar mais no terreno da nossa proposta”, indica. Em debate promovido pela Agência Carta Maior, no dia 9, Plinio citou o que poderiam ser algumas dessas condições. Dentre elas, o fim dos leilões de privatização de bacias de petróleo, a garantia de não mexer nos direitos trabalhistas ou atualizar os índices de produtividade da agricultura. “Isso pode ser feito amanhã”, conclui.
RISCOS
Para Flávio Aguiar, editor-chefe da Carta Maior, os dois intelectuais não dão a devida importância para o verdadeiro inimigo, a direita. “Caso Alckmin vença, pode ser que não tenhamos mais Petrobras e legislação trabalhista para defender”, alerta. Os movimentos sociais também sabem que não terão vida fácil em um novo governo tucano. “O grupo que cerca Alckmin é muito violento em termos de defesa da propriedade privada. A existência do MST para eles é quase uma ofensa. Com certeza haverá mais repressão e violência em relação aos movimentos sociais”, aposta Luiz Marcos Gomes, jornalista e economista.
(Colaboraram Dafne Melo e Igor Ojeda, da Redação)
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.brasildefato.com.br.

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