BRASÍLIA (Reuters) – O carimbo de “grau de investimento” dado pela Standard & Poors à dívida interna de longo prazo do Brasil fará crescer não apenas o volume, mas a qualidade dos investimentos em títulos públicos federais.
A avaliação é do secretário-adjunto do Tesouro Nacional responsável pela administração da dívida, Paulo Valle, que se disse favoravelmente surpreso com a decisão da agência de classificação de elevar a nota em dois graus de uma só vez.
Na quarta-feira, a S&P colocou o rating da dívida brasileira em moeda estrangeira a um passo do grau de investimento, mas a local subiu logo dois níveis e chegou a “BBB-” –na faixa considerada de menor risco de calote.
Valle destacou que muitos fundos de pensão estrangeiros que são proibidos por seus governos de aplicar em economias emergentes sem grau de investimento poderão agora direcionar recursos para o Brasil.
Ele não arriscou calcular o volume de recursos que isso pode representar, mas afirmou que “os números são estrondosos” e destacou a vantagem de se tratar de investidores interessados em papéis prefixados e de longo prazo –os melhores para o gerenciamento da dívida.
“O Brasil está atingindo uma nova classe de investidores”, afirmou Valle à Reuters nesta quinta-feira. Segundo ele, o aumento da base de investidores diminuirá o risco e a volatilidade da dívida e tornará mais fácil para o governo ajustar seu portfólio ao que considera uma composição ideal.
CHAMPAGNE
Nesta quinta-feira, o Tesouro vendeu títulos prefixados de 10 anos (NTN-F) com taxa inferior a 10 por cento pela primeira vez. Valle disse que essa redução do custo da dívida é, antes de tudo, “reflexo dos fundamentos”, mas acrescentou que o anúncio da S&P também pode ter tido um impacto favorável.
O secretário destacou que essa taxa era impensável há alguns anos e “ainda tem um bom espaço para cair”. Como parâmetro, ele citou o caso do México onde, segundo ele, papéis prefixados de 10 a 20 anos têm taxa em torno de 7,5 por cento.
A parcela da dívida interna mexicana na mão de estrangeiros também é bem mais elevada –cerca de 10 por cento, ante 3,56 por cento no caso brasileiro (dados de março).
À entrada do gabinete da Secretaria do Tesouro Nacional foi colocada uma garrafa do champagne “Veuve Clicquot” com um bilhete que indica que será aberta quando o Brasil receber grau de investimento.
Valle citou avaliações de analistas indicando que “aumentou bastante” a possibilidade de a garrafa ser aberta dentro dos próximos 12 meses, depois de a S&P ter mantido a nota brasileira em perspectiva positiva.
Por Isabel Versiani.
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BC da China aumenta juros, compulsórios e altera taxa de câmbio
PEQUIM (Reuters) – O Banco Central da China anunciou na sexta-feira que irá ampliar a banda diária de flutuação do iuan contra o dólar para 0,5 por cento, dias antes de uma importante reunião do país com os Estados Unidos para discussão de questões comerciais como o valor da moeda chinesa.
O Banco Popular da China também informou em seu site (www.pbc.gov.cn) que vai aumentar as taxas de juros para depósitos e empréstimos, bem como a proporção de dinheiro que os bancos do país devem manter em reserva, os chamados depósitos compulsórios.
A ampliação da banda do iuan, que atualmente é de 0,3 por cento, entrará em vigor na segunda-feira, informou o banco central. O iuan poderá subir ou descer 0,5 por cento por dia em relação a um valor que será definido a cada manhã.
“Isso é favorável para promover ainda mais o desenvolvimento do mercado cambial e vai aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio do iuan”, informou o banco central chinês em comunicado.
Os EUA têm pressionado a China para permitir que o iuan, que muitos em Washington acreditam estar artificialmente desvalorizado, se aprecie mais rapidamente.
O anúncio do BC chinês acontece antes de um “diálogo econômico estratégico” entre os dois países marcado para 22 e 23 de maio. Representantes dos EUA têm afirmado que buscam por um progresso tangível em importantes assuntos.
Entretanto, o banco central chinês reafirmou a linha oficial de manter o iuan basicamente estável, acrescentando que a ampliação da banda não necessariamente significa que haverá grandes flutuações na taxa de câmbio ou que a moeda da China irá se apreciar de maneira significativa.
A banda diária contra outras moedas, atualmente em 3 por cento, ficará inalterada, informou o BC chinês.
A autoridade monetária divulgou em comunicado separado que a taxa de juro para empréstimos de um ano subirá 0,18 ponto percentual e a taxa para depósitos de um ano será elevada em 0,27 por cento. As medidas entram em vigor a partir de 19 de maio.
A decisão fará com que a taxa de juro para empréstimos de um ano suba para 6,57 por cento, ante 6,39 por cento. No caso da taxa de depósito, o juro irá para 3,06 por cento, ante 2,79 por cento.
A alíquota dos depósitos compulsórios subirá 0,5 ponto percentual a partir de 5 de junho. Isso fará com que a taxa para os grandes bancos suba para 11,5 por cento.
Com as medidas anunciadas nesta sexta-feira, o BC da China acumula quatro aumentos dos juros desde 27 de abril de 2006 e oito elevações dos compulsórios desde junho passada.
Analistas já esperavam novas medidas de aperto monetário, uma vez que os indicadores econômicos têm mostrado que a economia do país está crescendo em ritmo acelerado.
Por Eadie Chen, Zhou Xin e Charlie Zhu.
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