Aliança estratégica FUP e Conticom-CUT
Representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom/CUT) selaram no início da tarde desta quinta-feira (20) uma aliança estratégica para combater a precarização e exigir o cumprimento de direitos pela Petrobrás. Realizado na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores, o encontro reuniu 22 dirigentes de quatro estados (BA, ES, PR, SP).
De acordo com o líder petroleiro Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT, ao somarem forças na ação, FUP e Conticom além de potencializarem seu poder de pressão e mobilização, vão praticar na sua plenitude a concepção que o sindicalismo cutista tem desde sua fundação: “unidade na luta em benefício do conjunto da classe trabalhadora”. “A estrutura sindical, compartimentada por categorias profissionais não pode representar uma trava ou limitação para brigarmos contra as inúmeras injustiças que persistem no mercado de trabalho e, particularmente, dentro da Petrobrás, onde há diferenciação absurda entre os petroleiros próprios e os terceirizados, entre quem é funcionário da empresa e quem presta trabalho eventual. É contra esses abusos e para garantir condições dignas de saúde, segurança e meio ambiente para todos que esta unidade foi firmada”, declarou Spis.
UNIDADE
Para o presidente da Conticom/CUT, Waldemar Pires de Oliveira, “esta unidade vai dar mais força para combatermos as injustiças e mazelas que vitimam nossa categoria, abrindo espaço para que consigamos ter mais ganhos salariais e melhores condições de vida e trabalho”. “São dezenas de milhares de operários que, por serem mão-de-obra temporária, são terceirizados nas obras da Petrobrás, trabalham em empresas que ganham licitações e depois abandonam o local sem pagar salários e direitos. A partir de agora, com esta parceria com a FUP, vamos ter melhores condições de agir contra essas picaretagens”, acrescentou.
Waldemar lembrou que existe um acúmulo na parceria com a FUP, citando o caso de uma greve recente em São José dos Campos, onde com a colaboração dos petroleiros se conseguiu a reabertura das negociações e mais de três mil operários da construção saíram vitoriosos com a conquista da PLR de R$ 1.200,00.
Segundo João Antonio Moraes, da executiva da FUP, as duas entidades vão atuar conjuntamente em benefício da classe, qualificando ainda mais o trabalho de organização que vem sendo desenvolvido na tentativa de resguardar os direitos dos terceirizados. No dia 20 de fevereiro a FUP comandou em todas as unidades da Petrobrás uma mobilização em protesto contra as condições de trabalho a que são submetidos os petroleiros terceirizados. São cerca de 150 mil petroleiros terceirizados contra apenas 50 mil primeirizados, declarou Moraes, alertando que é um contingente imenso de companheiros que fica mais fragilizado diante da coação e da truculência de alguns empresários, que a Petrobrás, como firma contratante, deve passar a se responsabilizar.
COMUNICAÇÃO
As lideranças da FUP e da Conticom decidiram comunicar às suas bases a estratégia a ser desenvolvida em comum a partir de agora, elencando as seguintes prioridades: 1. Respeito à representatividade dos sindicatos cutistas; 2. Pressionar a Petrobrás pela melhoria das condições dos contratos. Eles devem passar a incorporar uma “cláusula de responsabilidade” que obrigue a estatal garantir o cumprimento da legislação pelas empresas contratadas, principalmente o pagamento de salários e verbas rescisórias e 3. Incorporação da Conticom à Comissão de Terceirizados da FUP, que também avaliará a participação dos demais ramos, conforme o caso.
No encontro, os trabalhadores decidiram encaminhar um conjunto de denúncias à Petrobrás sobre absurdos e abusos cometidos por engenheiros e fiscais contra a liberdade de mobilização e organização sindical, bem como o não-cumprimento de contratos por algumas empresas. Também foi aprovada uma moção contra os interditos proibitórios, que vem sendo utilizados pelas empresas e pela Petrobrás para impedir as mobilizações dos trabalhadores.
Ao final da reunião, foi constituída uma comissão de seis dirigentes, três por entidade, para aprofundar o debate – e o combate – sobre as condições de trabalho na Petrobrás.
Conforme Ubiraney Porto, responsável pela Comissão de Terceirizados da Petrobrás, “esta somatória de experiências ampliará o nosso poder de pressão sobre a empresa e abre caminho para novas vitórias”.
Por Leonardo Severo – leonardo@cut.org.br.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.