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Aumentos da Selic podem levar à queda de investimentos, diz diretor do Ipea

Brasília – Apesar de a inflação estar dando pequenos sinais de recuo, a tendência é que a alta de preços neste ano em relação aos índices de 2007, provoque redução no ritmo de crescimento da economia, segundo avaliação do diretor de Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), João Sicsu.

Ele acredita, porém, que o país vai continuar contando com ritmo de crescimento dos investimentos, se o Banco Central contiver as elevações na taxa de juros básicos da economia (a Selic). Do contrário deverão cair os investimentos a partir de 2009, com crescimento menor da economia e menor oferta de emprego em relação a este ano. No momento, os investimentos estão crescendo em nível acima do próprio Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas pelo país, lembrou Sicsu

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, Sicsu falou sobre o documento Carta de Conjuntura, que o Ipea vinha editando a cada três meses e que registrou recuo da inflação nas últimas semanas, em relação aos demais períodos do ano. Ele destacou o desempenho do item alimentação como principal responsável pela alta da inflação nos últimos meses. Segundo ele, em 12 meses até maio os preços desses produtos, isoladamente, subiram 14,6%, enquanto os demais itens que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiram no período a uma média de 3,2%.

Para Sicsu isso mostra que a inflação, excluindo o item alimentos, “está até muito bem comportada” em relação ao ano passado. Ela se torna preocupante, no entanto, particularmente por causa do efeito sobre as camadas mais pobres da população, que estão com a cesta de consumo “a preço bastante elevado”.

Na opinião do especialista, o cenário daqui para a frente poderá se tornar mais positivo no que diz respeito à agricultura nacional, em razão dos incentivos que o governo está dando para aumentar a produção e a produtividade no campo. Com isso a oferta de alimentos deverá crescer no segundo semestre, prevê.

Sicsu disse que o preço do petróleo, que está em alta no mercado internacional, impacta apenas de forma indireta na inflação brasileira, no momento. O efeito, para ele, não vem do item transporte, mas do preço dos fertilizantes, agrotóxicos e outros insumos químicos usados nas plantações. Ele lembrou que os fertilizantes por exemplo, subiram 14% neste ano.

“O governo está tomando uma medida corrreta, reduzindo o imposto que incide sobre os combustíveis (a Cide) para equilibrar o preço dos combustíveis nas bombas dos postos de abastecimento, em relação ao que é pago nas refinarias”.

Por Lourenço Canuto – Repórter da Agência Brasil.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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“A Inflação de alimentos se combate aumentando oferta”

Entrevista com João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea

João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), tem um diagnóstico e um tratamento precisos para a onda inflacionária em curso. É uma “inflação de alimentos” e exige estímulos para “aumentar a oferta”, defendeu em entrevista a Bernardo Joffily, do Vermelho, o professor de economia da UFRJ, levado para o Ipea na gestão de Márcio Pochmann.

Durante a gestão de Pochmann, o Ipea passou a se alinhar com a ala desenvolvimentista no interior do governo Luiz Inácio Lula da Silva, que trava um combate de longo fôlego contra os ortodoxos do Banco Central. O fomento da oferta para enfrentar a inflação é uma alternativa à linha ortodoxa de elevar ainda mais drasticamente os juros (fala-se que o próximo aumento da taxa Selic chegará a 0,75%). Veja a entrevista produzida ao Portal Vermelho:

O mundo e o Brasil vivem uma onda inflacionária?

O Brasil vive uma onda de inflação de alimentos, causada por fatores externos e internos, que são basicamente os mesmos: redução da oferta de alimentos, por um lado, e por outro o aumento da demanda.

Se este é o quadro, qual a política a adotar?

A forma mais adequada de se conter essa inflação de alimentos é aumentar a oferta de alimentos, e não reduzir a demanda. Afinal, as pessoas querem comer mais e isto é bom. É possível, com políticas governamentais, levar ao aumento da produção e da produtividade das lavouras de alimentos. O aumento da produção pode ser facilmente alcançado com políticas como um crédito dirigido ao setor. O aumento da produtividade também viria com um crédito especial, e no caso brasileiro tem sido facilitado pelo maior investimento em máquinas e equipamentos.

Essas medidas não levariam perto de um ano para surtirem efeito?

O setor de alimentos responde mais rápido que isto. Eu diria que até o final do ano podemos ter um aumento da oferta de vários produtos. Em média, dentro de quatro a oito meses a diferença já começa a aparecer.

Tem sentido a alegação de que a produção de etanol em expansão tomou terras que eram destinadas a alimentos e portanto tem culpa na onda inflacionária?

Parece que esta é uma verdade parcial. É possível que uma parte da terra antes destinada a alimentos tenha sido usada para outros fins, como o etanol. Mas também é verdade que há muita especulação com commodities. E isto num mundo que está, ainda, em crescimento significativo, particularmente na China, na Índia, também no Brasil, enquanto a redução do crescimento se dá na Europa e nos Estados Unidos.

Em resumo, há muita especulação em relação às commodities e portanto aos alimentos, assim como há em relação ao petróleo. O governo está tomando medidas corretas, por exemplo quando diminui a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, que taxa os combustíveis). O Brasil tem importantes condições de elevar a oferta interna de commodities, sejam alimentos ou petróleo.

Portanto, professor, na sua avaliação, as medidas de estímulo à oferta seriam suficientes para enfrentar a inflação de alimentos?

Lógico que sim. É só ver os números da inflação: a taxa de aumento dos preços dos alimentos está em torno de 14% a 15% nos últimos 12 meses, enquanto os outros preços têm uma variação de 3% a 3,5%. O foco, a causa da inflação são os alimentos. Sem eles, a inflação seria de 3% a 3,5% ao ano, muito abaixo do centro da meta de inflação (definido em 4,5%, com tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo). Neste caso atual, o pobre é que se dá mal, pois é uma inflação de alimentos, e quanto mais baixa a faixa de renda, maior é a parcela do orçamento familiar que vai para os alimentos. Nas camadas mais pobres, ela chega a 50% e até 60%.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.fup.org.br.

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