Adital – Neste domingo se conclui o processo eleitoral. Com a realização do segundo turno para a Presidência da República, a campanha eleitoral se prolongou em todo o país. Agora, nada mais salutar do que deixar o povo votar. A legislação prevê que a propaganda cesse antes do dia da eleição. A decisão pessoal dos eleitores não deve ser perturbada por pressões indevidas de última hora. O povo tem direito a um espaço de reflexão pessoal, para assumir conscientemente sua opção, de acordo com suas convicções, e ciente do compromisso que decorre de sua escolha.
Episódios recentes de nossa história testemunham com clareza manobras mal intencionadas, realizadas às vésperas das eleições, com expedientes desonestos, com o intuito de tumultuar a opinião pública, com influência direta sobre o resultado das urnas.
Cabe em primeiro lugar à Justiça Eleitoral, prontamente e com isenção de ânimo, estar atenta para em cima da hora, se possível, coibir tais abusos, praticados, sobretudo, por quem dispõem de recursos financeiros que acionam poderosos meios de comunicação.
Mas quem pode neutralizar estas manobras são os próprios eleitores. Na medida em que se fortalece o processo democrático, o povo tem mais discernimento, e percebe mais rapidamente as armações que se montam em vista das eleições. Tanto que estas manobras já começam a produzir efeitos contrários.
Não faz mal estarmos atentos, também desta vez. O bom senso, inclusive, nos leva a uma conclusão muito serena e tranqüila. Com uma campanha eleitoral tão longa, e ainda por cima redobrada com um segundo turno, não serão versões de última hora que devem decidir nosso voto.
Este alerta é importante, dadas as tensões que marcaram sobretudo os debates do segundo turno, carregados de acusações e de insinuações. É bom nos vacinarmos preventivamente contra possíveis intentos de perturbar a hora do voto. O povo tem direito ao seu espaço de decisão pessoal.
Seja qual for o resultado das urnas, ele precisa ser respeitado, e tomado como ponto de partida para a prática de nossa cidadania, que vai além da obrigação de votar. As eleições são importantes, mas não esgotam nossas responsabilidades políticas. Neste sentido, é bom perceber que o voto expressa nossa liberdade, mas compromete também nossa responsabilidade. Por isto, o dia das eleições nos faz pensar mais no futuro do que no passado. Ele relativiza a campanha eleitoral, e aponta para o exercício cotidiano de nossa participação política, que precisa se traduzir no empenho em colocar nossa atuação pessoal, de modo que ela contribua positivamente para o bom encaminhamento das soluções que precisamos encontrar para os problemas apontados pela campanha eleitoral.
Quanto mais limpas e serenas as eleições, maiores as possibilidades para a rápida superação das tensões eleitorais, e o pronto estabelecimento do clima de trabalho, indispensável para o bom desempenho dos mandatos confiados pelos eleitores.
Uma prova desta disposição de entendimento profícuo é o convite que a Diocese de Jales está fazendo a todos os Prefeitos que compõem o seu território, para a reunião prevista já para a próxima terça-feira dia 31, em parceria com a Prefeitura de Jales e com o Projeto Terra do Sol, para pensarmos juntos o futuro de nossa região.
A hora é de votar, mas a temporada é de trabalhar para o futuro do nosso país.
Por Dom Demétrio Valentini, que é Bispo de Jales, São Paulo.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.adital.org.br.
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