Deputados e deputadas da bancada petista na Câmara listaram nesta terça-feira uma série de problemas e desafios para promover igualdade de gêneros e coibir a violência doméstica no país. O conservadorismo da sociedade brasileira, a falta de apoio do Estado e a cultura machista, segundo os parlamentares, são os principais responsáveis pela ausência de mulheres no poder. O tema foi abordado durante comissão geral em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (8 de março). Além dos parlamentares, compareceram na plenária autoridades do governo e diversos representantes da sociedade civil organizada.
A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) acusou o Congresso Nacional de omissão por não discutir de forma efetiva a presença da mulher no poder. “A culpa é desta Casa (Congresso) que se omitiu na discussão da presença da mulher na política. Os projetos existem e já tramitam na Câmara, mas não conseguimos força política para colocá-los em votação”, disse. Fátima afirmou que as mulheres querem se candidatar, no entanto, sua primeira barreira começa na “mesa de reunião de seu próprio partido”.
Fátima também cobrou que os partidos lancem nomes de mulheres aos cargos de vereadoras e prefeitas nas eleições deste ano, aumentando a participação feminina nessas funções. “Existe um déficit de gênero na democracia brasileira, que está expressa na realidade que nos cerca: como podemos ser apenas 46 deputadas federais se somos 52% da população brasileira?”, questionou. Ela destacou ainda que, nas eleições de 2004, 75% dos municípios brasileiros tinham apenas candidatos homens para o cargo de prefeito.
A deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP), defendeu cotas para as mulheres e para a população negra como mecanismo de garantir participação popular mais representativa da população brasileira. “Lugar de mulher é na política. Não precisamos só de uma cota de 30% de mulheres candidatas, precisamos de 30%, no mínimo, de mulheres eleitas”, defendeu. Janete cobrou a efetiva implantação da Lei Maria da Penha que aumenta os mecanismos de proteção à violência doméstica e cobrou instalação de juizados especiais de mulheres em todos os estados, conforme prevê a lei.
Machismo – O deputado Fernando Ferro (PT-PE) disse que é preciso combater o conservadorismo da sociedade brasileira que ainda alimenta o preconceito contra as mulheres. “Somos criados dentro de uma sociedade conservadora. Sabemos que o machismo faz parte dessa sociedade, e isso implica em violência doméstica em todas as classes sociais do país, dos barracos aos casebres”, afirmou. Ferro elogiou a postura das mulheres que lutam contra essa realidade.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que 2008 será um ano de trabalho da bancada feminina na defesa dos direitos efetivos à cidadania. Ela citou pesquisa da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, para mostrar que a luta por cidadania “será sempre uma tarefa difícil”, uma vez que mais de 2 milhões de mulheres são vítimas de violência todo ano.
Por Edmilson Freitas.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍITO www.ptnacamara.org.br.