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Prejuízos socializados; governos injetam bilhões de dólares nos bancos, em meio a demissões maciças

Se há uma certeza entre a maioria dos economistas de diversos matizes ideológicos é de que a crise financeira global vai persistir por muito tempo. Não é chilique passageiro de operadores estressados. O próprio Rodrigo Rato, diretor-gerente do cauteloso Fundo Monetário Internacional (FMI), admitiu, na quarta 22, em visita ao Brasil, que a instituição deve revisar para baixo a previsão de crescimento médio mundial, que era de 5%.

A operação global para minimizar os estragos da bolha imobiliária americana continua a todo vapor. O Federal Reserve, na sexta 17, reduziu a taxa de redesconto (juro cobrado nas operações entre o banco central e as instituições financeiras) em 0,5 ponto porcentual, para 5,75% ao ano.

Na seqüência, na segunda 20, injetou mais 3,5 bilhões de dólares no sistema financeiro, por meio da recompra de títulos do Tesouro em mãos dos bancos, com o objetivo de evitar o estrangulamento de crédito. No mesmo dia, a empresa americana de hipotecas Thornburg Mortgage vendeu 20,5 bilhões de dólares em ativos para fazer caixa. Outra financeira, a KKR Financial, pretende lançar mais ações na bolsa de valores para levantar 500 milhões de dólares.

Mais: a Countrywide Financial informou na sexta 17 que iniciará um processo de demissão de 500 funcionários, do quadro de 61 mil, do seu staff. De olho em supostas pechinchas, o Bank of America investiu 2 bilhões de dólares na financeira, ao comprar ações sem direito a voto.

A maré não está para peixe graúdo ou miúdo. O Fed voltou à carga na terça 21, com 3,75 bilhões de dólares. O Banco do Japão colocou 7 bilhões de dólares adicionais em circulação e o Banco Central da Austrália, outros 4 bilhões de dólares. O risco da quebradeira é presente nos grandes centros financeiros internacionais. O Banco Central Europeu (BCE) informou que, na quinta 23, oferecerá 55 bilhões de dólares extras ao sistema, enquanto o Fed injetou mais 17 bilhões de dólares.

Na mesma terça, a Capital One Financial anunciou que fechará sua unidade de financiamento imobiliário, a GreenPoint Mortgage, comprada há menos de um ano. Demitirá 1,9 mil funcionários, ao custo de 860 milhões de dólares. A Lehman Brothers informou que desativará seu braço de financiamento imobiliário, com a demissão de 1,2 mil trabalhadores.

Desta vez, não se trata de mazelas de países periféricos, que costumavam freqüentar o FMI de pires na mão, nas décadas de 80 e 90. Não estão na berlinda apenas instituições desconhecidas do cidadão não americano. Bancos com presença global bateram às portas do Fed para pedir ajuda. Os mais recentes casos foram do Citibank, JP Morgan, Bank of America e Wachovia, que tomaram empréstimos individuais de 500 milhões de dólares, por meio da linha de redesconto.

Apesar de minimizada em princípio pelas autoridades, a situação assumiu contornos mais sérios. Tanto que, na segunda 20, o presidente Lula reuniu-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, justamente para traçar estratégias e evitar que a crise paralise projetos fundamentais para o País, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assessores disseram que a ordem é não precipitar decisões e evitar discordâncias públicas entre os ministros.

Na terça 21, foi a vez de George W. Bush enviar o presidente do Fed, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, para uma conversa com o senador democrata Christopher Dodd, chefe do Comitê Financeiro do Senado. O recado oficial, dado pelo congressista após a reunião, foi o seguinte: “Bernanke usará todas as ferramentas à disposição” para lidar com a atual volatilidade global, afirmou o democrata. A discussão sobre os rumos da política monetária americana é pública, como se constata, e eminentemente política.

Leia toda a reportagem em CartaCapital – Edição 459.

Por Márcia Pinheiro.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cartacapital.com.br.

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