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Cental Única dos Trabalhadores comenta decisão do comitê de política monetária do Banco Central do Brasil

PIB cresce apesar da fixação do Banco Central e do Copom em frear expansão. Taxa básica de juros sobre 0,75%

Nota oficial da CUT sobre a decisão do Copom

O resultado positivo do PIB no primeiro semestre ocorre apesar da fixação do Banco Central e do Copom em querer frear o ritmo de expansão do crescimento e sufocar as possibilidades de um ciclo de desenvolvimento sustentável.

Não deixa de ser irônico que o crescimento do PIB não tenha trazido consigo uma explosão inflacionária, contrariando o discurso do Copom.

O aumento da taxa básica de juros anunciada hoje é ainda pior se considerarmos o Índice do Custo de Vida divulgado ontem pelo Dieese, de 0,32% em agosto, com queda acentuada dos alimentos. Antes que o Copom diga que a queda é fruto de sua política, lembramos que em nota anterior a CUT afirmava que a pressão inflacionária recente era restrita ao item alimentação, com influência internacional sobre a qual a taxa básica de juros não teria eficácia, e portanto não era resultado de superaquecimento da economia nacional, nem mesmo inflação de demanda. Os diversos índices que medem a inflação estão confirmando nossa análise.

Como discutido e aprovado em nossa 12a Plenária Nacional, a CUT defende que o controle da inflação não pode prescindir da manutenção e ampliação do crescimento. Para tanto, aprovamos propostas contidas na resolução que segue:

1. Considerando-se a elevação dos preços de consumo popular, entre os quais encontram-se os alimentos, é fundamental rever e fortalecer a política de valorização do salário mínimo, de forma a recuperar efetivamente o poder de compra afetado pela aceleração inflacionária e garantir seu aumento real. Igualmente com vistas a garantir o rendimento dos trabalhadores, defendemos também a revisão do acordo que prevê a atualização da tabela do Imposto de Renda.

2. Orientar as campanhas salariais para:

– implementar a valorização dos pisos salariais das categorias, para recuperar o poder aquisitivo das famílias de menor renda;

– propor que os benefícios de alimentação/refeição, como tíquetes e cestas básicas, sejam corrigidos por índices que expressem a variação do agregado “alimentos”;

– estudar e negociar mecanismos que viabilizem a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, como forma de participação dos trabalhadores no aumento da produtividade das empresas;

3. Propor uma incisiva ação do Governo Federal na adoção de políticas públicas que busquem estabilizar os preços dos alimentos, por meio da utilização de estoques reguladores e medidas de elevação da oferta. Neste sentido, defendemos:

– a adoção de políticas de desoneração de impostos internos sobre itens como os alimentos, sobretudo os de consumo popular, com a exigência de que estas reduções sejam efetivamente repassadas aos consumidores na forma de redução de preços;

– restrição às exportações de alimentos, se isto for eventualmente necessário para abastecer e regular o mercado interno;

– políticas de incentivo ao incremento da oferta de alimentos (especialmente aquela proveniente da pequena agricultura familiar), como a concessão de crédito mais barato e com prazos mais largos de pagamento e a fixação de preços mínimos.

4. Políticas de acompanhamento e controle específico também dos preços administrados e tarifas públicas, como o telefone, a eletricidade, a energia e a água, com a renegociação dos contratos que estabelecem cláusulas de indexação.

5. Intensificar as políticas em prol da produção de biocombustíveis, com a valorização dos trabalhadores do setor e da pequena agricultura familiar a ele relacionada, de forma a viabilizar alternativas ao petróleo, além de reduzir em médio prazo as pressões sobre os preços dos fertilizantes (que, segundo estimativas, representam cerca de 40% dos custos dos alimentos).

6. Retomar os fóruns tripartites de competitividade setorial, buscando realizar diagnósticos e negociações em nível de cadeia produtiva, e assim localizar e neutralizar de forma mais exata e “cirúrgica” os focos de pressão de custos, evitando-se a adoção de medidas que, por seu alcance mais amplo, podem resultar mais em efeitos negativos do que positivos, como é o caso do aumento dos juros.

7. Intensificar o movimento pela Ampliação e Democratização do Conselho Monetário Nacional, que foi uma proposta apresentada pela CUT em 2005, tendo em vista a importância das decisões do Conselho sobre variáveis-chave da economia brasileira, como a meta de inflação e as diretrizes da política monetária e cambial.

Por Isaías Dalle.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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Centrais protestam contra aumento da taxa básica de juros

Brasília – A Força Sindical considerou desproporcional o aumento de 0,75% na taxa básica de juros (Selic) decidido hoje (10) pelo Comitê de Política Econômica (Copom). De acordo com nota divulgada pela central sindical, o aumento determinado pelo Banco Central não corresponde às expectativas de disparada da taxa inflacionária.

“É que a subida dos preços das mercadorias foi provocada pela redução da oferta e não pela demanda. Por isso, o aumento do juro básico é colossal, inoportuno e inconveniente.

A nota classifica ainda que os argumentos do Banco Central como estapafúrdios. “São produtos das cabeças de tecnocratas que não saem de seus gabinetes para ver como funciona o Brasil real. Vamos continuar lutando por redução dos juros e por melhores salários e condições de vida para os trabalhadores”, diz a nota.

A nota alerta que a alta da taxa Selic tem um custo muito grande para o país porque impacta a dívida pública, inibe os investimentos produtivos, diminui a demanda e, conseqüentemente, reduz o crescimento econômico e a geração de empregos.

“Defendemos a proposta segundo a qual é preciso mudar a política econômica para atender a demanda de milhões de trabalhadores, pois a atual privilegia basicamente os bancos e os especuladores”, diz a nota.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considerou inadequado o aumento dos juros em face ao decréscimo no preço dos alimentos, medido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O aumento da taxa básica de juros anunciada hoje é ainda pior se considerarmos o Índice do Custo de Vida divulgado ontem pelo Dieese, de 0,32% em agosto, com queda acentuada dos alimentos. Antes que o Copom diga que a queda é fruto de sua política, lembramos que em nota anterior a CUT afirmava que a pressão inflacionária recente era restrita ao item alimentação, com influência internacional sobre a qual a taxa básica de juros não teria eficácia, e, portanto, não era resultado de superaquecimento da economia nacional, nem mesmo inflação de demanda. Os diversos índices que medem a inflação estão confirmando nossa análise”, diz a análise divulgada pela CUT.

Por Luciana Lima – Repórter da Agência Brasil.

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Empresários e trabalhadores criticam decisão do Copom

São Paulo – Entidades ligadas a trabalhadores e a empresários criticaram hoje (10) a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) de elevar em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros da economia nacional, a Selic.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou em nota que aumentar a taxa Selic para 13,75% ao ano é um “grave erro”, cometido repetitivamente. “Errar é humano. Mas persistir no erro é burrice”, criticou a entidade, em nota enviada à imprensa.

Segundo a Fiesp, de nada adianta discutir política de desenvolvimento e resgate da dívida social se “escoa pelo ralo da dívida interna a fatura do perverso aumento dos juros.”

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que o Copom quer “frear o ritmo de expansão do crescimento e sufocar um ciclo de desenvolvimento sustentável”.

A Força Sindical informou em nota que o aumento dos juros é “colossal, inoportuno e inconveniente”. Para a central sindical, a alta da inflação não justifica a decisão do Copom já que “a subida dos preços foi provocada pela redução da oferta e não pela demanda”.

Por Vinicius Konchinski – Repórter da Agência Brasil.

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Banco Central eleva taxa básica de juros para 13,75% ao ano

Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reajustou hoje (10) a taxa básica de juros (Selic) em mais 0,75 ponto percentual, e repetiu a “calibragem” usada na reunião do último mês de julho. Reafirmou, assim, a expectativa média de uma centena de analistas financeiros ouvidos pela pesquisa Focus que o BC realiza todas as semanas. A taxa de juros que remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) estava em 13% ao ano, e passa a valer 13,75% até a próxima reunião do Copom, dias 28 e 29 de outubro.

“Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três pela elevação da taxa em 0,50%, com vista a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas”, diz a nota divulgado há pouco pelo Comitê de Política Monetária.

Embora a maioria dos analistas de mercado e de instituições financeiras apostasse na elevação de 0,75 ponto percentual, dirigentes de instituições representativas dos empresários e das centrais de trabalhadores defendem a necessidade de a autoridade monetária conter o aumento continuado da taxa básica de juros, que começou 2008 em 11,25%, e a partir de abril voltou a subir como forma de conter pressões inflacionárias.

Mas não só empresários e trabalhadores são contrários às elevações da Selic. O presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ), João Paulo de Almeida Magalhães, diz que “aumentar a taxa neste momento é uma loucura”. Ele acredita que o corte de gastos seria uma medida mais efetiva no combate à inflação.

João Paulo lembra que um dos maiores gastos do Estado é com o pagamento dos juros da dívida, estimado em R$ 160 bilhões neste ano, o que, por si só, recomendaria corte na taxa de juros. Mas, já que não se faz isso, acrescentou, “acho que a melhor alternativa seria uma política de rendimentos que coloque a remuneração dos agentes econômicos em níveis médios, como se fez no Plano Real”.

Outros defendem aumentos de menor magnitude, uma vez que a inflação perdeu força e dá mostras de chegar ao fim do ano abaixo do teto da meta de 6,5%. É o caso do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Ele entende que a justificativa de aumentar os juros para conter o consumo doméstico tem efeito mínimo: “Não traz qualquer mudança na intenção de compras”. Oliveira disse que a distância entre a taxa Selic e as taxas efetivamente cobradas nos financiamentos era até então de 134,22% ao ano, o que dá uma variação de quase 1.000% entre as duas pontas, e garante que tem financeira cobrando diferença de até 1.500% no crédito pessoal.

Por isso, Ribeiro sustenta que o aumento da taxa básica de juros “não é suficiente para reduzir as intenções de compra”, uma vez que acrescenta apenas alguns reais nos financiamentos, e “para o consumidor o que interessa mais é a garantia do emprego e saber se as prestações do novo financiamento cabem no seu bolso”.

Ao contrário, porém, os representantes dos agentes financeiros querem as taxas mais altas do que já estão, como o economista Fábio Susteras, do Banco Real. Ele afirma que apesar da queda recente nos preços das commodities (produtos com cotação internacional, que compõem mais de metade da pauta de exportações brasileiras), cujo reflexo tem se mostrado no recuo dos preços dos alimentos, “existem outros itens que ainda preocupam o BC, como o descompasso entre oferta e demanda”.

Por Stênio Ribeiro – Repórter da Agência Brasil.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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