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Berzoini diz que garantiu democracia interna; Tatto vê risco de concentração do poder

Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto disputam o 2º turno das eleições para a presidência do partido. Em entrevistas exclusivas, eles falam sobre seus projetos, a relação com o governo Lula e os planos para 2010.

SÃO PAULO – No próximo dia 16 acontece o segundo turno das eleições para a presidência nacional do PT. O deputado federal Ricardo Berzoini (SP), atual presidente, disputa a reeleição. O desafiante é o também deputado federal Jilmar Tatto (SP). Mais de 326 mil petistas participaram da primeira fase das eleições internas, que iniciou o processo de escolha dos dirigentes do PT, em todos os níveis, para os próximos dois anos.

O total de votantes foi superior ao registrado nas eleições internas de 2005 (314.926). Dos 326.147 votos apurados, Berzoini obteve 131.699 (43,42%) e Tatto 61.440 (20,25%). Na seqüência aparecem José Eduardo Cardozo (19,02%), Valter Pomar (12%), Gilney Viana (3,71%), Markus Sokol (0,99%) e José Carlos Miranda (0,61%). Os próximos dias serão cruciais para a reorganização dos apoios para o segundo turno.

Em entrevistas exclusivas à Carta Maior, Berzoini e Tatto falam sobre seus projetos para o partido, a relação com o governo Lula e os planos para as eleições de 2010. Para o atual presidente do PT, sua vitória seria a continuidade de um mandato que corrigiu os “erros” do passado com “mais transparência e formalização do fluxo de receitas e despesas”, além de ter “garantido um debate interno aberto”.

Para Tatto, porém, o PT precisa ter seu poder mais partilhado, o que não será possível se Berzoini vencer. “Ele tem 43% do partido sozinho e um terço dos presidentes estaduais são da corrente dele. Ter uma força com esse poderio todo já mostrou ser perigoso, basta ver a história recente do partido”, afirmou o deputado. A seguir, leia os principais trechos dessas entrevistas.

Por Marcel Gomes.
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Berzoini diz que garantiu a democracia interna

Carta Maior – No que a sua proposta para o partido se diferencia da de Jilmar Tatto?

Ricardo Berzoini – Primeiro é bom lembrar que esta é uma eleição que acontece logo após o 3º Congresso do PT. Então, do ponto de vista de conteúdo político, o Congresso é a referência. Tomamos várias decisões lá e não cabe fazer debate de proposta fora dessa agenda. Sobre o modo de funcionar da presidência, estamos apresentando um trabalho de dois anos, com democracia interna, coesão e unidade que assegurou o bom funcionamento do 3º Congresso e uma boa relação com os movimentos sociais e os outros partidos de nossa aliança.

CM – Como está a composição das chapas no segundo turno? O senhor procurou alguém para tentar um acordo?

RB – Nos estamos conversando bastante com grupos regionais que estiveram vinculados a outras candidaturas e várias lideranças que apoiaram José Eduardo Martins Cardozo no primeiro turno. Estamos também procurando governadores, deputados e outras lideranças que estiveram com outros chapas, mas me comprometi a anunciar isso só quando tudo estiver formalizado.

CM – O PT defendeu em seu 3º Congresso medidas complexas, como a realização de uma assembléia constituinte para revisar a legislação eleitoral e fazer a reforma política. Como o senhor pretende dar prosseguimento a isso?

RB – A questão da Constituinte deve ser debatida para além do PT, não podemos ter a presunção de que conseguiríamos mobilizar todo o mundo político em benefício dessa tese. Precisamos dialogar com os partidos de esquerda, com o PMDB e os outros partidos da coalizão, e com os movimentos sociais. Essa campanha de mobilização tem de lidar com a opinião pública de um lado e com as entidades mais organizadas de outro. Já foi aprovada por consenso na Executiva do partido a coleta de assinaturas para que seja apresentada uma proposta de emenda constitucional por iniciativa popular. É um trabalho a ser feito no ano que vem.

CM – Em que áreas o governo Lula está mais acertando?

RB – O governo tem conseguido neste segundo mandato convergir uma série de projetos que o partido vinha apresentando anteriormente, como aceleração do crescimento econômico, com iniciativas nos níveis macro e micro. O Programa de Desenvolvimento da Educação também é muito importante, assim como as medidas para desonerar setores com alto índice de inovação e que podem agregar mais valor à produção nacional.

CM – E em que áreas o governo Lula está mais errando?

RB – A relação com o sistema financeiro ainda deixa a desejar. Ontem (dia 6/12) houve uma resolução do Conselho Monetário Nacional sobre as tarifas bancárias, mas com relação aos juros há um descompasso entre a vontade da população, a vontade do governo e o que pode ser feito. E na área da saúde é preciso reduzir os problemas de gestão no SUS. Há muitos problemas de responsabilidade de Estados e municípios, mas em parte a responsabilidade é do governo federal.

CM – O PT vai ter candidato próprio em 2010?

RB – O PT tem todas as condições, como força política e nomes, para ter candidatos, mas isso passa por acumular forças em 2008. As candidaturas precisam ser debatidas em torno de programas, precisamos discutir o que o PT pode fazer para aprofundar as mudanças já feitas pelo governo lula. Não pode ser apenas uma idéia genérica de continuidade, mas algo que aprofunde o debate para o Brasil ser uma nação capaz de ser ainda mais relevante no setor internacional e distribuir mais para sua população os benefícios do crescimento e do desenvolvimento.

CM – O senhor tem alguma preferência de nomes?

RB – Não é o caso de discutir nomes neste momento, é preciso construir o programa, passar bem pelas eleições de 2008 e abrir o debate sobre nomes em 2009.

CM – Como o senhor vê a última pesquisa Datafolha que coloca Serra favorito para 2010?

RB – E uma pesquisa realizada três anos antes da eleição, que reflete mais conhecimento e exposição pública do que o cenário eleitoral. As pesquisas serão mais úteis quando as candidaturas estiverem definidas.

Por Marcel Gomes.
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Tatto vê risco de concentração do poder

Carta Maior – No que a sua proposta para o partido se diferencia da de Ricardo Berzoini?

Jilmar Tatto – Na questão da democracia interna do PT. Ele tem 43% do partido sozinho e um terço dos presidentes estaduais são da corrente dele. Ter uma força com esse poderio todo já mostrou ser perigoso, basta ver a história recente do partido. É preciso que se faça o partilhamento do poder dentro do PT, isso é educativo, e evita que uma força hegemônica se sobreponha à estrutura partidária. Eu também expresso a renovação do PT, do ponto de vista apolítico, da relação com o governo Lula, porque defendo um partido mais autônomo e menos burocrático, voltado para as bases partidárias.

CM – Como está a composição das chapas no segundo turno? O senhor procurou alguém para tentar um acordo?

JT – Estou conversando com todos, tenho agenda com todo pelo país. Já recebi apoio da Articulação de Esquerda, que teve 12% do PED e tem vários deputados.

CM – O PT defendeu em seu 3º Congresso medidas complexas, como a realização de uma assembléia constituinte para revisar a legislação eleitoral e fazer a reforma política. Como o senhor pretende dar prosseguimento a isso?

JT – Queremos implementar as políticas decididas pelo 3º Congresso. Defendemos um plebiscito para definir essa questão da Assembléia Constituinte exclusiva sobre o tema, porque esse Congresso atual é conservador e não vai conseguir fazer a reforma política. Nós já tentamos e não saiu nada. O ideal seria aproveitar as eleições de 2008 para consultar o povo e perguntar sobre a Assembléia.

CM – Em que áreas o governo Lula está mais acertando?

JT – Área social, nos investimento em infra-estrutura, como energia, transporte e saneamento, também na política externa.

CM – E em que áreas o governo está errando mais?

JT – Podia avançar mais no debate sobre os meios de comunicação, o Banco Central podia ser menos conservador e na articulação política está faltando gente do PT.

CM – O PT vai ter candidato próprio em 2010?

JT – Com certeza. É a garantia da continuidade de um governo de mais mudanças e que, evidentemente, dialogue com os outros partidos aliados. Mas, pela importância de nosso partido na sociedade brasileira, é fundamental lançarmos candidatura própria.

CM – O senhor tem alguma preferência de nomes?
JT – Ainda não.

CM – Como o senhor vê a última pesquisa Datafolha que coloca Serra favorito para 2010?

JT – Vejo como natural e sem preocupação. Na medida em que o PT ainda não tem candidato, o debate não está colocado. Na hora em que colocarmos o time em campo, vamos para o segundo turno e ganharemos a eleição.

CM – O senhor é a favor ou contra mudar a Constituição para permitir a Lula disputar o terceiro mandato consecutivo?

JT – Sou contra. É errado e perigoso para a democracia mudar a regra do jogo no meio campeonato como o FHC. Tem de haver alternância de poder.

Por Marcel Gomes.

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