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Doenças afastam 37 mil trabalhadores no PR; LER e perda de audição têm maior incidência

Perto de 37 mil trabalhadores formais, no Paraná, são afastados de suas atividades todos os anos por causa de doenças ocupacionais ou acidentes de trabalho. Esse número é 37% maior que o registrado no final da década de 90, quando começou a se observar uma tendência de queda, entre 1998 e 2001.

O panorama favorável, no entanto, durou pouco tempo. Nos últimos cinco anos, os afastamentos voltaram a crescer. O assunto está sendo debatido, em Curitiba, no 2º Congresso Brasileiro de Higiene Ocupacional e o 14º Encontro Brasileiro de Higienistas Ocupacionais.

Para o delegado regional do Trabalho, Sérgio Silveira de Barros, a retomada do crescimento econômico e o consequente acréscimo na contratação de mão-de-obra, a partir de 2002, poderiam justificar o aumento dos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

Porém, o percentual de trabalhadores afastados cresceu em ritmo bem superior ao do emprego formal, o que reflete a falta de investimentos por parte do empregador em programas de prevenção. As empresas não estão investindo, suficientemente, em segurança do trabalho, alertou Barros, que reconhece uma outra falha: a estrutura deficitária de fiscalização no País.

Barros destacou que, entre 60% e 70% da força de trabalho no Brasil estão concentrados em empresas de pequeno porte, que não têm suficiência financeira para investir em sistemas de gestão. Para ele, o que falta mesmo é uma visão estratégica, pois os programas voltados à segurança e medicina do trabalho têm influência direta sobre o rendimento dos trabalhadores e o bom desempenho do processo produtivo.

Por lei, toda empresa -independente do número de empregados- deve implantar o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Resumidamente, o primeiro ajuda a identificar as condições inseguras a que os trabalhadores estão expostos -como ruído excessivo, temperaturas extremas, níveis de vibrações e radiações, substâncias químicas ou agentes biológicos- e indicar medidas preventivas para diminuir os riscos. O segundo define quais os exames clínicos a que os empregados devem ser submetidos em função dos riscos a que estão expostos.

De acordo com Barros, a inexistência desses programas ou falhas graves na sua implementação são os principais fatores que levam a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) a notificar, autuar e até interditar empresas. Entre as irregularidades mais frequentes, exemplificou, estão a falta de dispositivos de proteção e segurança nos equipamentos, falhas na manutenção e falta de treinamento adequado aos empregados.

LER tem maior incidência

As estatísticas de doenças ocupacionais, no Brasil, são falhas, mas, estima-se que aproximadamente 30 mil pessoas ficam doentes, todos os anos, por causa do trabalho, segundo informou o presidente da Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO), Marcos Domingos da Silva. As lesões por esforço repetitivo e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (LER/DORT) são, hoje, a principal causa de afastamentos. Outra doença de maior incidência é perda de audição, principalmente, por exposição a ruído, agentes químicos, radiações ionizantes e acidentes com traumatismo craniano.

Silva atribui o elevado número de doentes à ‘‘falta de comprometimento do empresário com o seu ambiente de trabalho’’. ‘‘Ele escolheu aquele processo produtivo e deve estar ciente dos riscos que gera e de como irá minimizá-lo’’, acrescentou o higienista, observando, ainda, que há, também, muitos empresários sérios e conscientes de sua responsabilidade com a saúde do trabalhador. Os programas de qualidade, principalmente, nas grandes empresas e naquelas que atuam com comércio exterior, segundo ele, têm servido de estímulo para a adoção de ações preventivas em saúde ocupacional.

O vice-presidente de Formação e Educação Profissional da ABHO, Satoshi Kitamura, lembrou que a legislação brasileira (que normatiza as questões de segurança e saúde no trabalho) é uma das melhores do mundo. Mas, essa preocupação é, relativamente, recente: começou a se intensificar na década de 80. Para ele, a cobrança por parte dos trabalhadores em relação à segurança é maior nos grandes centros, onde os sindicatos são mais atuantes. O que precisa, acrescentou, é que essa cobrança seja feita sob uma ótica mais técnica.

A trabalhadora bancária Adriana Diomara Duarte, 36 anos, integra as estatísticas de trabalhadores afastados por doenças ocupacionais. Começou a sentir os sintomas de LER/DORT, em 1997, e quando recebeu o diagnóstico definitivo, a doença já estava em estágio bastante avançado, o que a obrigou a se afastar de suas funções de caixa, nos últimos cinco anos. Além das dores nas mãos, cotovelos e ombro, a perda de movimentos e impossilidade de executar tarefas simples, fizeram Adriana entrar em depressão.

Adriana concorda que a preocupação das empresas com segurança e saúde ocupacional é mais recente. A instituição em que trabalha, por exemplo, adotou a ginástica laboral e acompanhamento com fisioterapeutas, o que não fazia parte da rotina da empresa, enquanto ela ainda trabalhava. (Andréa Lombardo)

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO: www.bonde.com.br

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