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Diferencial de juros brasileiro derrete o dólar

As razões para a queda do dólar

Warren Buffet já disse que o melhor investimento do mundo é o real. Taxas elevadas, risco baixo, tudo garantido por superávits fiscais expressivos, recurso desviado de investimento em infra-estrutura, investimentos sociais ou, se sobrando, para reduzir impostos.

O jogo da arbitragem é simples, leve e direto. Trata-se de pegar dinheiro (dólar) em um país com baixas taxas de juros e transformá-los em reais, investindo no Brasil. Com o alto juro brasileiro, o investidor vende os reais (já valorizados) e ganha no spread (diferença dos juros pagos para pegar dólar e do arrecadado com os juros brasileiros). De quebra, ainda ganha com a desvalorização do dólar frente o real, pois sua dívida, em dólares, terá sido reduzida no período.

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Quem entra com dólares no País tem dois caminhos a seguir: pode investir em dólares (em títulos da dívida externa) ou em reais. Caso escolha aplicar em dólares, o Brasil pagará ao investidor taxas de 6,5% ao ano em títulos de maturidade média de 8,5 anos. As aplicações são no exterior em papéis sem risco cambial. Se quiser investir em reais, o Brasil paga 11,25% para um título que tem maturidade de um dia – “maturidade” significa prazo de aplicação.

A arte da política monetário-cambial consiste em manter a taxa Selic (que remunera as aplicações em real) em um patamar tal que não provoque uma enxurrada de dólares no pais, com recursos saindo de títulos brasileiros em dólares, para títulos brasileiros em reais.

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Antigamente, explica Paulo Tenani, do UBS, o Brasil pagava 13,5% pelos seus títulos em dólares. Para evitar uma fuga ampla para dólares, jogando o câmbio lá embaixo, a Selic tinha que permanecer em 18% ao ano – que correspondia à remuneração em dólares mais taxa de risco.

Agora, o Brasil paga apenas 6,5% pelas aplicações em dólares. A Selic teria que cair na mesma proporção. Mas o conservadorismo do Banco Central impediu uma queda maior. Com isso, vai continuar o processo de valorização cambial até que as taxas de juros caiam pressionadas pelo câmbio.

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Mesmo com a trajetória de queda da Selic nos últimos anos, o que determina a maior ou menor entrada de dólares é o diferencial entre os juros internos e externos – que continua bastante elevado.

E esse diferencial aumentará a partir desta semana, quando o FED (Federal Reserve, o Banco Central americano) reduzir ainda mais os juros nos Estados Unidos.

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O cenário para o dólar, tanto para manutenção da Selic como para leve queda da taxa, é de desvalorização frente ao real. A única possibilidade de interromper a queda seria algum fator externo que aumentasse a chamada aversão ao risco dos investidores internacionais. Sem esse fator de risco, o diferencial de juros brasileiro é suficientemente elevado para derreter o dólar.

Os fatores que poderão interromper a queda do dólar, além da aversão ao risco, será o aumento do déficit em transações correntes no Brasil e o fortalecimento da economia americano, permitindo a recuperação do dólar.

Por luís Nassif com Klinger Portella.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.projetobr.com.br/web/blog/6#6661.

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