A Caixa frustrou os representantes dos bancários na negociação desta terça-feira, dia 3, e não aceitou avançar na maioria dos pontos apresentados na contraproposta dos trabalhadores para a unificação das tabelas do Plano de Cargos e Salários (PCS) do banco.
Com isso, fica ainda mais importante a mobilização dos bancários nesta quarta, no Dia Nacional de Luta pela Implantação do PCS. Sindicatos de todo o país estarão nas ruas para pressionar o banco e exigir um PCS justo para os empregados da Caixa. Os dirigentes deverão também coletar assinaturas no abaixo-assinado em apoio à contraproposta dos trabalhadores, organizado pela Contraf-CUT (clique aqui para baixar o modelo do abaixo-assinado).
“A negociação foi frustrante. Esperávamos um avanço maior por parte do banco. Agora, precisamos ir para as ruas amanhã e mostrar que os empregados da Caixa vão lutar por um PCS justo”, sustenta Plínio Pavão, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa da Contraf-CUT (CEE Caixa).
Negociação
O banco avançou ao aceitar estudar uma proposta de redução do número de níveis da tabela. A proposta da Caixa tem 72 níveis, enquanto a dos empregados conta apenas 36. Além disso, o banco confirmou que aceita as regras propostas pelos trabalhadores para as promoções por merecimento e com a inclusão dos Técnicos Bancários Superiores (TBS) no novo PCS.
Os avanços, no entanto, ficaram por aí. Os representantes do banco afirmaram não ter condições para conceder nenhum tipo de compensação pelo período em que os bancários da Caixa tiveram as promoções por merecimento congeladas. Os trabalhadores lutam pela concessão de um nível (delta) a cada dois anos ou fração superior a um ano que o empregado ficou sem receber a promoção. Por exemplo, se um empregado não recebe promoção há quatro anos, receberia dois deltas, o que a Caixa negou.
Além disso, o banco não aceita que os bancários recebam no mínimo um e no máximo dois deltas por ano a título de promoção por merecimento, como propõe os trabalhadores. O banco defende que seja possível não conceder nenhum delta a um trabalhador por merecimento.
A Caixa insiste na vinculação do PCS aos planos de benefícios da Funcef, negando a migração para a nova tabela aos bancários que estiverem no Reg/Replan não saldado. “É uma condição absurda, que não podemos aceitar, pois é discriminatória”, afirma Plínio. Uma nova negociação ficou agendada para o dia 17 de junho, em São Paulo.
Perseguição
A Contraf-CUT retomou na mesa de negociação dois itens que, em seu entender, devem ser negociados paralelamente ao PCS. O primeiro é o desconto do dia 10 de outubro 2007, por conta da realização de greve nas bases de Belo Horizonte, Bahia e Sergipe. Diante da negativa da Caixa em negociar o tema até o momento, os bancários dessas bases buscaram a Justiça, com sucesso. O Sindicato dos Bancários de Sergipe conseguiu ganho de causa em ação na Justiça contra o desconto, enquanto os bancários de Belo Horizonte conseguiram sentença liminar. No caso da Bahia ainda não há decisão.
Outro ponto lembrado foi a perseguição contra empregados comissionados por conta de participação em greve, como foi o caso do Gerente de Relacionamento Antonio Fagundes Costa Júnior, da base de Sergipe. A Caixa alega que a perda de seu cargo ocorreu por motivo de desempenho. No entanto, a ex-gerente da agência de Fagundes, em depoimento à Justiça, declarou que não tinha motivos para destituir Fagundes do cargo que ele ocupava e que se negou a fazê-lo. Ela afirmou ainda que a decisão foi tomada pelo superintendente. Além disso, relatórios e outras evidências surgiram no processo que atestam o excelente desempenho do bancário. A Caixa afirmou na última reunião que iria avaliar o caso, mas não trouxe resposta.
Os representantes dos bancários entregaram documento à Caixa com essas reivindicações e reproduzindo a moção aprovada na Plenária Nacional que discutiu o PCS, na qual repudiam a direção da Caixa por essas atitudes arbitrárias.
Outros temas
No mesmo documento os bancários apontaram outros temas também importantes e que precisam ser tratados com urgência. São eles:
Saúde Caixa – banco e empregados haviam decidido analisar os números do Saúde Caixa e avaliar a possibilidade de alterações em sua estrutura.
RH 022 – trata-se de um normativo que disciplina a concessão e destituição de cargos em comissão. O ponto a ser negociado é o prazo mínimo para que a Caixa possa retirar o comissionamento de um empregado afastado por licença médica. Hoje, esse prazo é de 15 dias, tanto para afastamentos por doença comum ou por acidente/ doença do trabalho. Os empregados propõem que esse prazo mínimo seja de dois anos no caso de doenças comuns. Para acidentes ou doenças do trabalho, a proposta é tempo indeterminado.
Flexibilização de horário – Os empregados reivindicam que a Caixa permita a flexibilização do horário de trabalhadores que tenham filhos com deficiência e que tenham necessidade de algum atendimento especial. O horário flexível permitiria ao trabalhador atender à necessidade de seu filho.
Auxílio e Cesta-alimentação – Os empregados recolocaram a discussão da distribuição de cesta e auxílio-alimentação para aposentados e pensionistas.
Dívidas da Caixa com a Funcef – os representantes dos empregados cobraram o pagamento das dívidas que a Caixa tem com o fundo de pensão, em especial a relacionada à incorporação dos contribuintes da Prevhab (fundo de previdência do antigo BNH).
Participação na gestão – os empregados demandam participação na gestão da empresa, por meio de um representante no Conselho de Administração e outro no Conselho Diretor da Caixa.
Contratações – Foi feito novo questionamento sobre a contratação de novos empregados para o banco, bem como sobre o processo de substituição das terceirizações. A Caixa informou que o prazo previsto no Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público federal foi mais uma vez prorrogado, desta vez para junho de 2009. Mesmo assim, a empresa informou que está finalizando o processo de contratações que havia sido acertado para 31 de dezembro do ano passado. A relação dos trabalhadores contratados será repassada à representação dos empregados na próxima reunião, que será no dia 17 de junho em São Paulo.
Mal atendimento – a CEE Caixa denunciou mais uma vez problemas no atendimento aos clientes, dessa vez no Rio de Janeiro. Trata-se da prática de impedir a população de adentrar as agências, forçando a utilização do auto-atendimento e o encaminhamento para lotéricas e outros correspondentes bancários. A Caixa reafirma que essa não é uma diretriz da direção da empresa e que sindicatos e clientes devem denunciar tais ocorrências, que serão investigadas.
Fonte: Contraf-CUT.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contrafcut.org.br.
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PCS: negociações não avançam e impasse continua. Hoje é Dia Nacional de Luta
Mobilização é a resposta a retrocesso nas negociações sobre o Plano de Cargos e Salários. Nova rodada foi agendada para o dia 17 de junho, em São Paulo (SP)
O Dia Nacional de Luta dos empregados da Caixa Econômica Federal ganha importância vital nesta quarta-feira, dia 4 de junho, depois da direção da empresa ter rejeitado ontem boa parte das reivindicações constantes na contraproposta para a unificação das tabelas do Plano de Cargos e Salários (PCS), definida em plenária nacional de 16 de maio. O impasse ocorreu durante a rodada de negociações, em Brasília (DF), e é resultado direto da intransigência da Caixa em atender minimamente o que é reivindicado pelo movimento nacional dos empregados.
A contraproposta rumo a um PCS justo foi entregue para a Caixa pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) na última segunda-feira, dia 2 de junho. Na negociação de ontem, os representantes da empresa, depois de reafirmarem intenção de fechar acordo até 30 de junho, com implantação do novo PCS a partir de 1º de julho, negaram atender pontos como a unificação da tabela salarial em 36 níveis e a concessão – a título de compensação – de mais um nível/delta para cada dois anos ou fração superior a um ano ao empregado que tenha ficado sem promoções por merecimento nos planos anteriores (1989 e 1998).
A Caixa também não aceita que os empregados passem a receber no mínimo um e no máximo dois deltas por ano a título de promoção por merecimento e sem vinculação a percentual da folha de pagamento, conforme consta na contraproposta. A proposta da empresa prevê patamar de zero a três deltas para uma tabela de 72 níveis e insiste na defesa da vinculação do PCS aos planos de benefícios da Funcef, negando aos participantes do REG/Replan não-saldado a migração para a nova tabela. Essa exigência, além de absurda, configura discriminação.
Os representantes da empresa se dispuseram a estudar a possibilidade de reduzir o número de níveis da nova tabela, “de modo a encontrar pontos de equilíbrio no processo de negociações”. Inicialmente, a proposta da Caixa prevê 72 níveis. Os empregados, no entanto, defendem que o novo PCS seja implantado com apenas 36 níveis, argumentando que a experiência de tabelas longas tem sido dramática para os trabalhadores, notadamente por impedir que contingente grande de bancários chegue ao topo da carreira.
Houve concordância com as regras propostas pelos empregados para as promoções por merecimento, sobretudo no que se refere aos seguintes itens: criação de comissão paritária para a elaboração de critérios e acompanhamento do processo de avaliação por mérito, criação de instrumentos que permitam avaliação objetiva e subjetiva, processo de avaliação cruzada (auto-avaliação e avaliação dos empregados pelos gestores, dos gestores pelos empregados e entre colegas do mesmo nível) e possibilidade de escolha pela unidade de critério próprio. A empresa aceita também que os técnicos bancários superiores/TBS sejam incluídos no novo PCS.
Outros assuntos
Na rodada de negociações de ontem, a Contraf/CUT e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) apresentaram a lista de pontos que precisam ser negociados em mesas permanentes, paralelamente ao PCS. Um desses itens é o desconto dos dias parados na greve de outubro do ano passado nas bases sindicais de Belo Horizonte, Bahia e Sergipe. A recusa da Caixa em atender essa reivindicação levou os empregados desses sindicatos a buscarem seus direitos na Justiça. Em Sergipe, a ação judicial contra o desconto foi vitoriosa, enquanto em BH houve sentença liminar e não há ainda decisão na Bahia.
Outra pendência é a perseguição contra empregados comissionados devido a participação em greve, como ocorreu com Antônio Fagundes Costa Júnior (gerente de Relacionamento), em Sergipe. Para tratar desses e de outros assuntos com a urgência necessária, a Contraf/CUT – CEE/Caixa entregou aos representantes da empresa documento com uma lista de reivindicações, entre os quais se destacam: Saúde Caixa, RH 022 (disciplina a concessão ou destituição de cargos comissionados), flexibilização de horário para os empregados com filhos deficientes e que tenham necessidade de algum atendimento especial, auxílio cesta-alimentação para aposentados e pensionistas, dívidas da Caixa para com a Funcef (a exemplo da incorporação dos contribuintes da Prevhab – fundo de previdência do antigo BNH), participação na gestão com eleição de representantes dos empregados no Conselho de Administração e no Conselho Diretor, contratação de novos empregados e processo de substituição dos terceirizados e falta de atendimento adequado aos clientes nas agências, como vem ocorrendo no Rio de Janeiro (RJ), com casos de usuários que estão sendo impedidos de adentrar nas unidades.
Próxima reunião
Uma nova rodada de negociação foi agendada para o dia 17 de junho, em São Paulo (SP), ocasião em que será dada seqüência ao debate sobre o novo PCS.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fenae.org.br.